Minas acumula 409 MW à matriz elétrica, mas ritmo de expansão desacelera
Minas Gerais adicionou 409 megawatts (MW) de capacidade instalada à matriz de energia elétrica entre janeiro e abril de 2026, com a instalação de 9 novas usinas. Apesar do incremento, o Estado perde ritmo de expansão frente ao mesmo período de 2025, representando um recuo de 11,7%, quando acumulou 463 MW em 10 projetos
Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mesmo com o recuo, o resultado mantém Minas Gerais como o principal vetor de expansão na região Sudeste, concentrando mais de 90% do crescimento regional no período.
De acordo com o consultor de mercado de energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, os números mostram que a demanda já está apontando para uma desaceleração, o que pode impatar no crescimento de fontes, como a fotovoltaica.
“A geração de energia só ocorre quando há consumo, porque não temos capacidade de armazenamento em escala”, destaca.
Sem demanda suficiente para absorver toda a geração disponível, o consultor explica que intensificam-se processos, como o curtailment, com cortes controlados na produção. “Em outras palavras, reduzimos ou desligamos usinas para evitar gerar energia sem demanda. As vezes desperdiçamos uma Itaipú em um dia só no curtailment”, complementa.
Além do fortalecimento da economia para aumentar a demanda, especialmente da indústria, Pataca chama atenção para a necessidade de novos investimentos em energia renovável com armazenamento. Dentre as soluções apontadas estão a construção de hidrelétricas com reservatórios ou reversíveis, além do avanço para ampliar a utilização de fontes solares e eólicas com baterias.
Norte e Noroeste de Minas atraem novos projetos solares
Nos próximos meses, a expectativa é que Minas Gerais receba novos projetos de energia e incremente 270 MW até o fim do ano. Segundo o consultor, todos são de fonte solar e estão concentrados nas regiões Norte e Noroeste do Estado.
Ambas as regiões são impulsionadas por uma combinação de fatores difícil de replicar em outras partes do Sudeste. A irradiação solar nessas áreas figura entre as mais elevadas do Brasil, o que aumenta a produção por painel instalado e reduz o tempo de retorno do investimento.
Somado a isso, o custo da terra é considerado significativamente inferior à média estadual. A disponibilidade de áreas extensas e contínuas também facilita a implantação de parques de larga escala, reduzindo obstáculos comuns em regiões mais adensadas.
Entre janeiro e abril deste ano, mais de 50% da expansão da geração de energia ficou concentrada no Nordeste. O avanço foi impulsionado principalmente pela entrada de usinas solares na Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.
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