Consumo de etanol tem potencial de crescimento em Minas Gerais

A expectativa do setor sucroenergético é que a demanda por etanol no Estado volte a atingir números consistente do passado
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Consumo de etanol tem potencial de crescimento em Minas Gerais
Crédito: Francis Mascarenhas/Reuters

O setor sucroenergético vê potencial para crescimento do consumo de etanol em Minas Gerais e espaço para que isso aconteça em razão da maior parte da frota de veículos ser flex. A expectativa é que a demanda volte a atingir números consistentes do passado.

Conforme o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, o etanol representa atualmente apenas 21% do ciclo Otto no Estado, indicador que combina vendas de etanol hidratado e gasolina comum. Anteriormente, o biocombustível chegou a ter participação de 36%.

De acordo com ele, o etanol está atrativo para o consumidor em Minas. Neste momento, a relação média de preços entre o etanol hidratado e a gasolina comum é de 61% no Estado, mesmo com a gasolina no mercado mineiro figurando entre as mais baratas do Brasil.

Apesar dos preços competitivos, o biocombustível enfrenta resistência. Campos ressalta que, em junho, o consumo de etanol no Estado não cresceu mesmo com a paridade positiva. Na avaliação dele, o resultado reflete a demora do consumidor em migrar da gasolina para o etanol hidratado, visto que, nos últimos anos, a migração ocorreu de maneira oposta.

O presidente da Siamig afirma que os motoristas estão habituados a chegarem ao posto de combustível e abastecerem com gasolina. Para que esse costume mude, ele diz que é preciso apresentar as vantagens do etanol, algo que o setor tem buscado fazer.

“Os preços estão muito atrativos, mas o consumidor ainda está um pouco reticente em trocar a gasolina pelo etanol e estamos trabalhando para que isso ocorra o mais rápido possível”, afirma Campos, mencionando que a Siamig lançou uma campanha publicitária para mostrar aos motoristas os benefícios do biocombustível frente à gasolina em aspectos econômicos, ambientais e de desenvolvimento regional, por exemplo.

Ainda segundo Campos, existe uma ansiedade neste momento para que o consumo do etanol cresça rapidamente. O motivo é o excedente da produção de etanol no País, que deve alcançar quatro bilhões de litros em 2026.

“No Brasil, além da recuperação do sistema de cana-de-açúcar, que representa 70% da produção de etanol, tivemos neste ano um crescimento muito forte do etanol de grãos, em especial o de milho, que hoje representa 30% da produção. Isso fará com que o País atinja a maior produção de etanol de sua história, alcançando cerca de 42 bilhões de litros”, salienta.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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