Economia

Expo Favela Minas espera movimentar até R$ 6 milhões e destaca protagonismo feminino nos negócios

Evento reúne 60 empreendimentos, dos quais 80% são liderados por mulheres, e aposta em conexões comerciais, inovação e impacto social nas comunidades
Expo Favela Minas espera movimentar até R$ 6 milhões e destaca protagonismo feminino nos negócios
Foto: Alessandro Carvalho

A Expo Favela Minas 2026, realizada nesta sexta-feira (29) e sábado (30), reúne 60 negócios expositores, dos quais 80% são liderados por mulheres. A expectativa dos organizadores é que a edição deste ano movimente entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões em transações e conexões comerciais para os empreendedores participantes.

A presidente da Central Única das Favelas de Minas Gerais (Cufa-MG) e diretora do evento, Marciele Delduque, destaca a relevância da iniciativa não apenas para as favelas, mas também para o mercado como um todo. Segundo ela, o objetivo é capacitar os empreendedores participantes e contribuir para o crescimento dos negócios.

“A Expo é um ambiente preparado para que o empreendedor da favela possa se conectar às oportunidades que o asfalto oferece”, diz.

O diretor de Operações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), Marden Marcio Magalhães, afirma que a instituição, parceira do evento, busca promover o desenvolvimento e o empreendedorismo nas favelas. Segundo ele, o objetivo é fortalecer as atividades realizadas nas comunidades e incentivar a conexão com o restante da cidade.

“A Expo Favela é a grande cereja do bolo, o momento em que fortalecemos e celebramos todas essas conquistas”, completa.

Sobre as expectativas para o evento, Marciele Delduque destaca a qualidade dos projetos apresentados e o potencial de geração de negócios. “Estamos com projetos promissores e a expectativa de aceleração é alta, com o objetivo de alcançar entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões nesta edição”, afirma.

Esta será a quarta edição da feira. Magalhães destaca que a novidade deste ano será o chamado Desafio Comunidade, iniciativa que reunirá empreendedores de diferentes comunidades para apresentar soluções a problemas vivenciados no dia a dia das favelas.

“Estamos criando startups e modelos de negócio inovadores que têm o objetivo de transformar a realidade por meio do conhecimento, de soluções e de ferramentas que disponibilizaremos”, relata.

Para o vice-presidente de Regiões Comerciais e Shopping Centers da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Fernando Cardoso, eventos como a Expo Favela são fundamentais, uma vez que contribuem para o desenvolvimento de diversos negócios.

Ele também destaca as conexões criadas por iniciativas como essa, que reúnem empresas de diferentes segmentos, mas que enfrentam desafios semelhantes. “Eu acho que esse evento tem um poder transformador, pois estamos falando de pessoas que buscam protagonismo em contextos de vulnerabilidade”, avalia.

Cardoso também ressalta que os impactos sociais e econômicos da feira tendem a beneficiar toda a sociedade. Segundo ele, as favelas são ambientes marcados pela presença de pessoas criativas, empreendedoras e capazes de alcançar o sucesso em seus negócios.

Batalha de Tranças na Expo Favela

Trancista na Expo Favela Minas 2026.
Foto: Diário do Comércio / Giulia Simmons

Entre as atrações da edição deste ano da Expo Favela Minas está a Batalha de Tranças, realizada no âmbito do Troféu Trancista Referência, que busca valorizar o trabalho das profissionais trancistas no Estado. A empreendedora e idealizadora da competição, Aline Profeta, destaca que o troféu tem como objetivo elevar a autoestima das profissionais e valorizar a ancestralidade da atividade.

Além disso, segundo ela, esse tipo de iniciativa também contribui para ampliar a visibilidade do trabalho dessas profissionais. “A ideia do troféu é fazer com que essas profissionais ampliem sua rede de contatos, sejam vistas e tenham espaço e voz, porque trançar cabelo é uma arte ancestral e há espaço para todos”, declara.

Aline Profeta lembra que, no início de junho, completará um ano desde que a atividade de trancista foi reconhecida pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Até então, a prática era vista apenas como um trabalho esporádico, o chamado “bico”.

A empreendedora relata que essa profissão é a principal fonte de renda de muitas famílias e também uma ferramenta de independência financeira para diversas mulheres, contribuindo para que deixem relacionamentos abusivos e outras situações de vulnerabilidade. Ela também destaca que muitas dessas profissionais são mães solo.

“A arte de trançar, além de carregar ancestralidade, movimenta a economia. Eu sou prova disso: sou casada, tenho dois filhos e vivo de trança. É essa atividade que garante o sustento da minha família”, conclui.

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