Sindifisco-MG: Regime de Recuperação Fiscal não é a única alternativa

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Sindifisco-MG: Regime de Recuperação Fiscal não é a única alternativa
Credito: Gil Leonardi/Imprensa MG

A nova diretoria do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG) empossada no fim do ano passado para o biênio 2022-2023 já está atuando fortemente na interlocução com agentes públicos em prol dos direitos dos servidores do Estado. O objetivo é dar continuidade ao trabalho realizado pela antiga gestão com foco na valorização do Fisco e do serviço público em geral.

Para isso, antigos pleitos e ações da categoria estão sendo mantidos. O movimento contrário à adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) proposto pela União e a busca por realização de novos concursos públicos estão entre eles.

“O Sindifisco-MG tem um compromisso com a defesa dos direitos e interesses dos seus filiados, do serviço público e da sociedade. Somos uma organização sindical autônoma, sem vinculação político-partidária. Mas enquanto dirigentes estamos sempre engajados em causas progressistas, que promovam uma sociedade mais igualitária”, resumiu o presidente, Edson Mateus, em visita ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, acompanhado pelo vice-presidente, Marco Couto.

Sobre o Regime de Recuperação Fiscal, Edson Mateus, citou os prejuízos financeiros causados a Minas pela Lei Kandir e criticou o acordo firmado recentemente pelo Estado com a União. Ele ressaltou que a entidade é contra a medida, pois a mesma é contra o servidor.

“O RRF que Minas necessita é o Regime de Recuperação da Fazenda. A fiscalização vem sendo desmantelada há anos e este quadro vem se acentuando ainda mais com perdas de direitos, arrocho salarial e redução da força de trabalho”, disse em seu discurso de posse, em dezembro passado.

O vice-presidente, Marco Couto, por sua vez, acrescentou que há duas formas de se equilibrar as contas do Estado: cortando as despesas ou aumentando as receitas e que o RRF visa apenas a primeira opção.

“Não é um acordo, mas um contrato de adesão. É preciso que haja condições de igualdade, sendo bom para Minas e para a União. Mas, para isso, precisamos de estadistas com essa visão para exigir mais garantias ao Estado. A única cláusula que, em tese, beneficia Minas é a postergação do pagamento da dívida, que já não vem sendo paga em função de liminares. Por outro lado, o Estado se compromete com garantias que podem afetar funcionários e até municípios, por meio do ICMS. É preciso discutir algo que seja bom para todos. Vemos algumas cláusulas como abusivas”, argumenta.

Arrecadação estadual

Couto também falou sobre o aumento de R$ 18 bilhões na arrecadação estadual de 2020 para 2021. Conforme já publicado, a arrecadação de impostos em Minas Gerais alcançou R$ 82,2 bilhões no ano passado. O montante ficou 28,6% superior se comparado com 2020, quando o valor foi de R$ 63,9 bilhões. Os números também mostram que somente a receita tributária foi responsável por um recurso de R$ 77,1 bilhões em 2021, aumento de 26,6% frente a 2020, quando o montante atingiu R$ 60,9 bilhões.

Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), o aumento pode ser explicado, principalmente, pelas variações dos principais indicadores macroeconômicos que afetam as receitas públicas, com destaque para a inflação e o câmbio do período, assim como pelo fato de os principais segmentos de arrecadação – como combustíveis (36,4%), comércio (27,1%), indústria (31%) e energia (12,1%) – terem sido menos afetados pela pandemia.

“Apenas com esse aumento de R$ 18 bilhões, considerando o montante que deverá ficar realmente com o Estado, já seria suficiente para honrar as dívidas. Dá para negociar sem aderir ao regime e ficar engessado pelo RRF”, argumentou o dirigente.

Couto ocupou a presidência do Sindifisco-MG por dois mandatos consecutivos e elencou alguns trabalhos realizados no período, tanto em nível estadual quanto federal. Entre eles, o empenho em favor do restabelecimento do pagamento dos servidores no quinto dia útil do mês, pelo pagamento das férias-prêmio represadas e, mais recentemente, pela realização de concursos públicos e incorporação de parte da Gepi à remuneração dos auditores fiscais.

Ele também destacou o trabalho conjunto com a Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais (Affemg) e diversas outras entidades, além da criação do Fórum Mineiro das Carreiras Típicas de Estado (Fomcate).

Por fim, os dirigentes chamaram atenção para a necessidade da realização de novos concursos públicos. De acordo com eles, o quadro histórico do governo de Minas é de 2.100 auditores fiscais, número que hoje se aproxima de mil. Além disso, cerca de um terço deste contingente já está apto a se aposentar.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas