Setor de seguros pretende se aliar à gestão pública para melhorar serviços municipais
O setor de seguros brasileiro quer assumir um papel mais ativo na gestão pública, oferecendo soluções para problemas recorrentes como obras paradas, falhas em licitações e ineficiência na prestação de serviços. A avaliação é do presidente do Sincor-MG, Gustavo Bentes, que defende maior diálogo entre o poder público e o mercado segurador antes da elaboração de editais.
Segundo Bentes, um dos principais gargalos está na elaboração das licitações públicas, especialmente no que diz respeito às exigências de seguros. “Hoje, quem elabora o edital muitas vezes não tem conhecimento técnico do setor. Isso leva à inclusão de cláusulas que não têm aplicabilidade prática ou que não são compatíveis com a realidade da obra”, afirma.
O resultado, de acordo com ele, é um cenário de insegurança jurídica e paralisações frequentes. Um exemplo citado é a definição inadequada do prazo de cobertura securitária. “Há casos em que a obra está prevista para durar três anos, mas o seguro exigido cobre apenas seis meses. Quando essa cobertura vence, a obra simplesmente para, porque não há respaldo para a continuidade dos trabalhos”, explica.
O dirigente destaca que esse tipo de falha contribui para o elevado número de obras inacabadas no País, gerando prejuízos financeiros e sociais. Para ele, a solução passa por uma construção conjunta dos editais, com participação de especialistas do setor de seguros, garantindo “aderência, aplicabilidade e viabilidade” às exigências contratuais.
Oportunidades de atuação em serviços essenciais
Além das obras públicas, o setor também enxerga oportunidades de atuação em serviços essenciais oferecidos pelos municípios. Bentes cita como exemplo as assistências funeral e de saúde, que podem ser estruturadas por meio de seguros e empresas especializadas, trazendo mais eficiência e redução de custos para as prefeituras.
Ele menciona o caso da Prefeitura de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, que buscou soluções para atender demandas relacionadas a sepultamentos. “Quando há uma central de assistência, todo o processo é organizado de forma rápida e profissional. Desde o atendimento até a execução do serviço. Isso já é feito pelas seguradoras no dia a dia”, pontua.
Na avaliação do presidente do Sincor-MG, a gestão desse tipo de serviço não deveria recair diretamente sobre o poder público. “Não é função do município operacionalizar esse tipo de demanda. O mercado de seguros já tem estrutura pronta, com empresas especializadas e conectadas, capazes de oferecer uma solução mais eficiente”, diz.
É por isso que iniciativas de integração como o projeto “Cidades Protegidas”, apresentado nesta quarta-feira (15) pelo Sincor-MG, em Belo Horizonte, tem sido uma aposta do setor. O projeto busca aproximar corretores de seguros das administrações municipais de forma que eles atuem como consultores na estruturação de políticas públicas, contribuindo para uma gestão mais técnica e sustentável.
“Estamos assumindo uma responsabilidade que nunca tivemos antes. Queremos participar, ajudar e transformar a forma como as prefeituras lidam com riscos e serviços”, finaliza.
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