Faturamento da indústria mineira avança 1,4% no primeiro semestre
O faturamento da indústria mineira encerrou o primeiro semestre com alta de 1,4%, mesmo diante de um cenário econômico considerado desafiador. De acordo com a Pesquisa Indicadores Industriais de junho, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o faturamento do setor recuou 1,1% no mês em relação a maio, registrando a segunda queda consecutiva do indicador.
De acordo com o analista de pesquisas econômicas da Fiemg, Arthur Augusto Dias, o recuo mensal foi influenciado pela redução dos pedidos em carteira e pelo adiamento de vendas em empresas da indústria de transformação.
No entanto, quando observados os dados do semestre, a alta foi, de certa forma, “surpreendente”. Dias avalia que a desaceleração de 2025 criou a expectativa de continuidade desse cenário em 2026 ou de estabilidade. “Só que a indústria surpreendeu e conseguiu manter um crescimento moderado, mantendo um nível de crescimento”, avalia.
Ele atribuiu esse movimento às ações governamentais de estímulo fiscal e na área de crédito, algumas já em vigor e outras prestes a entrar, e à continuidade da força do mercado de trabalho. “O mercado de trabalho está com mínimas históricas, está muito aquecido. Isso é muito relevante porque com as pessoas empregadas, aumenta a massa salarial, que aumenta o consumo”, pontua.
De acordo com Dias, os números do próprio relatório refletem esse cenário. Os três indicadores referentes ao mercado de trabalho apresentaram as variações mais expressivas. “O emprego industrial mostrou avanço de 2,1%, a massa salarial real aumentou incríveis 5,4% no semestre, e o rendimento médio real, 3,2%”, destacou.
Ele ressalta que, mesmo com taxas de juros elevadas, conflito no Oriente Médio e um cenário de incertezas, o mercado de trabalho está sustentando o consumo das famílias. “Quando a gente olha o PIB, sob a ótica da demanda, o consumo das famílias responde por 70%. Então, se as famílias estão consumindo, então a economia continua forte”, afirma.
Na avaliação do especialista, enquanto o consumo permanecer em alta, a economia poderá manter um crescimento, ainda que moderado. “Se o consumo das famílias cair, a economia tende a desacelerar”, afirma.
Horas trabalhadas na produção também aumentam
Ainda de acordo com os dados do relatório, as horas trabalhadas na produção cresceram 2,2% no primeiro semestre, refletindo o aumento da contratação de pessoal. Na mesma linha, a utilização da capacidade instalada avançou de 80,6%, em 2025, para 81,2%, em 2026.
Já na comparação mensal, as horas trabalhadas na produção cresceram 0,4%, registrando o quinto resultado positivo consecutivo, movimento associado ao aumento da contratação de pessoal.
Em sentido oposto, a utilização da capacidade instalada recuou de 82,4% em maio para 81,2% em junho.
Apesar da retração do faturamento em junho, o analista de pesquisas econômicas da Fiemg destaca que a indústria mineira encerrou o primeiro semestre com variações positivas em todos os indicadores no acumulado do ano. “Esse desempenho evidencia a capacidade de sustentação da atividade industrial, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso, marcado por desafios tanto no cenário doméstico quanto no externo”, diz.
No contexto interno, embora o Banco Central tenha mantido o ciclo de redução da taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária ressaltou que a inflação permanece acima da meta e que as expectativas seguem desancoradas em horizontes mais longos, indicando que as condições financeiras deverão permanecer restritivas por mais tempo.
Somam-se a esse cenário as preocupações com a sustentabilidade das contas públicas, que, conforme Dias, representam outro fator de pressão sobre o ambiente de negócios.
No cenário externo, o recrudescimento do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar os custos de produção. Dias lembra ainda que a nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros amplia os desafios para a indústria e reforça a necessidade de buscar alternativas comerciais.
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