Faturamento da indústria mineira cai 2,2% em maio após três meses de alta
O faturamento real da indústria mineira recuou 2,2% em maio na comparação com abril, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de crescimento. Apesar da queda na receita, os demais indicadores do setor apresentaram desempenho positivo, apontando para um ritmo moderado de atividade, conforme a Pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) nesta terça-feira (7).
As horas trabalhadas na produção cresceram 1,5%, registrando o quarto avanço mensal consecutivo. A utilização da capacidade instalada passou de 80,2% para 82,2%, um aumento de dois pontos percentuais. Já o emprego industrial avançou 0,6% em relação ao mês anterior.
De acordo com o economista da Fiemg Arthur Augusto Dias, a retração do faturamento foi influenciada pela redução dos pedidos nas indústrias extrativa e de transformação. “O faturamento interrompeu uma sequência de crescimento observada entre fevereiro e abril. Apesar disso, os demais indicadores seguem positivos, mostrando que a atividade industrial continua aquecida em alguns aspectos”, explicou.
No mercado de trabalho, o emprego industrial avançou 0,6%, impulsionado por ajustes no quadro de funcionários das indústrias de transformação, além do pagamento de horas extras e gratificações, conforme explicou Dias. A massa salarial real cresceu 1,2% no mês, enquanto o rendimento médio real aumentou 0,6%.
Ritmo moderado de crescimento
Apesar do recuo do faturamento na comparação mensal, o avanço das horas trabalhadas na produção, da utilização da capacidade instalada e do emprego indica, segundo Dias, a manutenção de um ritmo moderado de crescimento da atividade industrial.
Na comparação com maio de 2025, o faturamento cresceu 0,3%, as horas trabalhadas na produção avançaram 4,5% e o emprego aumentou 3%. No acumulado do ano, os indicadores também apontam expansão da indústria mineira, mesmo em um ambiente marcado por condições financeiras restritivas e pelo aumento das incertezas nos cenários doméstico e internacional. Nesse período, o faturamento acumula alta de 0,2%, o emprego de 1,7% e as horas trabalhadas de 2,1%.
Apesar disso, Dias pondera que ainda não é possível falar em uma retomada mais consistente da indústria mineira. “A alta de 0,2% no acumulado ainda é modesta. O faturamento é um indicador mais próximo do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria e revela uma expansão bastante moderada. A economia brasileira apresentou um desempenho um pouco melhor no início do ano, mas, quando observamos especificamente a indústria mineira, vemos um crescimento ainda muito contido”, afirmou.
Para os próximos meses, a expectativa da Fiemg permanece de crescimento moderado. Segundo o economista, o principal fator de preocupação continua sendo o ambiente macroeconômico.
Juros altos continuam pressionando as famílias
Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic deve permanecer em patamar elevado por mais tempo devido à inflação ainda acima da meta e às expectativas inflacionárias persistentes. Na avaliação de Dias, esse cenário continua pressionando o consumo das famílias.
“O elevado nível de endividamento reduz a renda disponível para consumo. Quanto maior o gasto das famílias com pagamento de empréstimos e juros, menor tende a ser a demanda por bens, o que acaba afetando a atividade industrial”, destacou.
No cenário internacional, o economista observa que a redução das tensões no Oriente Médio contribuiu para a queda dos preços internacionais do petróleo, fator positivo para a indústria por reduzir custos de transporte e logística. No entanto, ressalta que o equilíbrio na região ainda é frágil.
Outro ponto que preocupa o economista da Fiemg é o aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, uma eventual ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros pode atingir especialmente a indústria siderúrgica mineira, sobretudo empresas localizadas na região de Sete Lagoas, que têm forte participação nas exportações para o mercado norte-americano. “Uma elevação adicional das tarifas pode comprometer a competitividade dessas empresas e até provocar paralisações em alguns segmentos”, pontuou.
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