Economia

Missão ao Vietnã mira produção de semicondutores para fortalecer Vale da Eletrônica

Grupo de empresários de Santa Rita do Sapucaí busca reduzir dependência na produção de chips e semicondutores
Missão ao Vietnã mira produção de semicondutores para fortalecer Vale da Eletrônica
Foto: Reprodução Adobe Stock

Uma missão internacional liderada pelo Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, pretende dar um passo estratégico rumo à independência tecnológica do setor eletrônico brasileiro. A iniciativa, articulada pelo presidente da entidade, Roberto de Souza Pinto, levará um grupo de empresários e especialistas ao Vietnã entre os dias 30 de julho e 13 de agosto.

Com apoio do Sebrae, a missão reúne dez participantes entre empresários, engenheiros e técnicos do Vale da Eletrônica, polo localizado em Santa Rita do Sapucaí. Conforme explicou o presidente do Sindvel, o objetivo é buscar alternativas para reduzir a dependência externa na produção de semicondutores, especialmente chips e memórias que hoje são concentrados em poucos centros globais.

Segundo Souza Pinto, o cenário internacional está atento. “O mundo inteiro depende desses centros de produção. Em caso de conflito, como uma guerra que atinja essas regiões, os impactos seriam devastadores e demorariam muito tempo para serem revertidos”, alerta.

A preocupação com a vulnerabilidade da cadeia global de chips é um dos principais motores da iniciativa e a escolha pelo Vietnã não é aleatória. O país, segundo Souza Pinto, tem se consolidado como o segundo produtor de semicondutores e chips do mundo, se tornando uma alternativa à China na produção industrial. “O Vietnã, depois da China, é a bola da vez”, destaca.

A ideia da missão é procurar meios e alternativas para desenvolver chips dedicados e semicondutores projetados sob medida para aplicações específicas no polo, por meio de produção no exterior ou com a internalização parcial dessa fabricação por lá. “Não queremos produzir chips para vender no mercado global. A proposta é desenvolver chips próprios para agregar valor aos produtos das empresas do vale”, explica.

A aposta nesse modelo é conseguir mudar a lógica de mercado enfrentada pelas empresas, pontua o presidente do Sindvel. Atualmente, a pequena competitividade global pressiona os preços, reduzindo margens e aumentando riscos. “Com chips dedicados, os produtos passam a ter características únicas, o que permite maior controle sobre preços e maior valor agregado. Quando o produto é único, quem define o preço é o fabricante, não o mercado”, ressalta.

Além disso, a adoção de semicondutores próprios pode impulsionar a inovação, permitindo a miniaturização de equipamentos, redução de custos de produção e aumento da eficiência tecnológica. Segundo o presidente do Sindvel, o impacto potencial é significativo. Entre 45 e 50 empresas do Vale da Eletrônica já possuem porte e escala suficientes para adotar esse modelo.

A missão também conta com o apoio da Câmara de Comércio Brasil-Vietnã e da embaixada brasileira no país asiático, garantindo suporte logístico e acesso a parceiros locais. A agenda inclui visitas técnicas, reuniões com empresas e instituições e mapeamento de oportunidades de cooperação.

Para Roberto de Souza Pinto, a iniciativa representa um movimento estratégico de longo prazo. “A guerra pode ser um problema seríssimo. Ter alternativas e desenvolver autonomia é essencial para garantir a sustentabilidade do nosso setor”, conclui.

A expectativa é que os resultados da missão sirvam como base para futuros projetos de industrialização e inovação tecnológica no Vale da Eletrônica, consolidando ainda mais o polo mineiro como referência em soluções avançadas no cenário nacional.

Conflito Estados Unidos x Irã

Segundo o presidente, o conflito entre Estados Unidos e Irã não afetou de forma alarmante a região. Como são basicamente dependentes da China, o impacto mais direto cai sob a questão dos preços que chegaram a aumentar entre 12% e 22% dependendo do produto, após o conflito. “O abastecimento está normal. Houve um aumento dos preços porque as pessoas ficam receosas e inseguras e já aumentam”, diz.

Apesar disso, o crescimento segue estável. Segundo o presidente, o polo confirmou a expectativa de crescimento de 20% em 2025 e deve continuar crescendo nessa proporção este ano.

“O polo possui muitas empresas pequenas. Quando se é pequeno, é fácil crescer 20%. Quando se é grande, crescer 2% já é um grande crescimento. Então, aqui é um conjunto de empresas médias, pequenas e microempresas. Então, cresceremos com certeza absoluta”, afirmou.

O desafio maior, além da incerteza da guerra, é a mão de obra. “A juventude de hoje está acomodada. Não está tendo a preocupação de adquirir conhecimento e ter uma profissão para trabalhar”, finaliza.

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