Economia

Setor calçadista de Nova Serrana registra queda nas vendas no 1º quadrimestre

Vendas caem até 30% em Minas Gerais. Cenário econômico e endividamento das famílias são as principais causas da retração
Setor calçadista de Nova Serrana registra queda nas vendas no 1º quadrimestre
Em torno de 90% das empresas do setor do polo de Nova Serrana relataram retração nos negócios | Foto: Divulgação Marina Mello

O setor calçadista de Nova Serrana, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, enfrenta um início de ano marcado por retração nas vendas e queda na demanda. O diagnóstico é do presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Rodrigo Martins, que aponta um cenário mais difícil em comparação ao mesmo período do ano passado, em função do cenário econômico no País e no mundo.

Segundo ele, o desempenho no primeiro quadrimestre ficou abaixo do esperado. “Está bem pior do que o mesmo período do ano passado. Pelo menos 90% das empresas relataram queda nas vendas”, afirma. A retração, embora varie entre os diferentes segmentos e empresas, apresenta uma média entre 20% e 30% de redução na demanda.

Entre os principais fatores para a queda, Martins destaca o cenário econômico. O alto nível de endividamento das famílias e a perda do poder de compra, impactada pela inflação, têm reduzido o consumo, especialmente no varejo, que é o principal canal de escoamento da produção calçadista. “As famílias estão mais endividadas, com atraso recorde. Isso afeta diretamente o consumo. Além disso, a inflação reduz o poder de compra e os juros elevados dificultam tanto o consumo quanto o investimento das empresas”, explica.

O mercado externo, que poderia ser uma alternativa para o setor, também não tem trazido alívio. As exportações do polo sofreram queda relevante, influenciadas principalmente pela crise econômica na Argentina, principal destino dos calçados de Nova Serrana, responsável por cerca de 75% das vendas externas. “O mercado argentino está muito complicado. E, além disso, a queda do dólar prejudica a competitividade dos produtos brasileiros lá fora, tornando-os mais caros”, aponta Martins.

O presidente do Sindinova ressalta ainda que a retração não é um fenômeno isolado da produção mineira. “Todo o mercado calçadista está sofrendo, tanto no Brasil quanto no exterior. O varejo, de forma geral, está em um momento difícil”, avalia.

Nem mesmo eventos como a Copa do Mundo e a chegada do inverno devem gerar um impulso significativo nas vendas, segundo a avaliação do setor. Embora haja um possível aumento pontual no consumo, a tendência é que os gastos se concentrem em entretenimento, alimentação e produtos relacionados ao evento esportivo.

“A Copa pode até ter um impacto indireto, mas o consumidor tende a gastar mais com lazer, bares, restaurantes e camisas. Para calçados, o efeito deve ser limitado”, afirma.

Expectativa de recuperação no segundo semestre

Apesar do início de ano negativo, a expectativa é de melhora nos próximos meses. Historicamente, o segundo semestre apresenta desempenho superior ao primeiro para o setor calçadista. Além disso, o calendário eleitoral pode contribuir para aquecer a economia.

“Normalmente, o segundo semestre é melhor. E, em ano eleitoral, há uma circulação maior de recursos na economia, principalmente a partir de agosto, o que pode ajudar a impulsionar o varejo”, avalia Martins.

Ainda assim, o cenário permanece incerto. O setor segue atento aos desdobramentos econômicos e à recuperação do consumo, fatores considerados decisivos para a retomada do crescimento.

Missão empresarial à China busca ampliar competitividade do polo

Outra alternativa que o setor tem buscado para ampliar vendas, é a inovação como formas de aumentar a competitividade das empresas mineiras no mercado interno e externo. Entre as ações, uma missão empresarial à China, organizada pelo Sindinova com apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), levou cerca de 20 empresários do setor ao país asiático, na segunda-feira (18).

O principal objetivo, segundo o presidente do Sindinova, é a busca por novas tecnologias e de soluções capazes de aumentar a produtividade e modernizar o parque industrial de Nova Serrana. A agenda, que vai até dia 26 de maio, inclui a participação em uma das maiores feiras de tecnologia e componentes do setor, além de visitas técnicas a fábricas chinesas, tanto de calçados quanto de máquinas e insumos.

“A ideia é conhecer de perto o que eles estão fazendo, porque estão muito à frente em termos de tecnologia. É uma oportunidade de trazer melhorias para o nosso processo produtivo, ganhar eficiência e competitividade”, explica Martins.

A iniciativa tem apoio do Sebrae, que contribuiu inclusive com recursos para viabilizar a participação dos empresários. Para o presidente da Fiemg regional Centro-Oeste, Eduardo Soares, o fortalecimento do polo calçadista de Nova Serrana impacta diretamente o desenvolvimento econômico e social da região.

“O polo calçadista é um dos grandes motores da nossa economia, responsável pela geração de empregos, renda e oportunidades para milhares de famílias. Investir em inovação, internacionalização e competitividade é fundamental para garantir o crescimento sustentável do setor e ampliar ainda mais a relevância de Nova Serrana no cenário nacional e internacional”, ressalta.

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