Economia

Receita libera consulta à restituição; veja o que fazer se caiu na malha fina e como usar o dinheiro

Mais de 8 milhões de contribuintes receberão valores em 29 de maio, último dia para entrega da declaração
Receita libera consulta à restituição; veja o que fazer se caiu na malha fina e como usar o dinheiro
Foto: Pixabay

Mais de 8 milhões de contribuintes estão na lista do primeiro lote de restituição da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2026 e das restituições residuais de anos anteriores no Brasil. O valor soma R$ 16 bilhões e é o maior da história, segundo a Receita Federal. A consulta, liberada nesta sexta-feira (22), deve ser feita diretamente no site da Receita. Também já é possível verificar se o contribuinte caiu na malha fina.

De acordo com o Fisco, o total de 8.749.992 contribuintes restituídos representa 40% das restituições previstas para serem pagas em 2026, tanto em valores quanto em número de contribuintes. O lote recorde se deve “à agilidade no processamento das declarações e ao avanço das ferramentas de modernização e automação adotadas pelo órgão”.

O prazo para entrega da declaração segue aberto e vai até o dia 29 deste mês.

Como usar bem o dinheiro recebido

Após registrar recorde de restituição em primeiro lote em 2025, quando foram destinados R$ 11 bilhões para 6,2 milhões de contribuintes, neste ano a Receita ultrapassou o valor do período anterior: foram R$ 16 bilhões para mais de 8 milhões de pessoas.

Por isso, a orientação para quem vai receber esse dinheiro é encará-lo como uma oportunidade de reorganização financeira. É o que defende o doutor em Economia Aplicada pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato.

“A restituição do Imposto de Renda costuma representar um alívio importante no orçamento das famílias, mas o ideal é que esse recurso seja encarado menos como uma renda extra para consumo imediato e mais como uma oportunidade de reorganização financeira. Em um cenário ainda marcado por juros elevados, custo de vida pressionado e maior comprometimento da renda com despesas fixas, utilizar esse valor de maneira estratégica pode gerar benefícios de longo prazo para a saúde financeira das famílias”, afirma o economista.

Segundo ele, a primeira recomendação é priorizar a quitação de dívidas, principalmente aquelas com juros mais elevados, como cartão de crédito, cheque especial ou crédito rotativo. “Muitas vezes, o retorno econômico de eliminar uma dívida cara é maior do que qualquer aplicação financeira de curto prazo”, diz.

Já para quem está com as contas equilibradas, a restituição pode ser uma oportunidade para formar ou reforçar uma reserva de emergência, considerada fundamental pelo economista em um ambiente econômico mais sujeito a oscilações e incertezas.

Além disso, segundo D’Amato, receber a restituição também representa um momento interessante para pensar em investimentos compatíveis com o perfil de cada contribuinte, seja em renda fixa, previdência ou outras alternativas de médio e longo prazo. Outra possibilidade é utilizar o recurso em educação, qualificação profissional ou aquisição de bens que ampliem a produtividade e a geração futura de renda.

“O mais importante é evitar decisões impulsivas. A restituição do Imposto de Renda pode parecer um ganho momentâneo, mas, quando bem utilizada, torna-se um instrumento importante de fortalecimento financeiro das famílias e até de maior estabilidade econômica no futuro”, conclui.

Como consultar a restituição

A consulta à restituição pode ser feita no site restituicao.receita.fazenda.gov.br. Lá, o contribuinte deve informar o número do Cadastro de Pessoa Física (CPF), a data de nascimento e o ano do exercício ao qual tem direito, ou seja, 2026 ou anos anteriores.

Ainda conforme o Fisco, também é possível consultar a restituição pelo aplicativo da Receita Federal, disponível para tablets e smartphones.

Reprodução/ Receita Federal

Como saber se caiu na malha fina

Se o contribuinte não estiver na lista de pagamento do primeiro lote de restituição da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2026 e das restituições residuais de anos anteriores, poderá tanto ter enviado a declaração com alguma pendência quanto ter caído na malha fina.

Reprodução/ Receita Federal

A orientação da Receita é que o contribuinte envie uma declaração retificadora e aguarde os próximos lotes ou, em casos mais graves, apresente documentos complementares. Para enviar a declaração retificadora, é necessário acessar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC). O acesso, porém, exige uma conta Gov.br nos níveis Prata ou Ouro para utilização completa das funcionalidades.

No site, a consulta é feita na área “Meu Imposto de Renda”. Basta escolher o exercício de 2026 e verificar a situação atual. Se surgir a opção “Com Pendências”, o contribuinte precisa identificar o erro apontado pela Receita. Já a opção “Processada” indica que não há inconsistências.

Distribuição do primeiro lote de restituição – Brasil

  • 4.959.431 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix (prioridade não determinada por lei);
  • 2.256.975 contribuintes de 60 a 79 anos (prioridade legal);
  • 1.054.789 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério (prioridade legal);
  • 256.697 contribuintes acima de 80 anos (prioridade legal);
  • 222.100 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave (prioridade legal).

Dos R$ 16 bilhões de restituição deste lote, R$ 8,64 bilhões são exclusivos para contribuintes com prioridade legal no reembolso. Segundo o órgão, neste lote não haverá pagamento a contribuintes sem prioridade.

Como receber a restituição

O pagamento do primeiro lote de restituição da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física de 2026 e das restituições residuais de anos anteriores será feito em 29 de maio, último dia para entrega das declarações deste ano. O valor será depositado na conta do contribuinte ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda.

“Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil”, informou a Receita, em nota.

Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária de sua titularidade por meio do Portal BB ou da Central de Relacionamento do banco, pelos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial para deficientes auditivos).

Caso o contribuinte não resgate o valor da restituição após um ano, deverá solicitar o recurso no Portal e-CAC. Ao acessar a página, o cidadão deve entrar no menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, selecionar a opção “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas