Corte da taxa Selic é recebido com otimismo em Minas, mas indústria alerta sobre juros ainda altos
A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano nesta quarta-feira (5) foi bem recebida por setores da economia mineira, como o comércio e a indústria.
Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), a medida é um passo importante na construção de um ambiente mais favorável ao crescimento econômico.
“A desaceleração da inflação abre espaço para que a política monetária avance de forma gradual, preservando a responsabilidade com a estabilidade dos preços e, ao mesmo tempo, estimulando a atividade produtiva”, avalia o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.
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Para o comércio, a redução dos juros significa a perspectiva de um crédito mais barato para consumidores e empresas. “Isso tende a fortalecer o consumo, incentivar investimentos, favorecer a geração de empregos e ampliar a confiança dos empresários, especialmente às vésperas do período mais importante para o varejo, que concentra datas como Dia das Crianças, Black Friday e Natal”, informa a CDL-BH em nota.
Indústria avalia que juros seguem em nível restritivo
Assim como a CDL-BH, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também considera positiva a redução da taxa Selic. No entanto, a entidade avalia que o corte ainda é insuficiente para mitigar os impactos prolongados dos juros elevados sobre a atividade produtiva, os investimentos e a geração de empregos.
Para a Federação, a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado continua restringindo o acesso ao crédito, desestimulando novos investimentos e comprometendo a competitividade da indústria brasileira.
“A estabilidade de preços é indispensável para o crescimento sustentável da economia. O processo precisa ocorrer com menor custo para a produção, os investimentos e o emprego, o que exige maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal”, afirma economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio.
Entidade cobra ambiente macroeconômico mais equilibrado
Segundo a Federação, a decisão do Copom reflete um cenário em que ainda persistem pressões inflacionárias, sobretudo no setor de serviços, além de um mercado de trabalho aquecido e incertezas em relação ao quadro fiscal.
Na avaliação da entidade, o caráter expansionista da política fiscal e a ampliação de programas de crédito subsidiado, quando não acompanhados de um compromisso com o equilíbrio das contas públicas, reduzem a eficácia da política monetária e tornam o processo de controle da inflação mais custoso para a economia.
“Um ciclo mais consistente de queda dos juros depende de um ambiente macroeconômico mais equilibrado, com responsabilidade fiscal, previsibilidade e maior efetividade da política monetária. Esse conjunto de fatores amplia a confiança, favorece o investimento produtivo e fortalece a competitividade da indústria”, conclui o economista.
Selic tem quarto corte consecutivo desde março
A redução desta quarta-feira (5) da taxa Selic foi o quarto corte consecutivo. Os juros já caíram 1 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.
Antes, o Copom manteve a Selic em 15%, o maior nível em quase duas décadas, por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026.
“Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o Copom em nota.
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