Economia

Preço de imóveis dispara em bairros periféricos de BH e sobe até 85% em um ano; veja onde valorizou mais

Levantamento aponta avanço dos preços em bairros periféricos, enquanto regiões tradicionais da capital mineira registram queda no valor médio dos imóveis
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Preço de imóveis dispara em bairros periféricos de BH e sobe até 85% em um ano; veja onde valorizou mais
Foto: Reprodução Adobe Stock

Os preços dos imóveis anunciados para venda em Belo Horizonte seguiram em alta no primeiro semestre de 2026, mas em um movimento diferente dos anos anteriores. Agora, o foco dos aumentos intensos está nos bairros periféricos e de médio porte, com o Conjunto Celso Machado, liderando a valorização – a região Noroeste teve um aumento de 85% no preço médio dos imóveis quando comparado ao mesmo período do ano passado. As informações são de um levantamento da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros voltados para o mercado imobiliário.

Depois do Conjunto Celso Machado, aparecem Engenho Nogueira, na Pampulha, com valorização de 41,4%; Cardoso, no Barreiro, com alta de 40,5%; e Juliana, na região Norte, onde os preços pedidos cresceram 39,7%. Em todos os casos, o avanço supera com folga a média observada em regiões mais consolidadas da cidade.

No Conjunto Celso Machado, o tíquete médio dos imóveis anunciados passou de R$ 711,3 mil para R$ 1,316 milhão entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período deste ano. No Engenho Nogueira, o valor médio subiu de R$ 622,2 mil para R$ 880 mil. Já no Cardoso, os imóveis passaram de R$ 396,6 mil para R$ 557,4 mil, enquanto, no Juliana, o preço médio avançou de R$ 257,6 mil para R$ 360 mil.

Outros bairros também registraram valorização superior a 30% no período analisado. É o caso de Braunas (38,8%), Canaã (36,6%), Camargos (34,8%), Palmares (33,4%), Bandeirantes (33,4%) e São Luiz (32,2%). Entre eles, Braunas e Bandeirantes se destacam por aliarem forte valorização a imóveis com tíquete médio superior a R$ 2 milhões.

Segundo o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, o comportamento do mercado mostra que a valorização não ocorre de forma homogênea na Capital. “Belo Horizonte apresenta uma valorização generalizada, mas com dinâmicas bastante distintas entre regiões. Bairros periféricos e de médio porte lideram as altas, enquanto algumas regiões tradicionais e de alto padrão registraram acomodação ou queda nos preços pedidos”, avalia.

Bairros tradicionais registram retração

Enquanto parte da cidade acumulou fortes altas, alguns bairros registraram queda no preço médio dos imóveis anunciados. O maior recuo foi observado no Minas Caixa, onde o tíquete médio caiu 30,6%, passando de R$ 1,18 milhão para R$ 824,6 mil. Em seguida aparecem Floresta (-30,5%), Santo André (-30,1%), Lagoinha (-24,7%) e Europa (-20,6%). O Mangabeiras, um dos bairros mais valorizados de BH, também entrou na lista, com retração de 14,1% e tíquete médio de R$ 4,66 milhões.

De acordo com Takahashi, o movimento é esperado em regiões onde os imóveis já atingiram valores elevados após ciclos anteriores de valorização. “Em bairros que já apresentam tíquetes elevados, a acomodação de preços é natural após ciclos de valorização intensa. O movimento em BH segue o padrão observado em outras capitais: regiões com mais espaço de crescimento valorizam mais, enquanto as já consolidadas tendem à estabilidade ou leve queda”, observa.

Buritis concentra maior oferta de imóveis

O estudo também aponta que o Buritis permanece como o bairro com maior número de imóveis anunciados para venda em Belo Horizonte, com 3,8 mil ofertas ativas no primeiro semestre de 2026. Na sequência aparecem Lourdes, com 2,6 mil anúncios, e Serra, com 2,5 mil.

Entre os bairros com maior volume de imóveis disponíveis, Santa Amélia apresentou a maior valorização, de 26,1%. Já Lourdes (+17,8%) e Savassi (+12,9%) combinaram aumento nos preços com tíquetes médios superiores a R$ 1,8 milhão.

Para elaborar o levantamento, a Loft analisou mais de 77 mil anúncios residenciais ativos nas principais plataformas digitais de Belo Horizonte, comparando os preços pedidos no primeiro semestre de 2025 com o mesmo período de 2026. Foram considerados apenas bairros com pelo menos 50 anúncios ativos e excluídos aqueles em que houve mudanças significativas no tamanho médio dos imóveis ofertados, para evitar distorções nos resultados.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG, pós-graduanda em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

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