Edital de duplicação da BR-381 entre BH e Caeté deve ficar pronto em 60 dias

Governo promete criar grupo de trabalho envolvendo Dnit, prefeitos, movimentos e órgãos que tenham relação com a chamada Rodovia da Morte, como forma de dar maior celeridade ao processo
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Edital de duplicação da BR-381 entre BH e Caeté deve ficar pronto em 60 dias
Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo Diário do Comércio

O edital para as obras de duplicação da BR-381 no trecho entre Belo Horizonte e Caeté, na região Central de Minas, deve ficar pronto em cerca de 60 dias. A informação é do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que também promete vistoriar a rodovia, juntamente com o ministro dos Transportes, Renan Filho. Segundo ele, o objetivo é “prepará-la para o novo leilão, além de assinar contratos para sua manutenção”.

Para isso, conforme o líder da pasta, será criado um grupo de trabalho envolvendo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), prefeitos, movimentos e órgãos envolvidos.

“A 381 faz parte da minha história, desde quando iniciei o seu processo de duplicação há cerca de 20 anos, enquanto diretor-geral do Dnit”, postou no X, antigo Twitter.

Com investimentos de R$ 1 bilhão, o governo federal optou por assumir os chamados lotes 8A e 8B da rodovia, em vistas de aumentar a atratividade pelo ativo, após a falta de interesse da iniciativa privada nos processos de concessão da chamada “Rodovia da morte”. O anúncio foi feito por Renan Filho no dia 8 de fevereiro, quando da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à capital mineira – a primeira desde que foi reeleito em 2022, diga-se de passagem.

Naquela ocasião, o ministro dos Transportes afirmou que entre desafios para as obras do trecho estão a necessidade de reassentamento de cerca de 2 mil famílias e o risco geológico do terreno. E que o objetivo é solucionar os problemas dos trechos, considerados os mais desafiadores e, com isso, tornar o processo de concessão da rodovia mais atrativo para a iniciativa privada.

“Temos o compromisso de tirar essa mancha da BR-381 em Minas Gerais. Essa iniciativa, somada às melhorias previstas no projeto de concessão, farão com que a BR-381 deixe de ser a ‘Rodovia da morte‘ e passe a ser a rodovia da vida, da segurança para as pessoas e do progresso deste Estado”, disse.

Saiba sobre o edital

Conforme já publicado, a expectativa é que o edital de licitação para duplicação do trecho da BR-381 seja publicado pelo Dnit até o fim de abril. Já as primeiras intervenções nas áreas devem acontecer até o final do ano.

“Entendemos que o recurso privado tem que ter uma lógica de retorno, senão ninguém investe. Por isso, estamos melhorando o projeto e dividiremos os riscos, duplicando os lotes 8A e 8B, um dos trechos mais complexos da rodovia”, afirmou Renan Filho.

Essa semana, prefeitos de cidades cortadas pela BR-381, na saída de Belo Horizonte, estiveram em Brasília para reuniões com os ministros de Lula, no Dnit, na ANTT e no TCU. Em todas elas, o assunto foi o mesmo: prioridade para avaliações e liberações do edital para o trecho entre BH e Caeté.

É que após a formatação do edital da BR-381 pelo governo federal, como de praxe, o mesmo precisará passar pelo crivo da Agência de Transportes e também do Tribunal de Contas da União.

Relembre o leilão da BR-381

Realizado em novembro do ano passado, o leilão para a duplicação da estrada não encontrou interessados e foi declarado como deserto. A licitação previa a concessão do trecho da rodovia que liga Belo Horizonte a Governador Valadares, na região do Vale do Rio Doce. A previsão de investimentos da empresa que vencesse o leilão, que acabou não ocorrendo, era de R$ 5,2 bilhões.

Além disso, vale lembrar que houve duas tentativas falhas de privatizar a estrada, ainda durante o governo do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).

O ponto do trecho considerado mais complicado para obras, por ser extremamente sinuoso e por precisar de desapropriações, fica entre a saída de Belo Horizonte, pelo Anel Rodoviário, e João Monlevade, na região Central de Minas Gerais.

A concessão e duplicação da BR-381 é um dos mais antigos imbróglios de Minas Gerais. Entra governo, sai governo, o trecho de 304 quilômetros é fruto de promessas e novos projetos por parte de políticos e gestores públicos mineiros e nacionais.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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