Com preços recordes do ouro, Jaguar Mining amplia receita e reverte prejuízo no primeiro trimestre
A Jaguar Mining registrou, no primeiro trimestre de 2026, alta de 63,4% na receita, para US$ 44,6 milhões, ante igual período do ano passado, conforme balanço divulgado na sexta-feira (15). Na mesma base de comparação, a produtora de ouro alcançou lucro líquido de US$ 4,7 milhões, revertendo o prejuízo de US$ 1,6 milhão.
A mineradora, que opera no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, se beneficiou dos preços recordes do metal. Entre janeiro e março deste ano, o preço médio realizado do ouro chegou a US$ 4.875 por onça, avanço de 71,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
A companhia também apresentou aumentos no lucro líquido ajustado, de 177,8%, para US$ 10,3 milhões, e no Ebitda ajustado, de 61,7%, totalizando US$ 23,7 milhões.
Os resultados financeiros da Jaguar vão ao encontro do desempenho alcançado pelas operações da Kinross Gold e da AngloGold Ashanti no Estado. O ouro voltou a ocupar espaço relevante no mercado global como ativo de proteção, criando um ambiente favorável para as mineradoras, segundo o especialista da Valor Investimentos, Gabriel Cecco.
Do lado operacional, a companhia apresentou queda de 3% na produção, para 9.630 onças, e recuo de 4,2% nas vendas, que somaram 9.147 onças. Os números foram afetados pela paralisação do complexo de Turmalina (MTL), em Conceição do Pará, cujas atividades foram suspensas em dezembro de 2024 e retomadas apenas em março de 2026.
“A Jaguar iniciou 2026 com um foco claro em excelência operacional e fortalecimento do balanço patrimonial. A geração de US$ 10 milhões em fluxo de caixa livre neste trimestre nos permitiu autofinanciar explorações críticas e o reinício das operações em Turmalina”, afirmou o CEO da Jaguar Mining, Luis Albano Tondo, em trecho do relatório.
“Conforme avançamos ao longo do ano, o foco permanece em ampliar a produção, gerenciar o perfil de custos à medida que as atividades de restauração são concluídas e converter o significativo potencial aurífero em crescimento sustentável da produção”, disse.
Companhia tem plano de investir até US$ 190 milhões em Minas Gerais
Vale ressaltar que a Jaguar tem um plano robusto de crescimento em andamento, impulsionado pela alta do ouro, visando ampliar a produção anual e saltar da posição de pequena para média produtora. O projeto se baseia em três pilares: maximizar ativos e recursos atuais; alavancar o portfólio de exploração; e buscar oportunidades estratégicas.
O planejamento foi apresentado ao Diário do Comércio pelo CEO da companhia no fim de abril. Albano revelou, em entrevista exclusiva, que a empresa pretende investir entre US$ 170 milhões e US$ 190 milhões em Minas Gerais até 2030, com os aportes vinculados às duas primeiras frentes da estratégia de expansão.
Os recursos serão destinados, por exemplo, à preparação das minas e plantas de processamento existentes da Jaguar no Quadrilátero Ferrífero, à exploração de novos alvos minerais e à construção de uma nova mina no município de Pitangui. Cabe dizer que a empresa também voltará a operar a mina Santa Isabel, em Itabirito, parada desde 2012.
Além disso, conforme o executivo, a mineradora planeja comprar ativos com alto potencial de produção. Há opções em avaliação no Pará, Mato Grosso, Tocantins, Chile, Peru, Estados Unidos e Minas Gerais, embora a aquisição não deva envolver ativos no Estado.
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