Inadimplência do aluguel em Minas Gerais atinge maior nível de 2026
A inadimplência do aluguel residencial em Minas Gerais voltou a subir em maio, registrando a segunda alta consecutiva após atingir, em março, um dos menores níveis recentes da série monitorada pelo Índice de Inadimplência de Aluguéis (IIA), da Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros para imobiliárias.
Conforme o indicador, 6,7% dos contratos de locação apresentaram atrasos superiores a 15 dias em maio, acima dos 6,5% registrados em abril e dos 6,2% observados em março. O Estado segue com a maior taxa de inadimplência entre os monitorados pela Loft.
Ainda segundo o levantamento, o percentual de pendências com aluguel no Estado é o maior já registrado nos primeiros cinco meses de 2026. (Veja gráfico abaixo.)

Segundo o gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, apesar de a inadimplência ter voltado a subir nos últimos dois meses, os aumentos ainda são relativamente pequenos. “Mesmo assim, Minas continua destoando do restante do País, com um patamar persistentemente mais elevado”, afirma.
Takahashi também afirma que há expectativa de melhora gradual da renda e de renegociação das dívidas das famílias, impulsionadas por programas federais como o Desenrola e pela resiliência do mercado de trabalho.
Ele acrescenta ainda que fatores como inflação mais controlada e reajustes salariais ajudam a evitar um avanço mais acentuado da inadimplência, apesar do cenário de juros elevados.
Minas Gerais segue acima da média nacional
Enquanto Minas Gerais registrou inadimplência de 6,7% em maio, a média nacional ficou em 5,8%. No Sudeste, o índice alcançou 5,9%.
Entre os estados monitorados, os índices de maio foram:
- Minas Gerais: 6,7%
- São Paulo: 6%
- Rio Grande do Sul: 5,9%
- Santa Catarina: 5,5%
- Paraná: 5,1%
- Espírito Santo: 4,7%
- Rio de Janeiro: 4,3%
O pico da inadimplência em Minas ocorreu em julho de 2024, quando o índice atingiu 8%. Apesar da melhora em relação àquele período, o Estado continua liderando o ranking nacional.
Setor imobiliário aponta fatores econômicos para aumento da inadimplência em Minas Gerais
Para o vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Sindimóveis/MG), Leandro Chaves, fatores econômicos e sociais ajudam a explicar esse cenário de alta inadimplência entre os inquilinos mineiros.
“Desde a pandemia, os custos de materiais e de mão de obra da construção civil subiram muito, aliados ao alto custo dos terrenos. A alta da Selic e o aumento do custo do financiamento completam essa equação. Isso fez com que a compra do imóvel se tornasse distante para muitas famílias, empurrando-as para o aluguel”, afirma. Segundo ele, esse movimento pressionou a alta dos valores.
Chaves também explica que o alto endividamento das famílias contribui para que as pendências atinjam o setor habitacional. “BH ainda tem um agravante, que é um plano diretor que engessa novos empreendimentos e onera ainda mais os custos, contribuindo novamente para o aumento dos preços e levando mais famílias à inadimplência”, diz.
Inadimplência em despesas essenciais acende alerta para a capacidade financeira das famílias
Para o economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do Centro Universitário UniBH, Fernando Sette, o avanço da inadimplência no aluguel em Minas Gerais tende a funcionar como um sinal de alerta sobre a capacidade financeira das famílias mineiras.
“Quando despesas essenciais começam a registrar atrasos mais frequentes, isso normalmente indica um orçamento doméstico pressionado e menor margem para consumo. O impacto econômico aparece principalmente na desaceleração do comércio e dos serviços, já que famílias mais endividadas passam a priorizar gastos básicos e reduzem o consumo discricionário”, analisa.
Segundo Sette, em Minas, esse efeito pode ser relevante porque boa parte da economia estadual depende justamente da dinâmica do consumo urbano e do setor de serviços. “Além disso, a permanência dos juros em níveis elevados mantém o crédito caro, dificultando a reorganização financeira e a renegociação de dívidas”, completa.
O especialista também reforça que a tendência é de aumento da cautela e de maior seletividade nas locações por parte do mercado imobiliário. “Proprietários e imobiliárias tendem a endurecer critérios de aprovação, ampliar exigências de garantia e elevar a análise de risco dos inquilinos. Isso pode dificultar o acesso à moradia formal para famílias de renda intermediária e baixa”, alerta.
Outro ponto importante, segundo o professor, é que a inflação continua pressionando itens essenciais. “Os dados divulgados hoje do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) mostraram aceleração acima das expectativas do mercado, especialmente nos grupos de alimentação e habitação, que são justamente os que mais impactam o orçamento das famílias. Isso significa que, embora a inflação esteja distante dos picos recentes, o custo de vida segue elevado e reduz a capacidade de pagamento do aluguel, o que pode manter a inadimplência em patamar elevado nos próximos meses”, conclui.
Como o Índice de Inadimplência de Aluguéis é desenvolvido
O Índice de Inadimplência de Aluguéis (IIA) é um indicador mensal desenvolvido pela Loft para acompanhar a proporção de contratos de locação residencial com atraso superior a 15 dias.
O levantamento considera 500 mil contratos ativos de Fiança Aluguel sob gestão da companhia. A metodologia prevê uma janela de três meses para que a imobiliária responsável pelo contrato informe à Loft sobre o atraso.
A amostra abrange todas as regiões do País e um conjunto diversificado de imóveis, desde estúdios compactos até unidades familiares e casas de alto padrão.
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