Expo Favela acelera empreendedorismo feminino em Minas Gerais
Os negócios liderados por mulheres estão entre os principais atores no desenvolvimento econômico das favelas em Minas Gerais. Além da importância econômica, o empreendedorismo feminino também gera benefícios no campo social, tirando muitas mulheres de situações de maior fragilidade.
Na edição deste ano da feira Expo Favela Minas, por exemplo, dos 60 empreendimentos presentes no evento, 80% são liderados por mulheres. Esse número é um reflexo do cenário observado no Estado. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), mais de 40% dos pequenos negócios mineiros são comandados por mulheres, totalizando cerca de 967 mil empreendimentos femininos.
Entre as expositoras no evento está a associação As Marias – Sabores e Saberes, formada por mulheres com foco na economia solidária. A idealizadora do projeto, Alessandra Navarro, explica que a iniciativa visa gerar impacto social por meio da gastronomia. “Uma mulher sozinha é uma pétala ao vento, mas juntas somos o buquê inteiro”, declara.
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Já a fundadora da marca de cosméticos naturais Rose Almeida, Rosangela Almeida, destaca que iniciativas como a Expo Favela geram maior visibilidade para as pequenas empresas de periferias e pequenas cidades. “É uma oportunidade que abriu não apenas para os grandes, mas também para os pequenos”, diz.

Ela lembra que criou a marca Rose Almeida durante um momento difícil de sua vida, marcado pela falta de oportunidades. A empreendedora encontrou nas plantas uma ideia de negócio focada no cuidado com a pele e com o cabelo que contribui para a elevação da autoestima de inúmeras mulheres clientes da empresa.
Vale ressaltar que um estudo realizado pelo Sebrae Minas demonstra que oito em cada dez empreendedoras mineiras têm o próprio negócio como sua principal fonte de renda.
Cursos profissionalizantes e educação financeira
Outra marca liderada por uma mulher presente no evento é a Preta Raiz Acessórios, voltada para a produção e comercialização de produtos que remetem à cultura afro-brasileira. A artesã e proprietária da marca, Emylle Carla, relata que seu projeto também envolve a realização de cursos voltados para mulheres em vulnerabilidade social e vítimas de violência doméstica.
“Eu tenho um projeto chamado ‘Liberta com as Mão’ para atender essas mulheres e fazer com que elas tenham renda, porque geralmente elas acabam ficando suscetíveis a relacionamentos abusivos por não terem um empreendimento”, explica.
A empresária ainda destaca a importância de iniciativas como a Expo Favela Minas 2026 para o empreendedorismo nas comunidades. Para ela, o evento contribui para os negócios periféricos de diferentes formas, como uma maior visibilidade e possibilidade de networking, além de mostrar todo potencial que a favela possui. “É um evento de oportunidades”, completa.
Além da força feminina nos negócios, o evento também conta com a presença de pessoas que buscam ampliar o alcance da educação financeira. Entre elas está o professor e fundador da Real Educação Financeira, Ítalo Soares, que desenvolveu o negócio após uma experiência negativa financeiramente, marcada pelo gasto excessivo.
“Eu peguei essa minha história e transformei em uma missão. Hoje eu levo palestras e ensinamentos às escolas e empresas de uma forma simples e que as pessoas possam entender”, diz.
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