Dia dos Pais em Minas terá tíquete médio mais alto, mas menos presentes comprados, mostra pesquisa
O perfil de consumo dos mineiros para o Dia dos Pais, segundo pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), será de contrastes. A proporção de consumidores que pretendem comprar presentes teve recuo de 46,49%, em 2025, para 45,50% neste ano. Em contrapartida, o tíquete médio previsto subiu 22,73%, chegando a R$ 158,33.
Roupas, calçados e acessórios aparecem como os presentes mais citados, enquanto a compra presencial segue como a principal forma de aquisição, mencionada por 42,57% dos entrevistados.
Esse cenário pode indicar uma redução no movimento das lojas na data, uma das principais para o comércio no ano. Para o gerente de pesquisa do Ipead, Eduardo Antunes, mesmo com a tendência de redução no movimento, o tíquete médio dos presentes deve subir, o que mostra que o consumidor segue com disposição para presentear os papais no domingo (9).
“Efetivamente, existe a expectativa com relação ao movimento menor nas lojas no Dia dos Pais. Isso vem se repetindo ao longo de 2026, em praticamente todas as pesquisas para essas datas especiais, o movimento diminuiu. Porém, o valor do presente teve tendência de aumento. Sempre com um ganho a mais em relação ao gasto. Por isso, mesmo com uma retração no movimento das lojas, elas terão um tíquete médio mais alto, porque as pessoas estão mais dispostas a gastar mais com o presente”, disse o gerente do Ipead.
Efeito inflacionário
Eduardo Antunes explicou que a alta do tíquete médio com menor volume de consumo pode estar relacionada com a pressão inflacionária sobre os produtos que fazem parte do leque de opções de presentes no Dia dos Pais.
“O aumento do tíquete médio leva em consideração dois fatores: o processo inflacionário dos próprios produtos. Apesar de a inflação não estar descontrolada, muitos produtos subiram nesses últimos 12 meses e, potencialmente, sobem um pouco mais também nesse período, pois há maior procura por alguns determinados itens”, comenta Antunes.
“Por exemplo, em 2025, 14% afirmaram que iam gastar mais do que em 2024. Já em 2026, 24% afirmaram que iam gastar mais do que em 2025. Isso já sinaliza um aumento do gasto do tíquete médio, não só pela inflação, mas até pelo aumento dos próprios valores que as pessoas vão gastar para poder adquirir os produtos”, completa.
Variações
O ano de 2024 foi o único da série histórica da Fundação Ipead em que o índice das pessoas que declararam ter uma pretensão de compra foi maior do que as que não pretendiam comprar.
Em 2025, esse valor já estava próximo de 46,5% e agora está em 45,5%. “É uma estabilização em torno desse valor de 45%, 46% ao longo das pesquisas com relação à aquisição dos produtos para o Dia dos Pais”, explica o gerente de pesquisa do Ipead.
Presencial
Outro dado levantado pela Fundação Ipead sobre o movimento de compras para o Dia dos Pais revela que o belo-horizontino gosta de fazer compras de forma presencial.
Para 42,57% dos entrevistados pela fundação, a compra presencial foi citada como a principal forma de aquisição dos presentes para o Dia dos Pais. Em comparação ao ano anterior, houve uma alta da compra presencial, de 37,74% para 42,57%. Também cresceram as citações de compra pela internet, de 28,30% para 28,71%, e da combinação entre o presencial e o on-line, de 17,92% para 20,79%.
“Sabemos que conseguimos comprar produtos mais baratos na internet. Mas o fato de ir às lojas ainda é um grande atrativo para a população da cidade. A pessoa gosta de poder procurar e escolher um presente melhor, um presente que vá chamar a atenção, fazer algum tipo de negociação com o vendedor para, quem sabe, até conseguir um produto mais barato de última hora”, destaca Antunes.
“Não se pode nunca descartar o poder da internet. As compras on-line ficaram praticamente estáveis em relação ao ano passado, mas o apelo para a população continuar comprando presencialmente ainda é muito forte”, finaliza.
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