Segundo maior polo de transporte de cargas do País, Minas enfrenta desafio para atrair caminhoneiros
Mesmo sendo o segundo estado brasileiro em número de viagens de carga, Minas Gerais enfrenta um desafio crescente para renovar o quadro de motoristas profissionais. Segundo representantes do setor, a carreira perdeu atratividade diante da violência nas rodovias, das longas jornadas e das mudanças nas expectativas dos trabalhadores, o que acende um alerta para o futuro do transporte de cargas.
A preocupação ganha ainda mais peso diante da importância do transporte rodoviário para a economia. Só no ano passado, Minas realizou 2,34 milhões de embarques, segundo o Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas 2025, elaborado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Apesar desse cenário, a profissão de motorista tem perdido atratividade, segundo alerta o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg). Para a entidade, o quadro exige uma mudança na forma como o tema é tratado por empresas, entidades e poder público.
A discussão ganha destaque às vésperas do Dia do Motorista, celebrado neste sábado (25). Para o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior, insistir na ideia de escassez de mão de obra não contribui para enfrentar o problema.
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“O setor precisa discutir por que a profissão deixou de atrair novos profissionais. Existem pessoas aptas a atuar na atividade, mas a carreira perdeu espaço para outros caminhos no mercado de trabalho. Recuperar esse interesse é o primeiro passo para garantir a continuidade da profissão”, afirma.
Violência e rotina desgastante afastam novos motoristas
Entre os fatores que afastam novos profissionais, segundo o Setcemg, estão a violência nas rodovias, o tempo prolongado longe da família, as jornadas desgastantes e a percepção de que a rotina da profissão compromete a qualidade de vida. Embora a remuneração seja um fator importante, o presidente do sindicato avalia que ela, por si só, não é suficiente para tornar a carreira mais atrativa.
“Quem escolhe uma profissão considera o conjunto de condições oferecidas. Segurança, respeito, boas práticas nas empresas, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e perspectiva de crescimento têm peso nessa decisão. A valorização do motorista passa por todos esses aspectos”, acrescenta.
O dirigente também chama atenção para outro sinal de alerta observado pelo setor. Segundo ele, muitos pais já não enxergam a profissão como uma opção para os filhos, o que compromete a renovação geracional e reforça a necessidade de iniciativas voltadas à formação e à valorização de novos condutores.
Renovação depende de mobilização conjunta
Para enfrentar esse cenário, o setor de transporte de cargas tem investido em ações de qualificação e incentivo à entrada de novos profissionais. Entre elas estão iniciativas desenvolvidas pelo Serviço Social do Transporte (SEST) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), como o Programa Mais Motoristas, que custeia a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e oferece capacitação especializada, além de projetos voltados à inclusão de mulheres e à formação de novos condutores.
Criado em 2023, o programa já capacitou milhares de profissionais, segundo o SEST Senat. Na primeira edição, mais de 55 mil pessoas se inscreveram em todo o Brasil. As inscrições para a edição deste ano foram encerradas no último dia 14, no site oficial das instituições.
“O programa é uma resposta a um problema real que afeta o transporte e toda a cadeia produtiva do País: a falta de motoristas qualificados. Quando formamos novos profissionais, estamos não só oferecendo oportunidades de emprego e renda, mas também fortalecendo a economia brasileira”, explica a diretora executiva nacional do SEST Senat, Nicole Goulart.
Minas Gerais tem o segundo maior número de motoristas de caminhão do País
Segundo o Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas de 2024, da ANTT, Minas Gerais tinha, naquele ano, o segundo maior contingente de motoristas de caminhão do País, com 82,3 mil profissionais. São Paulo liderava o ranking, com 195,3 mil trabalhadores da área.
Em relação à remuneração, o salário da categoria em Minas Gerais era de R$ 2.960 em 2024, o sétimo maior entre os profissionais da área. São Paulo (R$ 3.540), Mato Grosso e Paraná (ambos com R$ 3.287) concentravam, há dois anos, os melhores proventos.
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