Unidade de processamento de biodiesel será instalada na área do CIEPTEC-UFJF Norte | Crédito: Divulgação/UFJF

Daniel Vilela

Será inaugurada, no dia 14 de dezembro, uma usina experimental para a produção de biodiesel em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a prefeitura, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e a empresa britânica Green Fuels. A usina será capaz de transformar resíduos como o óleo de cozinha em combustível.

O maquinário da usina está sendo transportado de navio da Inglaterra para o Brasil, e deve ser entregue no início de dezembro. A unidade de processamento de biodiesel será instalada na área do Centro Integrado de Ensino, Pesquisa, Extensão, Transferência de Tecnologia e Cultura (CIEPTEC-UFJF Norte) no Distrito Industrial de Juiz de Fora.

Doado com o apoio do Prosperity Fund, do governo britânico, focado em projetos ambientais, o equipamento terá capacidade de produzir 3 mil litros de biodiesel a partir de resíduos, como o óleo de cozinha descartado e sebo de animais. Segundo a prefeitura de Juiz de Fora, o combustível gerado será usado na frota pública do município e da universidade.

“Esse projeto é uma das entregas da Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata de recuperação da região, que já foi a mais próspera e hoje é a mais empobrecida de Minas Gerais”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agropecuária (Sedeta) de Juiz de Fora, Jackson Fernandes Moreira.

O diretor de inovação da UFJF, Ignácio Delgado, ressalta a importância da parceria celebrada entre o município, a universidade e a Green Fuels. “Esta iniciativa sinaliza para a cidade e região como a colaboração entre a academia e o poder público pode ser decisiva para dinamizar a economia regional em atividades intensivas em tecnologia e sustentáveis”.

“Somos fornecedores de equipamento e tecnologia. Nós vamos oferecer uma equipe para monitorar a operação do equipamento”, explica o CEO da Green Fuels Ventures América Latina e Representante da Green Fuels Ltd. e Green Fuels Research Ltd., Manoel Thompson Flores.

“Temos planos, interesse em fomentar a produção de HVO (diesel verde) e bioquerosene. Fazer uma planta maior para produzir. Essa seria uma segunda etapa”, acrescenta Manoel.

Macaúba – A macaúba possui destaque na Plataforma de Bioquerosene e Renováveis da Zona da Mata. A planta, nativa da Mata Atlântica, será o conector em uma cadeia de reflorestamento, geração de renda e produção de combustíveis renováveis.

“A macaúba chamou atenção por oferecer alta produtividade de frutos e óleo. Comparada à soja, a produtividade por hectare da planta é oito vezes maior do que a soja. Além disso, a macaúba se adapta à geografia acidentada da região, não exige mão-de-obra especializada para ser cultivada, e mais, poucas espécies conseguem fixar água no solo como a macaúba”, conta Jackson Fernandes Moreira.

“O que estamos propondo é conseguir recursos para implantar a recuperação de 130 mil hectares de mata, e isso vai gerar impacto em toda a cadeia. A agropecuária é importante na região, mas a eficiência é baixa”, complementa Jackson.

De acordo com o secretário da Sedeta, será necessário R$ 1,3 bilhão em recursos para o projeto de reflorestamento, e com a cadeia produtiva sustentada pelo cultivo da macaúba, em cerca de 10 anos, será possível produzir 300 milhões de litros de combustível sustentável por ano.