Economia

Ferro-gusa será o produto mais impactado em Minas com a nova tarifa proposta pelos EUA; veja outros itens afetados

Produto responde por US$ 1 bilhão das exportações mineiras aos americanos e já sofre cobrança de 10% desde 2025
Ferro-gusa será o produto mais impactado em Minas com a nova tarifa proposta pelos EUA; veja outros itens afetados
O ferro-gusa é a matéria-prima da siderurgia. Ele é obtido a partir da redução do minério de ferro em altos-fornos. | Foto: Reprodução/ Adobe Stock

Já prejudicada pela taxação de 10% imposta por Donald Trump em 2025, a indústria mineira de ferro-gusa será a maior afetada se uma nova tarifa estadunidense de 25% sobre produtos brasileiros for confirmada. Essencial para alimentar a siderurgia, o gusa é o segundo item mais exportado por Minas Gerais para os Estados Unidos, atrás apenas do café. Se a nova cobrança vingar, o ferro-gusa será taxado em 35%. Além dele, outros itens, como máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, alimentos processados, joias e bijuterias, também estariam na mesma situação.

ProdutoValor ExportadoParticipação nas ExportaçõesTarifação
CaféUSD 1,6 bilhão37,0%Atualmente isento de tarifas
Ferro-gusaUSD 1,0 bilhão24,0%Taxado em 10% (com possibilidade de +25%, somando 35%)
Ferroligas (principalmente ferronióbio)USD 237 milhões5,5%Atualmente isento de tarifas
Transformadores / Conversores elétricosUSD 178 milhões4,0%Taxado em 10% (com possibilidade de +25%, somando 35%)
Silício metálicoUSD 110 milhões2,6%Taxado em 10% (isento do adicional de 25%)

Fonte: Fiemg

“O maior impacto é sobre o ferro-gusa, sem sombra de dúvidas. Minas é o maior produtor de ferro-gusa do País e a gente alimenta o mercado interno, mas mais da metade vai para os Estados Unidos. O ferro-gusa é o segundo produto que a gente mais exporta e já estava tarifado com 10%. Agora, ficaria com 35%. É um impacto muito grande para a indústria. E os impactos já têm acontecido: como o setor não ficou isento desde a primeira vez, os próprios compradores de ferro-gusa diminuíram as compras e isso já gerou paralisação de produção. Então, esse é um setor que está bastante preocupado”, afirma o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Felipe Ramon.

Leia mais: Novo tarifaço dos EUA preocupa indústria mineira; empresários apostam no diálogo

Mais cedo, a entidade já havia se posicionado sobre o tema. Em nota, a Fiemg aponta que, se for aplicada, a medida “tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, ampliar o ambiente de incerteza para as empresas exportadoras e afetar investimentos, empregos e negócios ligados ao comércio exterior”.

Ramon completa que a relação comercial entre os produtores de ferro-gusa de Minas e os Estados Unidos é de grande dependência. Segundo ele, as indústrias daqui têm contratos antigos com os compradores de lá, o que dificulta ou inviabiliza a transferência da produção para outros mercados.

“Na prática, essa nova tarifa significa menos produção, pois os produtores (de Minas) são completamente dependentes. Esse ferro vai para os Estados Unidos para alimentar as siderúrgicas de lá. São contratos de muitos anos, e não podem apenas enviar para outros lugares”, diz.

EUA foram o segundo maior mercado das exportações de Minas em 2025

  • China – US$ 16,06 bilhões;
  • Estados Unidos – US$ 4,29 bilhões;
  • Alemanha – US$ 1,99 bilhão;
  • Argentina – US$ 1,94 bilhão;
  • Canadá – US$ 1,84 bilhão.

Fonte: Sede

“Em 2025, os Estados Unidos foram o segundo maior importador de produtos mineiros do mundo. O país foi responsável por 9,36% do total de exportações de Minas Gerais no período”, afirma a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), em nota.

Outros produtos taxados

Além do ferro-gusa, outros itens relevantes da pauta de exportação mineira também sofrerão impactos. “São produtos que têm uma participação menor na pauta (se comparados com o ferro-gusa), mas que são muito relevantes”, completa Ramon. É o caso de produtos como máquinas e equipamentos, dispositivos elétricos, joias e bijuterias e alimentos processados, que também podem chegar a 35%, já que já estão taxados em 10% atualmente.

“A maioria são produtos manufaturados, como máquinas e equipamentos elétricos, ouprodutos alimentícios que estejam ali em um nível um pouco mais processado, como o pão de queijo. As joias, também. Se a gente pega a exportação de joias para os Estados Unidos e vê o percentual disso na nossa pauta, é um valor muito pequeno, mas o setor de joias é altamente dependente do mercado dos Estados Unidos. Então, desde o início do tarifaço eles estão sofrendo bastante porque são empresas pequenas”, declara.

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