Fim da escala 6×1 pode reduzir falta de mão de obra, diz ministro
A proposta de redução da escala de trabalho, sem redução de salários, não deve resultar em aumento da informalidade e pode ajudar a solucionar o problema da escassez de mão de obra. É o que disse o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante entrevista ao programa “Bom dia, Ministro”, do CanalGov, nesta quinta-feira (30). Ele defende que o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso, a 6×1, pode contribuir para a melhoria das condições do mercado de trabalho.
Para Marinho, é preciso adequar o mercado de trabalho às exigências das pessoas e, dessa forma, solucionar o problema da falta de mão de obra, relatado por diferentes setores da economia no Brasil. Segundo ele, esse cenário é causado pela rejeição dos trabalhadores à escala 6×1.
“O pessoal topa o salário e todas as demais condições, mas, quando chega à jornada de trabalho, eles dizem: ‘isso eu não posso, porque estou fazendo um curso e preciso de mais dias (livres)’”, relatou.
De acordo com o ministro, as empresas que optaram por experimentar um modelo diferente da escala com seis dias de trabalho têm apresentado resultados satisfatórios. O chefe da pasta afirmou que os efeitos dessa mudança foram a melhoria nas condições, com preenchimento das vagas existentes e redução da média de faltas diárias devido à flexibilização.
“Isso melhora a produtividade e a qualidade do ambiente de trabalho e, portanto, do serviço, e os trabalhadores passam a atuar com mais satisfação. Essa é a experiência apresentada, não há por que temer”, disse.
Quanto aos efeitos para os pequenos negócios, Marinho destacou que, sempre que ocorreram mudanças desse tipo, esse grupo soube se adaptar e seguir funcionando. No entanto, ele também garantiu que, caso algum segmento de pequenas empresas enfrente dificuldades no processo, o governo federal irá auxiliá-las para que sigam tendo capacidade de investir e gerar empregos no País.
“Não é à toa que temos anúncios do governo de determinados segmentos de crédito para os pequenos negócios poderem investir e superar as dificuldades. Foi assim com o impacto do tarifaço de Trump”, completou.
Ação das entidades empresariais
Em Minas Gerais, as entidades que representam os setores produtivos têm visões diferentes, dependendo do segmento. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG) apontam possíveis impactos negativos da proposta. Já o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem trabalhado para auxiliar os empreendedores no processo de transição.
Durante a entrevista, o ministro do Trabalho e Emprego destacou que, sempre que há uma mudança relevante, a tendência é surgir também uma insegurança ou expectativa sobre os resultados dessa ação. Além disso, ele relata que, em muitos casos, há também um movimento de torcida e certo “terrorismo” por parte das entidades empresariais.
“Elas falam isso para os seus associados, para dar satisfação e dizer: ‘eu estou representando o seu anseio’, mas temos que avançar”, disse.
O chefe da pasta ressalta a necessidade do fim da escala 6×1, uma vez que esse modelo, segundo ele, tende a impactar negativamente os trabalhadores, com destaque para as mulheres e os jovens. Marinho afirma que a população está pedindo mais tempo para si e para sua família.
Além da questão do lazer e do convívio familiar, o ministro acrescenta que esse tempo livre também pode ser utilizado para a aquisição de conhecimento e especialização profissional.
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