Economia

Exportações de minério de ferro de Minas recuam por impacto da guerra no Oriente Médio

Baixa foi de 5,5% frente aos primeiros cinco meses de 2025, segundo Mdic; conflito foi uma das principais causas do recuo das vendas da commodity
Exportações de minério de ferro de Minas recuam por impacto da guerra no Oriente Médio
Conflitos na região afetaram embarques para Bahrein e Omã, que ocupam top 3 de destinos do produto | Foto: Reprodução Adobe Stock / Nasser Dine Bougatt

As exportações de minério de ferro de Minas Gerais recuaram 5,5% nos primeiros cinco meses de 2026 em relação a igual período de 2025, totalizando US$ 4,3 bilhões. Em maio, na mesma base de comparação, a redução foi de 21,7%, para US$ 752,7 milhões.

Os dados constam na plataforma Comex Stat, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic).

Segundo o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon, o resultado negativo no acumulado do ano decorreu, principalmente, da guerra no Oriente Médio. Os conflitos afetaram os embarques para Bahrein e Omã, que ocupam o top três de destinos da commodity produzida no Estado e, juntos, concentraram 67,5% de todas as quedas observadas.

Contribuindo para que a queda geral não fosse maior, as vendas de minério de ferro para a China, principal cliente de Minas Gerais, aumentaram 2,6% entre janeiro e maio deste ano, ante o mesmo intervalo do ano passado. Da mesma forma, houve alta nas compras de países importantes como Índia, de 492%, Turquia, de 107%, e Japão, de 27%.

Por outro lado, em maio, as exportações para os chineses caíram 18,9% sobre o mesmo período do ano anterior. “Esse é um momento em que a China está com uma produção de aço menor, com o mercado imobiliário pressionado. Vínhamos falando desde o ano passado sobre a desaceleração do crescimento da economia chinesa, que é basicamente o que domina os fatores para as altas ou baixas do preço do minério de ferro”, explica Ramon.

Expectativa para os próximos meses

Conforme o analista da Fiemg, é preciso ficar atento aos movimentos do gigante asiático, além de observar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Em maio, o Bahrein não recebeu embarques, assim como não havia recebido em abril. No entanto, Omã voltou a importar minério de ferro de Minas Gerais após dois meses sem compras. De acordo com ele, esse movimento pode ter relação com a diminuição dos conflitos, porém não dá para afirmar que continuará ocorrendo nos próximos meses.

“Estamos há um longo tempo tendo vários cessar-fogo anunciados, mas, na prática, alguns bombardeios seguem acontecendo. O que ocorreu nesse período foi que um pouco do susto do conflito passou e o próprio Irã começou a liberar navios de entrarem. Estavam sendo cobrados altos prêmios de risco pelas mercadorias, mas elas estavam entrando e saindo com um pouco mais de frequência”, ressalta.

Ramon pontua que Omã voltou a receber minério de ferro do Estado em razão dessa flexibilização e da liberação do Estreito de Ormuz. Contudo, o especialista pondera que não é possível dizer se isso será mantido e por quanto tempo. “De início muitos previam que seria um conflito breve, mas já estamos vendo que essa hipótese foi rechaçada”, salienta.

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