Economia

Fiemg defende cautela em discussão sobre escala 6×1

Presidente em exercício da Fiemg, Bruno Melo Lima defende que o diálogo sobre a pauta precisa ser “mais fluido, pensado e compartilhado”
Fiemg defende cautela em discussão sobre escala 6×1
Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

O avanço das discussões sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 são vistos com cautela pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Para a entidade, embora a discussão seja necessária, este não é o momento ideal. “Entendemos que este não é o momento para discutir esse assunto. É um momento pré-eleitoral e o tema pode tomar um cunho político em vez de tomar um cunho prático. É necessário conversar, mas é preciso também que haja uma convergência de interesses”, afirmou o presidente em exercício da Fiemg, Bruno Melo Lima, à imprensa na quinta-feira (21), durante evento em comemoração ao Dia da Indústria, promovido pela entidade no Minascentro.

No entendimento da Fiemg, conforme Lima, o diálogo precisa ser “mais fluido, pensado e compartilhado”. Ele salientou que o setor industrial é complexo, portanto, alguns segmentos poderiam absorver novas dinâmicas de jornada, enquanto outros não seriam capazes.

Na quinta (21), em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) sobre o fim da escala 6×1 e os impactos na vida do trabalhador, ministros e integrantes da comissão especial que analisa o tema na Câmara dos Deputados garantiram que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 deverá ser votada até a próxima semana.

O relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), adiantou que entregará o texto na segunda-feira (25), e o autor da proposta, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), assegurou que há acordo para a votação. “Nós fizemos acordo: redução para 40 horas, dois dias de descanso sem redução do salário e valorização da convenção coletiva, porque eu tenho certeza que nós vamos empoderar os sindicatos”, disse Lopes.

Desaceleração

Na avaliação do presidente em exercício da Fiemg, a indústria nacional enfrenta um cenário de extrema complexidade. Segundo ele, há uma combinação de fatores que afetam o ambiente empresarial e o bom funcionamento do setor.

Lima ressaltou que, além da discussão sobre o fim da escala 6×1, há problemas relacionados, por exemplo, aos juros altos. Ele pontuou que a taxa em patamares elevados sufoca a indústria e trava investimentos, impactando a geração de empregos e de riqueza.

O presidente em exercício da federação também mostrou preocupação com os resultados da indústria mineira. Para o executivo, a persistir todos os entraves, o crescimento que foi observado no ano passado deve desacelerar em 2026.

Conforme ele, as tensões comerciais e geopolíticas também impactam o setor no Estado. De acordo com Lima, Minas Gerais enfrenta um déficit de energia elétrica nos horários de pico que é coberto por termelétricas a carvão mineral, insumo que é importado, ou seja, quando seu preço aumenta, o setor sofre as consequências. “Tem ainda a questão dos fertilizantes que a grande maioria é importada e afeta a indústria; também as autopeças; agora a ‘taxa das blusinhas’ que vai interferir tremendamente e diminuir a produção do Estado”, salientou. “Os pequenos e médios empresários vão encontrar muita dificuldade em conviver com essa situação”, acrescentou.

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