Indústria de bebidas influencia variação positiva de preços em outubro

Pelo terceiro mês consecutivo os preços da indústria brasileira registraram alta

30 de novembro de 2023 às 12h26

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proximidade do verão e das festas de fim de ano a um aumento da demanda por produtos como cerveja e refrigerantes | Crédito: Adobe Stock

Os preços da indústria no Brasil apresentaram variação positiva pelo terceiro mês consecutivo, com alta de 1,11% em outubro frente a setembro. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram que o Índice de Preços ao Produtor (IPP) acumula -6,13% em 12 meses e que o acumulado no ano chegou a -4,43%. Segundo o IBGE, essa é a menor taxa acumulada no ano já registrada para um mês de outubro desde o início da série histórica, em 2014.

Entre as 24 atividades industriais pesquisadas, 14 apresentaram variações positivas de preço em outubro de 2023 quando comparadas ao mês anterior. A atividade com a variação de preço mais expressiva no período foi bebidas (6,12%), seguida por indústrias extrativas (5,26%), outros equipamentos de transporte (2,19%) e alimentos (2,00%). Já as maiores influências vieram de alimentos (0,48 p.p.), indústrias extrativas (0,26 p.p.), bebidas (0,15 p.p.) e refino de petróleo e biocombustíveis (0,10 p.p.).

“Esta sequência de três meses com resultados positivos da indústria vem após seis meses seguidos de queda. De agosto a outubro, a alta acumulada é de 2,96%. Apesar disso, o IPP ainda não foi capaz de reverter os resultados negativos nos índices de longo prazo”, afirma o analista do IPP, Murilo Alvim.

Além das bebidas, alimentos e indústria extrativa puxam o resultado

Com a maior variação e terceira influência mais expressiva em outubro, o setor de bebidas teve resultado oposto ao observado em setembro, quando registrou forte queda de 5,04%. Os preços nesse grupo aumentaram nos últimos dois meses, sendo que, em outubro, eles ficaram 0,78% acima do registrado em agosto. O analista do IBGE associa a proximidade do verão e das festas de fim de ano a um aumento da demanda por produtos como cerveja e refrigerantes. “A queda vista em setembro foi devido à margem que as empresas tinham para um reposicionamento de preços por conta de menores custos. Desde o início da série histórica da atividade no IPP, em 2010, o setor de bebidas mostra resultado positivo em outubro”, avalia.

Com o maior peso no IPP, o setor de alimentos exerceu a maior influência no resultado do mês e apresentou a quarta variação positiva mais alta. Segundo o índice, o preço das carnes bovina e de frango foi determinante para o resultado, uma vez que o grupo econômico de abate e produção de carnes subiu 4,95%. “No caso da carne bovina existe uma limitação da oferta de animais para abate, que pode estar relacionada ao ciclo da pecuária. Sobre a carne de frango, vemos um aumento da demanda que pode ser uma substituição de um produto por outro”, diz Murilo Alvim.

A atividade de indústrias extrativas apresentou a segunda variação mais intensa e ocupou o segundo lugar no ranking de maiores influências. Na comparação entre os preços de outubro e setembro, quatro produtos se destacaram tanto em variação quanto em influência. No entanto, “óleo bruto de petróleo”, cujo peso é o maior no cálculo do setor (40,54% como peso original), não aparece entre eles. A cotação do petróleo no mercado externo teve comportamento distinto em outubro em relação a setembro.

“Nos últimos dois meses, o setor de refino de petróleo e biocombustíveis foi o que mais impactou positivamente no IPP. Em outubro ele continua sendo um dos destaques, mas não o principal, com variação de 0,92%. Os dois produtos mais importantes do grupo, óleo diesel e gasolina, tiveram aumento de preços em agosto e setembro, mas comportamentos diferentes em outubro, com a gasolina apresentando resultado negativo e segurando a variação do setor”, explica o analista do IPP.

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