Indústria e comércio foram os mais afetados com a greve dos caminhoneiros

20 de julho de 2018 às 0h00

Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre) apontou que os setores mais prejudicados pela greve dos caminhoneiros ocorrida em maio foram o comércio e a indústria, seguidos por serviços e construção. Na indústria, as áreas de máquinas e equipamentos, veículos automotores, reboques e carrocerias e outros equipamentos de transporte tiveram suas atividades 100% impactadas.. Em Minas Gerais não foi diferente. Conforme divulgado no decorrer de junho e ainda em julho, a paralisação de onze dias afetou a atividade econômica como um todo, mas o efeito prolongado deve ser percebido mais fortemente pela indústria também nos próximos meses. Logo no fim da greve, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estimou perdas de R$ 2,47 bilhões e agora destaca a crise de confiança na economia mineira gerada pelos desdobramentos do movimento realizado pelos caminhoneiros na última semana de maio em todo o País. Assim como em âmbito nacional, os segmentos de máquinas e equipamentos e automotivo apareceram entre os principais prejudicados no parque produtivo do Estado. Para se ter uma ideia, somente em maio, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) – regional Minas Gerais, o faturamento do setor caiu 3,5% no quinto mês deste ano frente a abril, enquanto em relação ao mesmo mês de 2017 a queda chegou a 5%. O vice-presidente regional Abimaq-MG, Marcelo Veneroso, destacou, na época, que embora as economias nacional e mineira viessem apresentando crescimento nos últimos meses, ainda se percebia oscilações nos resultados. Assim, segundo ele, chegou-se a pensar numa tendência de alta, mas a paralisação dos caminhoneiros em protesto aos aumentos do preço do diesel e à política de preços de combustíveis da Petrobras, afetou e pode ter sido o principal motivador do desempenho negativo apresentado pela atividade no mês passado. “No caso de Minas, podemos dizer que o impacto foi até brando e que pode ser que ainda tenhamos mais efeitos nos resultados de junho, pois as consequências do movimento foram grandes e provocaram efeitos em cadeia”, explicou. Os impactos ocorreram principalmente no que se refere a atrasos de entregas de peças, influenciando também no tempo de produção. Ainda conforme Veneroso, isso levou a adiamento e até cancelamento de pedidos. Agora, segundo ele, passados quase dois meses, esses impactos já começaram a se dispersar, mas a confiança continua fortemente abalada. “O movimento em si e seus desdobramentos agravaram a confiança dos empresários, que foi reduzida a níveis mínimos. E, apesar de restabelecida a ordem dentro do setor, o otimismo ainda é baixo ou quase nulo, o que continua postergando a retoma dos investimentos”, avaliou. Fiat – No caso da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), com planta em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), as atividades voltaram ao normal logo no início de junho. A montadora suspendeu a produção por seis dias úteis devido à greve dos caminhoneiros. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da FCA até o fechamento desta edição. Mas, na época, a companhia informou que já trabalhava uma estratégia para compensar os dias parados, sem detalhar como isso seria feito. A montadora havia informado também que ainda não tinha quantificado o prejuízo e nem a média de veículos que deixaram de ser produzidos nos dias de paralisação. Com a greve, os fabricantes não receberam insumos e autopeças e não conseguiram distribuir a produção. A produção na fábrica de Betim voltou à ativa no feriado de Corpus Christi. No calendário oficial da empresa estava previsto o dia de folga, mas os trabalhadores foram convocados porque um dia antes o fornecimento de matéria-prima começou a ser normalizado.

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