Inflação no Brasil é o maior de junho em 2 décadas

7 de julho de 2018 às 0h00

Rio de Janeiro/São Paulo – A inflação oficial no Brasil atingiu em junho o pico no ano e o maior nível em mais de duas décadas para o mês por conta da disparada dos preços dos alimentos e dos combustíveis após a greve dos caminhoneiros e da pressão da energia elétrica, aproximando-se do centro da meta em 12 meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltou no mês passado 1,26%, contra alta de 0,40% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (6). É a maior alta para junho desde 1995 (2,26%) e também o maior avanço considerando todos os meses desde janeiro de 2016 (1,27%). Em 12 meses, o IPCA atingiu 4,39% até junho, contra 2,86% em maio, patamar mais elevado desde março de 2017 (4,57%). Com isso, o índice volta a superar o piso da meta oficial, de 4,5% pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Os dados ficaram em linha com as expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de avanço de 1,28% na comparação mensal e de 4,42% em 12 meses. A paralisação dos caminhoneiros no fim de maio afetou o abastecimento de alimentos, combustíveis e outros insumos em todo do País no fim de maio, elevando os preços. “Com o problema no abastecimento, tivemos uma escassez de produtos que provocou uma onda de altas. Percebemos que depois da greve os preços voltaram mais altos do que estavam, mas, ao longo do mês, começaram a ceder”, afirmou o economista do IBGE Fernando Gonçalves. O IBGE informou que as altas nos grupos Alimentação e Bebidas, Habitação e Transportes, que concentram 60% das despesas das famílias, foram responsáveis por 93% do resultado do índice de junho. O avanço de 2,03% nos preços de alimentos em junho, após 0,32% em maio, foi o mais alto desde janeiro de 2016, impactado principalmente pelo aumento de 3,09% nos preços dos alimentos para consumo no domicílio. “A alta dos alimentos pela greve foi disseminada, Temos que aguardar para ver como fica no mês que vem e se esse efeito se esgotou”, afirmou Gonçalves. Já o grupo Transportes subiu 1,58%, também a taxa mais alta desde janeiro de 2016, com os avanços de 5% da gasolina e de 4,22% do etanol, representando 21% do IPCA do mês. Bandeira vermelha – A energia elétrica também pesou sobre o bolso do consumidor ao ficar 7,93% mais cara em junho com a bandeira tarifária vermelha patamar 2, e representou o maior impacto individual no índice, levando o grupo Habitação a subir 2,48%. A pressão sobre os preços provocada pela greve, entretanto, deve ficar restrita a maio e junho, em um ambiente no País de consumo ainda contido pelo desemprego alto, economia mais fraca que o esperado e incertezas relacionadas às eleições presidenciais. O Banco Central deixou claro na semana passada que vê a inflação perdendo força após junho, e com isso acabou reforçando visões de que não mexerá tão cedo na taxa básica de juros, hoje na mínima histórica de 6,50%. FAMÍLIAS DE BAIXA SOFREM IMPACTO DE 1,43% A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que registra a variação de preços para as famílias de menor renda, de um a cinco salários mínimo, fechou o mês de junho com alta de 1,43%, a maior alta para o mês desde os 2,18% de junho de 1995. O resultado é 1 ponto percentual superior à taxa de 0,43% verificada em maio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a primeira vez desde janeiro de 2016 que o índice ficou acima de 1%. Com o resultado de junho, o INPC passou a acumular alta de 2,57% nos primeiros seis meses do ano, resultado acima dos do 1,12% registrado em igual período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,53%, bem acima do 1,76% dos 12 meses anteriores. Em junho de 2017, a taxa havia fechado com deflação (inflação negativa) de 0,30%. O INPC de junho foi influenciado pelos produtos alimentícios, que tiveram alta de 2,24%, enquanto, no mês anterior, a variação havia sido de apenas 0,29%. Os produtos não alimentícios aumentaram 1,08%, enquanto, em maio, o índice foi de 0,49%. RMBH – O maior índice ficou com a Região Metropolitana de Belo Horizonte, cuja taxa do INPC fechou com alta de 2,12%, influenciada pelo reajuste de 21,70% na energia elétrica, decorrente do reajuste de 18,53% nas tarifas, em vigor desde 28 de maio. Já o menor o menor índice ficou com a Região Metropolitana de Belém, cuja alta foi de 0,71%, motivado pelas quedas nos pescados (4,46%) e na refeição fora (1,45%). O INPC abrange dez regiões metropolitanas do País, além de Brasília e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, mas se refere à variação de preços junto às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimo. NA CONSTRUÇÃO CIVIL AUMENTO FICA EM 0,58% O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou inflação de 0,58% em junho, 0,03 ponto percentual acima do 0,55% registrado em maio, segundo dados divulgados na sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta foi a segunda alta consecutiva do índice, que em junho atingiu o maior patamar no ano. O Sinapi acumula taxa de inflação de 4,07% em 12 meses, acima dos 3,87% registrados pelo mesmo indicador em maio. Segundo o IBGE, o metro quadrado da construção passou a custar R$ 1.089,46. A mão de obra ficou 0,61% mais cara no mês passado e passou a custar R$ 530,71 por metro quadrado. Os materiais de construção tiveram alta de preços de 0,56% no mês. O metro quadrado dos materiais passou a custar R$ 558,75. Serviços – A inflação de serviços acumulada em 12 meses voltou a atingir em junho a mínima histórica da série iniciada em janeiro de 2013, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados na sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação de serviços passou de -0,09% em maio para 0,26% em junho. Apesar da aceleração, a taxa em 12 meses arrefeceu de 3,32% para 3,14% no mesmo período. De acordo com Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE, o desemprego ainda elevado, a geração de vagas via informalidade e a cautela das famílias ao consumir explicam a perda de força contínua da inflação de serviços. “As famílias, ao se inserirem no mercado de trabalho pela informalidade, não têm estabilidade, então, todo o movimento de consumo é mais cauteloso”, justificou Gonçalves. Já a inflação de bens e serviços monitorados pelo governo segue pressionada, saindo de 1,38% em maio para 2,49% em junho. A taxa acumulada em 12 meses subiu de 8,15% para 11,77% no período, a mais elevada desde fevereiro de 2016, quando estava em 14,95%. “Foi pressão da energia elétrica, gasolina, gás de botijão”, enumerou Gonçalves. A gasolina subiu 12,17% apenas no primeiro semestre deste ano, o item de maior impacto no IPCA do período, uma contribuição de 0,51 ponto porcentual sobre a inflação de 2,60%. O IPCA do primeiro semestre foi pressionado também pela energia elétrica, com alta de 8,02% no período e impacto de 0,29 ponto porcentual sobre a inflação; plano de saúde, aumento de 6,55% e contribuição de 0,26 ponto porcentual; e leite longa vida, alta de 28,15% e impacto de 0,24 ponto porcentual. Por outro lado, a queda de 34,36% nas passagens aéreas ajudou a conter o IPCA no primeiro semestre em -0,16 ponto porcentual.

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