Economia

Produção da Regap cresce 1,1% em 2026, mas diesel registra queda de 6%

Produção da Regap cresce 1,1% em 2026, mas diesel registra queda de 6%
Foto: Divulgação Regap

A Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), produziu 1,1% a mais de derivados de petróleo no primeiro quadrimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O crescimento representa a ampliação da produção em cerca de 32,8 mil metros cúbicos (m³) ao passar de 2,94 milhões para 2,97 milhões de m³ de derivados. No entanto, a produção de óleo diesel caiu 6% no período, seguindo uma tendência oposta à nacional que aumentou o mesmo índice porém, positivamente.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção acumulada de óleo diesel, utilizado em caminhões, ônibus e motores, caiu de 1,3 milhão de m³ em 2025, para 1,2 milhão, em 2026 na refinaria em Betim. Em todo o País, houve alta de 6% na produção.

Para o economista e professor do UniBH, Fernando Sette Júnior, é perfeitamente possível que uma refinaria reduza a produção de diesel enquanto outras aumentam significativamente sua produção, gerando crescimento nacional mesmo diante da queda local.

No caso da Regap, ele acredita existir algumas hipóteses técnicas plausíveis. “Ajustes no mix de produção para privilegiar gasolina ou outros derivados, estratégias logísticas de abastecimento ou redistribuição da produção entre refinarias da Petrobras”, acredita.

Segundo Sette Júnior, se outras unidades elevarem sua produção em volume superior à redução observada na Regap, o resultado agregado nacional continuará mostrando crescimento, mesmo com queda em Minas Gerais. “Para o mercado mineiro, o mais importante não é apenas o que a Regap produz, mas a disponibilidade total de diesel no sistema de abastecimento nacional”, defende.

Os dados da ANP mostram ainda que apesar do comportamento mensal total de produção de derivados do petróleo esteja irregular ao longo deste ano, com quedas de produção registradas no mês de janeiro (-1%) e março (-1,3%) e pequena alta em fevereiro (0,5%), o avanço de abril (6,2%) em relação ao ano passado, compensou as retrações anteriores e garantiu saldo positivo no acumulado do ano.

Nesse sentido, o economista e professor do UniBH comenta que para o setor de refino, “um crescimento de 1,1% não é desprezível”. Segundo ele, trata-se de uma atividade industrial de grande escala, com capacidade instalada relativamente estável e sujeita a paradas programadas de manutenção. “Por isso, variações anuais próximas de 1% já representam milhões de metros cúbicos adicionais de produtos disponibilizados ao mercado. Em um cenário de crescimento econômico moderado e juros ainda elevados, o resultado pode ser considerado positivo”.

No primeiro mês do ano, a produção recuou de 721,6 mil m³ para 714,5 m³. Já em fevereiro, houve leve recuperação, passando de 693,7 mil m³ para 697,3 mil m³. Em março, a produção voltou a registrar retração, com redução de 773,6 mil m³ para 763,1 mil m³, queda de 1,3%, sendo o pior desempenho relativo entre os intervalos observados. Em contrapartida, o mês de abril apresentou forte expansão. A produção saltou de 751,2 mil m³ para 798 mil, crescimento de 6,2%, compensando integralmente as perdas registradas nos períodos anteriores.

Nesse caso do mês de abril, Sette Júnior a alta mais intensa provavelmente reflete uma combinação de fatores: a retomada operacional das refinarias, a preparação para períodos de maior consumo e o aumento da demanda interna. “Historicamente, o segundo trimestre costuma registrar maior movimentação econômica, especialmente nos setores de transporte, logística e construção civil, o que leva as refinarias a elevarem a produção para recompor estoques e atender ao mercado”, comenta.

Produção de gasolina e diesel seguem movimentos opostos

Enquanto a produção de gasolina no primeiro quadrimestre subiu 12%, a do diesel caiu 6% na Regap. Segundo Sette Júnior isso é explicado porque a gasolina está sendo beneficiada principalmente pelo crescimento do consumo das famílias e da mobilidade urbana. “O mercado de veículos leves continua crescendo e muitos consumidores têm optado pela gasolina em momentos nos quais a relação de preços entre gasolina e etanol se torna mais favorável ao combustível fóssil. Isso aumenta a necessidade de produção pelas refinarias”, argumenta.

Já o diesel o professor pontua que segue uma dinâmica diferente. “Seu consumo está muito ligado ao transporte de cargas, à agropecuária e à atividade industrial”, explica. Sendo assim, em determinados períodos do ano, especialmente após o encerramento de safras ou em momentos de desaceleração logística, a demanda diminui.

Além disso, ele esclarece que parte do abastecimento nacional pode ser suprida por estoques acumulados anteriormente ou por importações, reduzindo momentaneamente a necessidade de produção local.

Alta no asfalto pode indicar mais infraestrutura

Outro derivado do petróleo que chama atenção na produção é o asfalto. Segundo os dados da ANP, a produção aumentou 5,2% no primeiro quadrimestre e pode indicar investimentos em infraestrutura. Conforme analisa Sette Júnior, o cimento asfáltico de petróleo (CAP) está diretamente associado a obras rodoviárias, recapeamentos urbanos e contratos públicos de manutenção viária. “Quando sua produção cresce de forma expressiva, geralmente há expectativa de aumento das obras em execução”, completa.

Reflexos dos investimentos ainda não foram percebidos

A alta na produção da Regap foi percebida poucos meses após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar R$ 3,8 bilhões em investimentos para a refinaria da RMBH. No entanto, Sette Júnior reforça que os efeitos não são imediatos e dificilmente serão percebidos este ano.

Segundo ele, os maiores ganhos costumam surgir entre dois e cinco anos após o início efetivo das obras e modernizações. Isso porque envolvem ampliações de capacidade, modernização de unidades, aumento da eficiência operacional e adequação tecnológica das refinarias.

“No caso específico da Regap, os investimentos podem aumentar a flexibilidade produtiva, melhorar o aproveitamento do petróleo processado e ampliar a produção de derivados de maior valor agregado”, finaliza.

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