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Escassez de água no rio das Velhas não afeta empresas

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Com essas medidas, vazão do rio, 70% abaixo do nível de referência, já deve aumentar | Crédito: Divulgação

Até o dia 15 de novembro, diversas empresas que obtêm água do rio das Velhas deverão reduzir o volume diário outorgado para as captações. As restrições foram aplicadas após o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) declarar escassez hídrica superficial no trecho referente à parte do rio das Velhas até a cidade de Santo Hipólito, na região Central de Minas Gerais, e sua bacia de contribuição, o que, consequentemente, inclui a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Dessa forma, deverá haver, segundo a entidade, redução de 20% do volume diário outorgado para as captações de água cujo objetivo é o consumo humano, animal e abastecimento público; de 25% do volume diário outorgado para fins de irrigação; de 30% do volume diário outorgado para o consumo agroindustrial e industrial e de 50% para as outras finalidades.

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Segundo o Igam, “do total de usuários com restrição na porção da bacia, 38% são referentes a consumo industrial e mineração, 35% para irrigação, 22% abastecimento público, consumo humano e dessentação de animais e 5% demais usos”.

Nesse cenário, a situação vai afetar grandes empresas como Gerdau, ArcelorMittal, Vale, Ambev, Celulose Irani, Vallourec Florestal, entre outras.

Segundo a diretora-geral do Igam, Marília Melo, esse modelo de restrição de uso foi aprovado em 2015 pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH), que estabelece as condições para declarar a escassez de água. Ela explica que o abastecimento público é visto como prioritário, seguido pelo setor agrícola, por causa da questão da segurança alimentar.

“Em uma situação de escassez, todos têm que fazer a sua parte”, destaca. “Além disso, existem formas de tornar o uso da água mais eficiente sem impactar tanto a produção das empresas”, salienta.

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Reação em cadeia – Marília Melo argumenta que, com a medida, é esperado que a vazão do rio, que atualmente está 70% abaixo do nível de referência, já aumente um pouco nos próximos dias. Ela lembra ainda que, desde o ano de 2014, essa não é a situação mais crítica vivenciada – 2015 e 2017 apresentaram quadros mais preocupantes na região, respectivamente.

Apesar de o período atual não ser o mais crítico, a questão da escassez hídrica merece bastante atenção, de acordo com o economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Felipe Leroy. O profissional destaca que o fato de haver pouca água disponível para as operações empresariais afeta a economia como um todo.

“Uma indústria que depende de água para fabricar os itens que comercializa poderá não conseguir produzi-los em uma situação critica, levando à elevação de preços e até à escassez no mercado”, destaca.

O economista lembra que é um efeito cascata: “Essa situação afeta as empresas, que vão lucrar menos, consequentemente o governo, que vai arrecadar menos impostos etc”, frisa.

Reflexos – Em relação aos reflexos nas empresas ligados à situação atual, o DIÁRIO DO COMÉRCIO procurou várias organizações que captam água do rio das Velhas. A maioria, porém, não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

Em nota, a ArcelorMittal afirmou que o decreto publicado pelo Igam não impactou os seus processos produtivos, “uma vez que a empresa executa um plano diretor de águas que visa à segurança hídrica no curto, médio e longo prazos, promovendo a eficiência do uso e buscando fontes alternativas de captação. A única unidade mantida pela ArcelorMittal dentro da área abrangida pelo decreto é a usina de Sabará, que não sofrerá nenhum impacto sobre as suas atividades. A empresa recircula 98% da água usada em suas operações siderúrgicas no Brasil”, destacou.

A Ambev também afirmou que não vai haver impacto na produção, uma vez que a empresa utiliza uma porcentagem pequena da bacia para consumo interno na cervejaria. A água não é utilizada para produção de bebidas.

Também em nota, a Vale afirmou que “a Portaria n°45, publicada na quarta-feira (18) pelo Igam, não traz impactos para as operações da Vale. A empresa possui outorga para captação de água superficial no rio das Velhas, mas está captando, atualmente, vazão inferior ao outorgado. Essa água é utilizada para manutenção da infraestrutura das unidades operacionais da Vale e suporte às atividades de rotina, como a umectação de vias para controle de poeira. Importante destacar que grande parte da água usada nas unidades da empresa em Minas Gerais é proveniente de reutilização, evitando, assim, a necessidade de novas captações”.

Causas – Mas por que, afinal, a situação chegou ao ponto de ser necessário declarar escassez hídrica? Marília Melo afirma que, além de, atualmente, estarmos em um período de estiagem, o monitoramento do Igam já tem apontado, nos últimos anos, uma redução de chuva nos períodos em que ela geralmente ocorre.

A diretora da entidade ressalta que a questão já está sendo trabalhada e que já existem projetos de intervenção focados em restauração florestal, recomposição de determinadas áreas, entre outras ações.

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