Faturamento da indústria de Minas recua 1,1% e tem terceira queda seguida

Apesar da retração de 1,1% no faturamento em julho, emprego e horas trabalhadas avançaram; indústria extrativa cresce 6,9% no acumulado do ano
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Faturamento da indústria de Minas recua 1,1% e tem terceira queda seguida
Foto: Reprodução Adobe Stock

O faturamento da indústria mineira recuou 1,1% em julho na comparação com junho e registrou a terceira queda mensal consecutiva. A retração refletiu a redução dos pedidos em carteira nas indústrias extrativa e de transformação. Apesar da queda, outros indicadores apresentaram desempenho positivo, sinalizando um ritmo mais moderado da atividade industrial, conforme a Pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) nesta quinta-feira (3).

De acordo com a pesquisa, as horas trabalhadas na produção ficaram relativamente estáveis em julho, com avanço de 0,1% na comparação mensal. Em relação ao mesmo mês do ano passado, porém, houve alta de 4,3%. No acumulado de 2026, o indicador cresceu 1,8%.

Já a utilização da capacidade instalada diminuiu de 82,9% em junho para 81% em julho. No acumulado do ano, o indicador está em 81,5%. “A indústria vem operando na faixa de 80% há alguns meses. Isso mostra que ela opera com capacidade ociosa e tem capacidade de expandir”, avalia o analista de pesquisas econômicas da Fiemg Arthur Augusto Dias.

No mercado de trabalho, o emprego industrial avançou 0,8% entre junho e julho, influenciado, segundo Dias, por ajustes no quadro de funcionários das empresas da indústria de transformação. No acumulado do ano, a alta é de 2,3%.

A massa salarial real cresceu 0,2% no mês, em função do pagamento de reajustes salariais e de participações nos lucros e resultados, segundo Dias. Já o rendimento médio real caiu 0,4% na comparação mensal e 1,8% na anual.

Na avaliação do especialista da Fiemg, a retração do faturamento em julho, somada às quedas observadas nos dois meses anteriores, reforça os sinais de perda de ritmo da indústria mineira. No acumulado do ano, o faturamento registra avanço de 0,5%, ante alta de 1,2% acumulada até junho.

Indústria de transformação perde força

Esse resultado reflete, segundo Dias, desempenhos distintos entre os segmentos industriais. A indústria de transformação, mais dependente do ciclo econômico, acumula leve queda de 0,1% no ano, enquanto a indústria extrativa registra crescimento de 6,9% no mesmo período.

“A gente percebe sinais de desaceleração da indústria mineira, principalmente na indústria de transformação, que é mais dependente do ciclo econômico. No acumulado do ano, ela praticamente não cresceu, em função do cenário econômico e da taxa de juros elevada. Já a indústria extrativa tem uma dinâmica peculiar, principalmente em Minas Gerais. A mineração é muito voltada para a exportação e, portanto, mais dependente da demanda externa. Isso faz com que ela não acompanhe tanto o que acontece no mercado doméstico”, detalha.

Juros e endividamento pressionam atividade

Dias destaca que fatores internos e externos ajudam a explicar a perda de ritmo da atividade industrial. No cenário doméstico, a desaceleração gradual da economia ocorre em um ambiente marcado pelo elevado endividamento das famílias e por condições financeiras restritivas, que limitam a expansão do consumo e do crédito.

“Como as famílias estão muito endividadas, uma parcela menor da renda fica disponível para o consumo. Os dados recém-divulgados mostram uma leve queda no consumo das famílias. Isso é muito relevante porque, pela ótica da demanda, o consumo das famílias corresponde a 60% a 70% do PIB. Portanto, quando o consumo desacelera, a economia como um todo também tende a desacelerar”, explica.

Dias acrescenta que a inflação permanece acima da meta e que as expectativas seguem desancoradas em horizontes mais longos, cenário que, segundo ele, tende a manter a política monetária restritiva por mais tempo. As preocupações com a sustentabilidade das contas públicas e as incertezas associadas ao período eleitoral também pressionam o ambiente de negócios.

No cenário externo, Dias afirma que as tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam pressionando os custos de produção, embora os efeitos sobre os preços dos combustíveis tenham sido parcialmente mitigados por subsídios à gasolina e ao diesel. “Além disso, a nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia os desafios para a indústria e reforça a necessidade de buscar alternativas comerciais”, diz.

Diante desse cenário, Dias projeta um crescimento mais moderado da indústria mineira nos próximos meses de 2026.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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