Minas Gerais registra o pior saldo de empregos desde 2020
Minas Gerais gerou 87.375 empregos com carteira assinada nos primeiros cinco meses de 2026. Embora positivo, o saldo é o pior para o período desde 2020, quando houve déficit de 125.180 vagas em meio à crise de Covid-19, e recuou 30,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o superávit chegou a 125.231 postos de trabalho.
Apenas em maio deste ano, foram criados 8.922 empregos no Estado. Porém, o saldo também corresponde ao pior para o mês desde 2020, quando ficou negativo em 37.634 vagas, e caiu 57,6% ante maio do ano passado, quando foi superavitário em 21.049 postos.
Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), atualizado nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os números mostram uma desaceleração na geração de empregos formais, que já era esperada por economistas e tende a continuar no restante de 2026.
O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, afirma que a perda de ritmo é compatível com um ambiente macroeconômico mais desafiador. Ele ressalta que as empresas seguem contratando, mas de forma mais moderada que nos últimos anos, devido a um cenário que exige mais cautela nas decisões.
Conforme análise da Gerência de Economia da entidade, mesmo com a manutenção do ciclo de redução da Selic, os juros permanecem elevados, o que freia investimentos e tornam as empresas mais cautelosas na hora de expandir e contratar. Somam-se a isso, as incertezas fiscais e o clima de instabilidade gerado pelo período eleitoral.
O economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio Porto, reforça que, embora a Selic tenha caído para 14,25% ao ano (a.a.), a taxa de juros reais segue em cerca de 10% a.a., nível restritivo que força a desaceleração do mercado de trabalho. Ele avalia que o saldo acumulado anual deverá ser positivo, mas inferior ao de 2025 (78.702 vagas), ainda que algo estimule a abertura de postos no segundo semestre.
“Estamos em ano eleitoral e sempre tem um fator cíclico que puxa certa demanda”, diz. “Mas a tendência geral é de desaceleração controlada”, frisa.
Estado mantém segunda posição nacional com economia diversificada e resiliente
Mesmo que o número de empregos criados em Minas Gerais esteja desacelerando, o Estado se mantém na segunda posição do ranking de maiores geradores de vagas formais no Brasil, segundo o economista do BDMG. Porto realça que o mercado de trabalho mineiro fica atrás apenas de São Paulo, que abriu 215.924 postos nos primeiros cinco meses de 2026.
“Minas é o segundo com distância para outros estados. Isso mostra que temos uma economia diversificada e resiliente neste momento que estamos passamos”, afirma.
Cabe dizer que, quatro dos cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas, apresentaram superávit de empregos no Estado no acumulado de janeiro a maio. O maior saldo foi do setor de serviços, com a abertura de 41.309 vagas, enquanto o único que registrou déficit foi o comércio, com o encerramento de 3.097 postos de trabalho.

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