Australiana Power Minerals quer acelerar projeto de terras-raras em Minas Gerais
A australiana Power Minerals planeja avançar rapidamente com a implementação do projeto de terras-raras Morro do Ferro (MDF), localizado no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, adjacente aos projetos Colossus, da Viridis Mining and Minerals, e Caldeira, da Meteoric Resources. Detalhes sobre os prazos ainda não foram informados.
Além da maturidade dos debates na região em torno dos projetos de terras-raras ser vantajosa para o desenvolvimento do empreendimento, o Morro do Ferro possui características próprias que permitem classificá-lo como um projeto fast track, ou seja, de avanço acelerado, de acordo com o business development manager da empresa, Luiz Curado.

A companhia assumiu o ativo estratégico no fim de abril, em uma transação que envolveu a compra da então proprietária, a Mineração Terras Raras (MTR). O negócio foi fechado em 21 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 75 milhões), com desembolsos iniciais e parcelas ao longo de 60 meses, em dinheiro e emissão de ações, além do pagamento de um bônus vinculado ao alcance de um marco preestabelecido de recurso mineral.
Conforme Curado, o Morro do Ferro reúne elementos que agregam valor. Entre eles, estão o fato de o ativo estar situado em uma jurisdição reconhecida globalmente e a localização em uma região que dispõe de mão de obra, energia e estradas de qualidade.
Segundo ele, a MTR, cujo chairman é o geólogo Elmer Salomão, figura de renome na mineração, realizou um amplo trabalho de sondagem, com 6 mil metros perfurados, além da existência de artigos sobre o MDF desde a década de 1950. Portanto, foi adquirido um projeto já avançado em termos de estudos geológicos, mineralogia, metalurgia, volume e teor, em meio à corrida por terras-raras, na qual o tempo é um fator crucial.
Fatores que podem agilizar o desenvolvimento do ativo
Uma das particularidades do Morro do Ferro que podem acelerar seu desenvolvimento, segundo o business development manager, é o título de Manifesto de Mina, no qual o proprietário do direito minerário também controla a superfície da área. Isso reduz entraves fundiários e tende a agilizar o avanço da etapa de exploração.
Vale destacar que a Power anunciou neste mês o início de uma campanha de sondagem com cerca de 3,8 mil metros de perfuração. De acordo com o gestor, a empresa avalia ampliar essa metragem, praticamente dobrando o volume já executado no ativo.
Outros aspectos singulares do MDF são a vegetação da superfície, coberta por eucalipto, e o fato da Mineração Terras Raras ter iniciado um processo de licenciamento junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O primeiro fator pode tornar o licenciamento futuro mais objetivo, enquanto o segundo pode ser aproveitado pela companhia, que já pretende, nas próximas semanas, contratar assessoria legal e consultoria in loco para iniciar os estudos ambientais, segundo ele.
“Temos como objetivo iniciar esse projeto quanto antes. Acredito que o mercado terá boas surpresas quanto à velocidade com que vamos conseguir implementar o projeto”, afirmou Curado à reportagem durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), evento realizado pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), em Ouro Preto.
* O repórter viajou para Ouro Preto a convite da Adimb
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