MPEs lideram geração de empregos em Minas, apesar da desaceleração econômica
As micro e pequenas empresas de Minas Gerais seguem sendo as grandes geradoras de emprego do Estado, e os resultados do primeiro trimestre demonstram isso. Das 69.163 vagas formais de trabalho abertas, 50,7%, ou 35.114 postos, foram gerados pelas MPEs do estado, segundo levantamento realizado pelo Sebrae Minas a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O saldo destes primeiros meses de 2026 foi positivo, mas demonstra uma queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando Minas Gerais abriu 75.896 novos postos de trabalho nos três primeiros meses do ano no total. As MPEs foram responsáveis por 57% (43.369) das contratações no período.
Para a analista do Sebrae Minas, Bárbara Castro, esse movimento de retração está ligado ao ambiente de juros restritivos, ao encarecimento das linhas de financiamento e à maior cautela do consumo, fatores que costumam impactar os pequenos empreendimentos. E essa redução no ritmo de novas vagas pode se acentuar até o fim do ano.
“Para o restante de 2026, o cenário-base de crescimento será moderado. O mercado está monitorando os desdobramentos das incertezas no cenário doméstico. Os juros, apesar das sinalizações de flexibilização da política monetária, a persistência da inflação e o aumento das incertezas externas devem aumentar o impacto no mercado de trabalho e, assim, o volume de contratações. O setor varejista e os segmentos dependentes de crédito direto ao consumidor continuam sensíveis à manutenção da Selic em patamares restritivos, exigindo monitoramento constante sobre os níveis de inadimplência das famílias e o poder de compra real da população mineira”, explica.
A analista acredita que possa haver até uma manutenção dos resultados positivos na geração de empregos, mas pondera que, “com juros altos e conflitos externos que acabam refletindo na nossa economia, até o fim do ano poderemos ter uma desaceleração”.
Fatia diminuiu
Quando a análise das contratações feitas por MPEs no primeiro trimestre de 2026 é feita apenas pelo percentual, considerando a proporção de vagas geradas pelos negócios menores, a sensação é de um quadro forte e mais saudável. Entretanto, a leitura deve ser ampliada, pois o volume foi positivo de fato, mas a queda de 2025 para 2026 se mostra bem acentuada.
“A participação das MPEs foi positiva, mas ela nem é uma das maiores que já teve. Geralmente, quando se analisa a participação delas no emprego, ultrapassa até 70%, 80% em alguns meses. Isso demonstra queda no geral quando comparamos com o mesmo período de 2025”, comenta Bárbara Castro.
“O mercado de trabalho vem passando por um período de acomodação e sentindo um pouco os reflexos da nossa economia como um todo. O PIB crescendo menos, um período de incertezas, tanto internas quanto externas, e tudo isso vem influenciando a nossa economia de modo geral e também o mercado de trabalho”, completa.
Serviços e agro
Nos resultados apresentados ao fim do primeiro trimestre deste ano, os setores que mais contrataram entre as MPEs mineiras foram os de serviços e agropecuária. O setor de serviços respondeu por 17,5 mil vagas somente em março, cerca de 45% de todo o saldo do estado. A agropecuária gerou 9.783 empregos formais.
Os jovens foram o principal grupo de ingresso no mercado de trabalho formal mineiro. Entre as admissões feitas pelas micro e pequenas empresas, 45,5% foram de pessoas entre 18 e 24 anos; 66,8% possuem ensino médio completo; e os homens responderam pela maior parte do saldo de vagas em março.
O salário médio de admissão foi de R$ 2.106,00, abaixo do valor médio de desligamento (R$ 2.147,70), uma diferença de R$ 41,70 a menos. Esse diferencial negativo acompanha a tendência observada no cenário nacional, onde as admissões (R$ 2.225,39) e os desligamentos (R$ 2.294,68) também apresentam uma diferença remuneratória, embora em patamares nominais superiores aos de Minas Gerais.
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