Economia

Redução da escala de trabalho pode beneficiar pequenos negócios, diz ministro

Ministro afirma que mudança pode reduzir rotatividade, ampliar consumo e melhorar qualidade de vida dos trabalhadores
Redução da escala de trabalho pode beneficiar pequenos negócios, diz ministro
Foto: Reprodução Adobe Stock

A proposta de redução da escala de trabalho trará mais ganhos do que prejuízos para os micro e pequenos negócios no Brasil. É o que defendeu o ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, do CanalGov, nesta quinta-feira (28). Entre as vantagens da proposta, segundo ele, estão a redução da rotatividade de funcionários e o aumento do consumo durante o tempo livre dos trabalhadores.

Em resposta ao Diário do Comércio, o ministro afirmou que muitos desses negócios serão positivamente impactados pela redução da jornada, uma vez que as pessoas passarão a ter mais tempo disponível para lazer e consumo. Ele também garantiu que o governo federal estuda novas soluções para facilitar o processo de adaptação dos setores que poderão ser mais prejudicados.

“Nós estamos trabalhando nisso para que, junto da proposta de redução da escala 6×1, seja apresentada alguma solução que possa auxiliar esses negócios”, disse.

Pereira esclareceu que a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados é um texto geral e que ainda necessitará de especificações para definir como esse novo regime será aplicado em determinados segmentos e atividades. “Temos muito trabalho pela frente e muita coisa para ser feita”, afirmou.

O chefe da pasta ressaltou que a economia brasileira está preparada para essa mudança, já implementada em outras partes do mundo. Quanto ao aumento do custo da folha salarial, estimado em 7,84%, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ele mencionou que o salário médio do trabalhador apresentou crescimento superior a 10% no primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sem gerar grandes impactos na economia.

Resultados positivos para as empresas e trabalhadores

pessoa acessando aplicativo da carteira de trabalho digital pelo celular
Foto: Reprodução/Adobe Stock

Sobre as empresas que reduziram a jornada de trabalho, incluindo o modelo 4×3, o ministro relatou que algumas observaram aumento no acesso ao lazer entre os funcionários. Outro ponto destacado foi a redução acentuada no número de afastamentos por motivos de saúde nas empresas que adotaram a escala 5×2, já que esse modelo oferece mais tempo para cuidados pessoais e descanso. Só em 2025, mais de 500 mil pessoas ficaram afastadas por esse motivo.

Ele ainda destacou que a proposta irá beneficiar cerca de 15 milhões de pessoas que trabalham na escala com seis dias de trabalho e um de descanso, a chamada 6×1, e que passarão para o modelo 5×2. Além desse grupo, aproximadamente 38 milhões de trabalhadores que atuam na jornada de 44 horas semanais passarão para o formato de 40 horas por semana. Pereira pontuou que essas pessoas terão mais tempo para estudar, cuidar da saúde e empreender.

Entre os setores que poderão se beneficiar com essa mudança, o chefe da pasta citou os segmentos de alimentos, serviços e turismo, entre outros, que tendem a ser favorecidos pela maior circulação de dinheiro na economia. Ele também afirmou que há ganhos de produtividade que possibilitam essa mudança, além de benefícios diretos que poderão ser absorvidos nessa relação.

“O nível de assiduidade melhora muito, e os trabalhadores faltam menos. As empresas que implementaram esse sistema perceberam que não precisam demitir e contratar com tanta frequência, pois conseguem manter os funcionários”, relatou.

O ministro também lembrou que, sempre que políticas voltadas aos trabalhadores foram implementadas, houve projeções pessimistas no início, mas os resultados acabaram sendo positivos. “Todas as vezes que essas medidas foram implementadas, a economia cresceu, porque sempre que o trabalhador tem mais renda, a economia brasileira cresce”, disse.

Para Pereira, o ganho de produtividade observado nos últimos anos deve ser revertido em benefícios para os trabalhadores, e não apenas para as empresas. Ele ressalta que o governo quer ver as empresas brasileiras lucrando e crescendo no mercado, mas também defende que parte desses ganhos seja destinada aos trabalhadores.

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