Pó de alumínio verde é a nova aposta da Alcoa

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Pó de alumínio verde é a nova aposta da Alcoa
Indústria de pó de alumínio instalada em Poços de Caldas, no Sul de Minas, está operando com 100% de sua capacidade | Crédito: Divulgação

Prestes a completar 40 anos de atividades, a indústria de pó de alumínio da Alcoa, em Poços de Caldas, no Sul de Minas, está operando com 100% da capacidade de produção. Implantada no início dos anos 80, a fábrica foi projetada para atender o mercado nacional e internacional e tornar o Brasil autossuficiente já que, até então, o País era grande importador do produto. Agora os avanços vão no sentido da sustentabilidade e, em breve, a planta, que já é a única no grupo a produzir o pó de alumínio, passará a fabricar o pó de alumínio verde.

Para isso, investimentos vultosos devem vir por aí. Embora não entre em detalhes, o gerente-geral de Operações da Alcoa Poços de Caldas, Fabio Martins, revela que há aportes previstos para os próximos anos. Os recursos vão garantir processos e matérias-primas que permitirão a produção de um produto ambientalmente correto. Além disso, também deverão ser destinados tanto para a modernização da planta como para a garantia da confiabilidade das operações e equipamentos.

“Hoje a unidade está 100% tomada. Está na hora de expandir, mas isso também depende do mercado. Já no quesito sustentabilidade, o desenvolvimento do pó de alumínio verde está no radar, porque esse é um pilar muito importante para a Alcoa. A empresa quer dar sua contribuição na redução das emissões de carbono e uma das iniciativas será por meio da utilização de matérias-primas e tecnologias com baixas emissões”, explica.

Para cumprir o objetivo, a empresa iniciou as discussões com o principal cliente no Japão e está construindo marcos importantes. Como, por exemplo, a busca pela Certificação ASI (Aluminium Stewarship Initiative), que confirma os elevados padrões mundiais no aprimoramento da gestão, processos e produtos. E o uso de alumínio com baixo teor de carbono, como o Ecolum, que será fornecido pela Alumar, de São Luís (MA). O produto deverá estar disponível a partir do segundo semestre.

Trajetória

Até chegar ao patamar que se encontra hoje, a fábrica de pó de alumínio passou por várias transformações. Considerada uma das mais modernas do mundo, segura e totalmente automatizada, a unidade passou por uma completa reestruturação entre os anos de 1999 e 2000. As mudanças permitiram a produção do pó superfino, de maior valor agregado, e ampliou a participação da Alcoa no exterior.

Contando atualmente com 27 colaboradores, a operação atende o mercado nacional, além de exportar para Estados Unidos e Japão. Do total produzido, 80% ficam no País e o restante é embarcado.

Sobre o mercado, o gerente-geral da planta diz que a companhia fornece pó de alumínio para diversos setores. Entre os principais estão: aluminotermia para o processo de fabricação do nióbio, refratários para a fabricação de vidros, área aeroespacial, segmento de tintas e pigmentos e produtos químicos.

“No Japão atendemos principalmente o segmento de tintas e pigmentos e nos Estados Unidos produtos químicos e aeroespacial”, detalha.

Guerra na Ucrânia

E em relação aos impactos da guerra na Ucrânia, ele cita a influência da escalada de preços das commodities no custo de produção. É que a fábrica é intensiva no uso de gás natural, cujo preço acompanha as oscilações internacionais do barril de petróleo.

“O aumento dos custos de energia de uma forma geral impacta diretamente no custo e na competitividade dos nossos produtos frente a competidores locais e internacionais. O gás natural é um dos principais custos que a gente tem na cadeia produtiva”, justifica.

Vale dizer que o insumo energético já sofreu forte aumento desde o início do ano, da ordem de 50%, e a expectativa é de que suba mais cerca de 30% até agosto.

Unidades

A Alcoa é líder mundial em produtos de bauxita, alumina e alumínio e, além da unidade de Poços, possui mais duas unidades produtivas no Brasil: São Luís (MA) e Juruti (PA). Há também escritórios em São Paulo (SP), Poços de Caldas e Brasília (DF). A companhia tem ainda participação acionária na Mineração Rio do Norte (MRN) e em quatro usinas hidrelétricas: Machadinho, Barra Grande, Serra do Facão e Estreito. Em Poços de Caldas, além da fábrica de pó de alumínio, a Alcoa tem operações de mineração, químicos e refusão.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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