Economia

Balança comercial: Minas perde mais de um quarto do superávit em maio

Superávit encolheu 27% em maio na comparação anual, com recuo nas vendas de minério de ferro e café e alta nas importações
Balança comercial: Minas perde mais de um quarto do superávit em maio
Um dos principais fatores para a redução no saldo da balança comercial de Minas Gerais em maio foi o embarque de minério de ferro, que registrou uma queda de 22% | Foto: Divulgação Vale

Minas Gerais encerrou o mês de maio com saldo de US$ 1,9 bilhão na balança comercial. Embora positivo, o Estado perdeu 27% do superávit na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando atingiu US$ 2,6 bilhões. Os dados são da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A diminuição ocorreu porque as exportações caíram (de US$ 4,0 bilhões para US$ 3,5 bilhões) e as importações aumentaram (de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,6 bilhão), comprimindo o saldo comercial. Um dos motivos é a queda nas exportações de minério de ferro (-22%) e café (-34%).

A China permanece como o principal destino das exportações mineiras, absorvendo US$ 1,3 bilhão, mais de um terço do total embarcado, embora também tenha registrado redução de 16%. Canadá e Reino Unido chamam atenção pelo crescimento expressivo (55% e 62%), ainda que em volumes menores.

No campo das importações, o destaque vai para bens de capital e consumo duráveis, como a expansão de 220% em caminhões de carga e 125% em automóveis. A China lidera também as origens das importações, com US$ 470 milhões e alta de 26%, seguida pelos Estados Unidos, que recuaram 14%. Argentina e Alemanha avançaram 29% e 65% respectivamente.

De acordo com o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon, os resultados demandam atenção, já que as exportações caíram acima da média brasileira. Entretanto, o analista detalha algumas particularidades de mercados distintos.

O ouro, por exemplo, segue em alta, com aumento de 57% em relação ao ano passado, mas teve uma queda em relação ao último mês. “Já tinha dois meses que vínhamos batendo recorde histórico nas vendas de ouro, então é natural abaixar um pouco agora. Mesmo assim, ainda está 57% maior que do mesmo período do ano passado”, ressalta Ramon.

O analista também chama atenção para o peso dos veículos no aumento das importações em maio. Os envios da China para o Brasil saltaram de US$ 2,4 milhões em maio de 2025 para US$ 60 milhões no último mês.

“É uma grande concorrência para o nosso parque industrial. O avanço pode ser explicado pela antecipação dos envios de veículos, já que, a partir de julho, está previsto que o imposto de importação para veículos híbridos alcance 35%”, detalha Ramon.

No acumulado de janeiro a maio de 2026, Minas Gerais registrou superávit de US$ 10 bilhões na balança comercial, queda de 9,9% em relação a igual intervalo do ano passado.

Exportadores buscam aliados nos EUA para barrar tarifaço

O setor exportador mineiro acompanha com apreensão o avanço das tarifas norte-americanas, cujo principal alvo no Estado é o ferro-gusa. O produto, que já era taxado em 10%, passaria a receber uma alíquota total de 35%, um salto que preocupa as siderúrgicas e mineradoras com contratos ativos no mercado norte-americano.

Também entrariam na lista de produtos afetados máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, joias e bijuterias, e alimentos processados. Em compensação, alguns dos itens mais relevantes da pauta mineira ficaram de fora: café, silício, ferro-nióbio, carnes e celulose seguiriam isentos, o que representa um alívio parcial para o agronegócio.

Para Ramon, a melhor estratégia é pressionar os próprios importadores americanos para que pleiteiem junto ao governo de Donald Trump a suspensão ou redução das tarifas. “É uma prática comum nesses processos, em que o comprador comprova dependência do produto estrangeiro sem substituto doméstico equivalente”, argumenta.

Retomada parcial no Oriente Médio

No Oriente Médio, o cenário é de recuperação parcial. O analista pontua que as exportações mineiras de minério de ferro para Omã foram retomadas e já atingiram patamar semelhante ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, os envios para o Irã seguem paralisados. O país, epicentro dos conflitos na região, permanece fora das negociações com as operações ainda paralisadas sem previsão de retomada.

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