Economia

Elogios e pedido de transparência: como o mercado reagiu à entrada da Equatorial no capital da Copasa

Todavia, há preocupação associações de engenheiros sanitários quanto à universalização para todas as cidades atendidas pela empresa
Elogios e pedido de transparência: como o mercado reagiu à entrada da Equatorial no capital da Copasa
Foto: Divulgação Copasa

Mesmo com a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em curso, com reversão improvável, o processo segue tendo contestações e, ao mesmo tempo, elogios. Há quem defenda mais transparência no processo para que haja segurança aos municípios atendidos pela empresa.

E há quem entenda que a entrada da Equatorial, que adquiriu 30% das ações da Copasa por intermédio da Gerais Saneamento, controlada pelo grupo, foi uma sinalização de que a empresa vai dar seguimento aos investimentos para incrementar a responsável pela água e saneamento de mais de 600 cidades mineiras.

A Equatorial classifica a operação como a segunda maior transação do setor de saneamento do Brasil, equivalente a cerca de 11% do valor de mercado da companhia. O acordo envolve um aporte de R$ 5,5 bilhões pela aquisição de 30% do capital social da Copasa, ao preço de R$ 49,03 por ação. O valor total pode chegar a R$ 7,9 bilhões se a participação for ampliada para 42,62%.

“Do ponto de vista do mercado, a entrada da Equatorial como investidora de referência da Copasa é interpretada como um voto de confiança na capacidade de geração de valor da companhia após a privatização. É a entrada de um grupo que já possui histórico relevante de recuperação operacional e ganho de eficiência em ativos de infraestrutura”, diz o economista e fundador do Grupo ISF Soluções Financeiras, Leonardo Baldez.

Para o membro da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) e da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Vitor Queiroz, alguns pontos na chegada da Equatorial à Copasa precisam ser melhor detalhados, principalmente para garantir que as cidades atendidas pela empresa tenham algumas garantias.

“Isso pode gerar muita insegurança, inclusive para os municípios que são titulares do serviço, porque não temos necessariamente a garantia dos investimentos. Essa ausência de informações acabou atrapalhando o processo, que foi muito atropelado. Poderia ter sido conduzido com mais calma, mais compreensão e mais debate. Há também aspectos regulatórios que precisam ser aprimorados”, comenta Queiroz.

“A escolha por essa alternativa, essa venda de ações, não foi acompanhada de um estudo técnico e econômico tornado público. Por isso, não houve oportunidade para que a sociedade civil organizada e órgãos técnicos, como a Abes e outras entidades, pudessem contribuir para aperfeiçoar o processo”, completa.

Universalização garantida?

Segundo Vitor Queiroz, dos 640 municípios atendidos pela Copasa e Copanor, apenas 20 repactuaram seus contratos. Esse ponto também tem gerado preocupação entre os profissionais do setor de saneamento. “Restam mais de 600 municípios para fazer essa repactuação, e quase 300 deles têm apenas contrato de água com a Copasa, sem contrato de esgoto. Se esses municípios não repactuarem e não assinarem o contrato de esgoto, como ficam as metas de universalização deles?”, indaga.

Caso as intenções da Equatorial não fiquem claras, o mercado pode reagir de forma menos positiva, como explica o economista e fundador do Grupo ISF Soluções Financeiras, Leonardo Baldez.

“Agora, um ponto a ser cuidado refere-se à execução. O mercado já precificou boa parte da expectativa positiva relacionada à privatização. Agora os investidores vão acompanhar de perto a capacidade da Equatorial de entregar resultados concretos, ampliar a eficiência operacional e avançar nas metas de universalização do saneamento”, ressalta.

Potencial e expectativa

O valor da operação de aquisição da Copasa chama a atenção do mercado, segundo Baldez, porque envolve um investimento inicial de R$ 5,5 bilhões, podendo chegar a quase R$ 8 bilhões. Isso demonstra que a Equatorial enxerga potencial para aumentar a rentabilidade, melhorar os indicadores operacionais e capturar ganhos que normalmente são mais difíceis de serem implementados em estruturas estatais.

“Para os investidores, o principal ponto passa a ser a expectativa de eficiência. O mercado costuma precificar de forma positiva os processos de privatização quando existe a percepção de que haverá melhoria na gestão, redução de custos, maior disciplina na alocação de capital e aceleração dos investimentos necessários para atingir metas regulatórias”, afirma.

Outro aspecto relevante é que a Equatorial está financiando a operação majoritariamente via dívida, mas com impacto relativamente pequeno sobre sua alavancagem consolidada. A companhia entrou na negociação preservando capacidade financeira para continuar investindo e crescendo em outros segmentos.

“Para Minas Gerais, a operação também possui um componente fiscal importante. A desestatização da Copasa está diretamente ligada à estratégia do Estado de reduzir sua dívida com a União dentro do Propag. Isso melhora a percepção de sustentabilidade fiscal no longo prazo, fator que costuma ser bem recebido por investidores institucionais”, conclui o economista.

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