Emprego de carvão vegetal favorece indústria de gusa

Uso de carvão vegetal de florestas plantadas é um dos diferenciais que podem impulsionar os negócios em Minas
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Emprego de carvão vegetal favorece indústria de gusa
Produção de ferro-gusa em Minas Gerais deve fechar o ano nos mesmos patamares de 2021 | Crédito: Prilutschny Taras / stock.adobe.com

Diante de um contexto em que a descarbonização é pauta prioritária, líderes políticos e empresariais, investidores e parcela considerável da população, alguns setores produtivos brasileiros saem na frente. E a indústria de ferro-gusa é um deles. Com grande parte da produção concentrada em Minas Gerais, o uso do carvão vegetal ao invés do mineral, causando menos emissões e podendo gerar créditos, já tem se tornado diferencial competitivo no exterior.

Quem conta é o presidente do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), Fausto Varela Cançado, que ressalta: “No mundo, não há nada igual”.

E o resultado é que enquanto os demais países ainda buscam soluções ou estejam iniciando plantios, por aqui já há conversas avançadas. “Este é um tema urgente e estamos na dianteira. Enquanto alguns países falam no desenvolvimento e no plantio de florestas, o nosso já é realidade”, afirma.

Varela explica que a expertise brasileira vem de anos e em virtude da falta de carvão mineral de boa qualidade. A alternativa então foi o uso do carvão vegetal, o que agora tem se tornado um diferencial competitivo prestes a dar bons resultados.

“E não é supressão de floresta nativa. Hoje usamos 100% de carvão vegetal de floresta plantada. Eucalipto produzido com esse fim. Ou seja, já estamos inseridos nesse movimento sustentável e o nosso gusa se enquadra perfeitamente em todas as políticas de descarbonização do mundo”, defende.

Cerca de 75% do que se produz de ferro-gusa no Brasil sai de Minas Gerais. E do volume produzido no Estado, 55% vão para o exterior. Esses diferenciais podem aumentar não apenas os embarques do insumo, mas também a produção de uma forma geral.

Setor de ferro-gusa deve manter patamares

Mas enquanto esses resultados práticos não vêm, em Minas, o setor deve encerrar 2022 nos mesmos patamares do ano anterior em termos de produção. Segundo o dirigente, embora as previsões do início do exercício tivessem sido mais otimistas, o cenário esperado não se confirmou. Em 2021, as siderúrgicas mineiras somaram 4,07 milhões de toneladas de ferro-gusa. A expectativa era que a produção chegasse a 4,35 milhões.

“Houve recuo no consumo dos produtos para os quais fornecemos como aço e fundições. Reduziu em todo o mundo. Em função do desaquecimento econômico mundial e também da influência de outros fatores, inclusive políticos”, diz.

O desafio então está na adequação a esse mercado, em busca de equilíbrio entre oferta e demanda. Para se ter uma ideia, a utilização da capacidade da indústria de ferro-gusa no Estado está em torno de 70%. Com isso, muitas empresas e usinas têm antecipado manutenções programadas para em caso de aumento da demanda, já estarem preparadas e não precisarem parar a produção no ano que vem.

“Internamente, estamos em um momento de grandes movimentações e isso gera muita incerteza. Estamos acompanhando de perto para saber como vai ser e como deveremos nos adequar. Naturalmente, fortes mudanças acabam impactando a economia de forma geral”, comenta em relação ao futuro governo federal.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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