Mecanismo da Petrobras para estabilizar o preço do gás natural beneficia a indústria, diz Fiemg
Após ter seu monopólio sobre a exploração e o uso das estruturas de gás natural quebrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Petrobras mostra que ainda exerce forte influência sobre o mercado. A estatal apresentou nessa terça-feira (30) um novo mecanismo para reduzir os impactos da oscilação do petróleo sobre o preço do gás natural, insumo essencial para a indústria, o transporte, setores como os de química e vidro e também para o consumo residencial.
A proposta prevê reajustes trimestrais no valor cobrado das distribuidoras de gás canalizado. Embora represente uma intervenção da estatal na formação dos preços, a medida tende a beneficiar o mercado. Sem o novo mecanismo, o próximo reajuste do gás natural, previsto para agosto, seria de 22%, impulsionado pela alta do petróleo no mercado internacional após o início do conflito no Irã.
Com a criação de um teto e um piso para o preço, esse reajuste seria reduzido para 6%. A lógica funciona nos dois sentidos: quando o petróleo cair, os descontos também serão limitados.
Em comunicado, a companhia afirmou que a proposta busca “amortecer, temporariamente, os efeitos de oscilações bruscas nas cotações internacionais, principalmente em momentos de disparada do petróleo tipo Brent, trazendo mais previsibilidade para quem compra o insumo”.
Para o coordenador de Mercado de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Pataca, a medida faz sentido e pode beneficiar a indústria e outros segmentos ao conferir maior estabilidade e previsibilidade às cotações futuras do gás natural.
“A Petrobras, neste caso, tem razão, mesmo parecendo estar intervindo no mercado. A questão do Estreito de Ormuz, com o conflito no Oriente Médio, elevou muito o preço do petróleo e do gás, mas já foi resolvida. Como os contratos consideram a média dos três meses anteriores para definir o reajuste, pagaríamos um preço elevado durante todo esse período. É uma intervenção, sim, mas pelo menos é opcional para o setor, e não uma imposição”, explicou.
Um exemplo do efeito da medida é a recente volatilidade do petróleo Brent. Durante a escalada do conflito, o barril saiu da faixa de US$ 100 (cerca de R$ 520), chegou a atingir US$ 120 e posteriormente recuou para cerca de US$ 73 (R$ 377). Com o novo mecanismo, oscilações como essa terão impacto menor sobre os reajustes futuros do gás natural.
Como o mecanismo funciona na prática
Segundo a Petrobras, a iniciativa também busca evitar reajustes abruptos que afastem clientes no médio e longo prazo, ajudando a manter sua competitividade no mercado. Já o piso de preços funciona como uma proteção à rentabilidade da estatal.
Pataca destaca outro efeito positivo do mecanismo para o mercado de gás natural: a possibilidade de reduzir a volatilidade dos preços praticados pelas distribuidoras, como a Gasmig, principal fornecedora do insumo em Minas Gerais.
“Se a Gasmig aderir ao mecanismo, poderá reduzir essa variação de preços. Imagine o impacto para a indústria: hoje ela paga 20% a mais pelo gás e, nos três meses seguintes, paga menos. Isso reduz a previsibilidade dos custos com energia. Com o novo mecanismo, será possível planejar melhor as ações no curto, médio e longo prazo”, detalhou.
A adesão ao modelo de teto e piso não será automática nem obrigatória. Cada distribuidora deverá manifestar interesse formalmente e negociar um aditivo ao contrato de fornecimento com a Petrobras.
“A iniciativa reforça o foco nas necessidades dos clientes e confirma a posição competitiva da Petrobras no mercado aberto de gás natural”, afirmou a estatal, em nota.
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