Economia

Saldo de pequenos negócios em Minas cai quase pela metade no início de 2026

No primeiro bimestre, as aberturas de pequenas empresas recuaram 15,9%, enquanto os fechamentos avançaram 12,1% no mesmo período
Saldo de pequenos negócios em Minas cai quase pela metade no início de 2026
Foto: Reprodução Adobe Stock

O saldo de pequenas empresas em Minas Gerais caiu quase pela metade no início de 2026. No primeiro bimestre, foram 22.274 empresas a mais abertas do que fechadas, um recuo de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando totalizou 41.075.

Os dados fazem parte do Painel de Inteligência do Sebrae. Ao todo, foram 71.277 pequenas empresas abertas e 49.003 encerradas entre janeiro e fevereiro. As aberturas recuaram 15,9%, enquanto os fechamentos avançaram 12,1% no mesmo período.

De acordo com o painel, o setor de serviços lidera em volume: foram 41.358 aberturas, mais da metade do total estadual, concentrando também o maior número de fechamentos, totalizando saldo de 14.349. Logo depois, o comércio apresentou saldo de 2.470 novos pequenos negócios, seguido pela indústria (2.412).

Já a construção civil apresentou o saldo proporcionalmente mais equilibrado, com 5.957 aberturas e 3.347 encerramentos. Por fim, a agropecuária registrou superávit de 434 novas empresas de pequeno porte.

O economista e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato pontua que a abertura de empresas em Minas Gerais começa o ano em ritmo mais contido, e o dado que mais chama atenção não é apenas a queda nas novas iniciativas, mas o avanço dos encerramentos. “Isso sugere um ambiente de negócios mais desafiador, em que empreender ficou mais arriscado e manter a atividade está mais desafiador”, destaca.

Ao analisar o mercado, D’Amato destaca que o movimento conversa diretamente com a perda recente de fôlego da economia mineira, especialmente nos serviços, e com um cenário ainda marcado por maior seletividade no crédito e cautela por parte de famílias e empresas. “Em outras palavras, há menos disposição para abrir e mais dificuldade para sustentar o que já existe”, salienta.

Desaceleração nos principais centros urbanos aparece de forma mais intensa

Dentre as cidades, Belo Horizonte concentra o maior volume de abertura de pequenos negócios, mas também registra uma das maiores quedas. A capital mineira abriu 10.537 pequenos negócios no bimestre, 20% a menos do que nos dois primeiros meses de 2025. Juiz de Fora, na Zona da Mata, teve o recuo mais acentuado entre os grandes municípios: 22,6%.

Por outro lado, Uberaba registrou queda de apenas 6,7% nas aberturas, o melhor desempenho entre as principais cidades do Estado. A segunda maior cidade do Triângulo Mineiro se destaca em um cenário de desaceleração, sustentada por uma economia diversa, com forte presença do agronegócio.

Segundo o economista, a desaceleração notada nos principais centros urbanos aparece de forma mais intensa. “São economias muito dependentes de serviços e do comércio, setores que reagem rapidamente quando a demanda perde força. Quando o consumo desacelera, o impacto vem quase imediato, tanto na abertura quanto na sobrevivência dos negócios”, observa.

Uberaba destoa positivamente, com um desempenho mais resiliente. Para D’Amato, a explicação passa, em grande medida, por uma estrutura produtiva mais apoiada no agronegócio e em atividades menos dependentes do ciclo urbano, o que ajuda a amortecer esse tipo de choque.

Evolução no cenário das pequenas empresas depende do ritmo da atividade econômica

Para os próximos meses, a expectativa é de discreta melhora ao longo do ano, sem uma recuperação rápida. Para os pequenos negócios em Minas Gerais, a evolução passa a depender de um melhor acesso ao crédito, de maior confiança, e do próprio ritmo da atividade econômica.

Além disso, o economista chama atenção para um elemento adicional de incerteza: a dinâmica nas relações internacionais, fragilizadas pela escalada de tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. Esse cenário pode pressionar preços de commodities estratégicas, especialmente do petróleo, com efeitos indiretos sobre combustíveis, custos logísticos e inflação doméstica.

“Esse tipo de choque tende a afetar mais intensamente economias regionais com forte presença de serviços e transporte, como Minas Gerais, reduzindo ainda mais o poder de compra e elevando a cautela dos agentes econômicos”, avalia.

Ainda assim, D’Amato ressalta que o quadro atual deixa um recado importante: sem avanços na estrutura produtiva, com mais diversificação e maior presença de setores mais complexos e sofisticados, Minas continua dependente de um perfil de negócios mais vulnerável às oscilações do ciclo econômico. “Isso limita a sustentação de um crescimento mais consistente no médio prazo”, finaliza.

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