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Sociedade quer ambiente seguro e atrativo

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Investimentos na Praça Sete estão entre apostas para a revitalização | CREDITO: ALISSON J. SILVA

A necessidade de um processo de revitalização do hipercentro de Belo Horizonte é consenso entre representantes de diferentes setores, comerciantes locais, moradores e até mesmo a Prefeitura. Diferentes caminhos são apontados e todos convergem para a busca de um ambiente seguro, atrativo e agradável para quem vive, trabalha ou apenas passa pela região. Cuidado e esforço conjunto ditarão os rumos que esta importante área da cidade vai tomar: o resgate do protagonismo econômico ou a eternização de um ambiente vazio e degradado.

São grandes as apostas em empreendimentos e investimentos que poderão colaborar para a retomada do fôlego da área central da cidade, como o P7 Criativo, hub de inovação e economia criativa, localizado na Praça Sete; a modernização e expansão do metrô (com recursos já assegurados pelo governo federal); e a privatização do Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (Tergip), a Rodoviária da Capital, que deve ter o edital lançado em breve.

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E para além destes projetos que envolvem recursos públicos nas esferas estadual e federal, junto ao poder público municipal as expectativas dizem respeito a investimentos em segurança, ambiente de negócios, incentivo à cultura, revitalização de espaços públicos e a flexibilização na legislação que rege o espaço urbano.

O presidente da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg), Bruno Falci, é um empresário antigo da região central da capital mineira. O negócio da família, a Casa Falci, data de antes de 1908. Naquela época, recorda o dirigente, os negócios de Belo Horizonte giravam em torno da avenida Afonso Pena, mais precisamente onde está localizado o icônico obelisco que se tornou um dos símbolos da cidade, na conhecida Praça Sete.

“Éramos uma empresa de material de construção. Mas com o passar do tempo, até mesmo o negócio mudou. E, de fato, hoje não tem mais espaço para isso. É normal que com o crescimento das cidades os comércios mais pesados migrem para outras regiões. É uma mudança natural e hoje nosso imóvel abriga outros tipos de comércio. Mas não foi por causa deste movimento que a região se desvalorizou. O Centro da cidade perdeu seu charme por falta de cuidado”, lamenta.

Falci relembra algumas importantes mudanças realizadas no hipercentro no passado recente destes quase 124 anos de história, como a retirada de vendedores ambulantes das ruas. “Na época do prefeito Célio de Castro havia um volume insuportável de camelôs. Ele tentou resolver, mas não deu certo. Depois, no início dos anos 2000, com Fernando Pimentel, eles foram levados para os shoppings populares, o que deu novo respiro à região, que ficou com as calçadas livres e o comércio retomou sua pujança. Porém, com o decorrer dos anos, outros problemas vieram e a insegurança voltou para o hipercentro, assim como a sujeira e o volume de pedintes e pessoas em situação de rua”, afirma.

Novo perfil

O presidente da Junta acredita que a requalificação do hipercentro passa pela habitação e que a Prefeitura precisa incentivar esse movimento. O pensamento do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, é semelhante. Além da conversão de prédios comerciais em residenciais, ele menciona a revitalização de calçadas, o investimento em segurança e a limpeza das ruas como caminhos para essa requalificação.

Para Silva, a palavra que rege a revitalização da região é cuidado. “Somos metrópole e temos nossas particularidades. Mas precisamos valorizar o centro da cidade, que está abandonado, sujo e perigoso. Isso afugenta moradores, consumidores e empresários“, admite.

Segundo o dirigente, a CDL-BH está pronta para se unir a outras entidades e aos agentes públicos, como a própria Prefeitura e a Câmara Municipal, neste processo de revitalização. “Os projetos são inúmeros e o esforço precisa ser conjunto, mas nenhum deles será efetivamente operacionalizado se o poder público não vier junto e protagonizar este processo. Pois a legitimidade para determinados assuntos é do Executivo e do Legislativo”, resume.

Já o vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Epiphânio Camillo, ressalta que a entidade tem uma percepção real da situação do hipercentro, uma vez que sua sede está localizada no coração da região. Ele lamenta o atual cenário, mas garante que não se trata de uma situação irreversível e diz que iniciativa privada e Prefeitura precisam se aliar neste propósito.

“Há muitas oportunidades. No passado já tivemos o Instituto Horizontes, movimento pelo qual a sociedade civil de interesse público se articulava em prol de estudos e ações em prol da melhoria da qualidade de vida na capital mineira, mas os projetos não saíram do papel. Hoje, precisamos que entidades de classe como a ACMinas retomem e liderem este processo, de forma a ampliar a visão e o alcance das ações. Os governantes não são permanentes, mas as ideias coletivas e em prol do bem comum, sim”, argumenta.

Prefeitura prevê ações combinadas para revitalização

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) não possui um projeto específico de requalificação e revitalização do hipercentro, mas prevê ações combinadas em áreas da região com o objetivo de tornar o ambiente mais seguro, atrativo e agradável para moradores, comerciantes, investidores e frequentadores da região metropolitana.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Cláudio Beato, defende que o fortalecimento e desenvolvimento da cidade passa pelo hipercentro, pois, apesar da importância das demais centralidades, a região recebe um maior fluxo de pessoas. “Por mais que haja um processo de descentralização, não é viável abandonar o Centro. Na Europa, as áreas centrais são muito emblemáticas e sob o ponto de vista da nossa vocação enquanto cidade e levando em conta o potencial histórico e cultural, o processo deveria ser semelhante”, compara.

Para Beato, o trabalho de revitalização começa por um diagnóstico abordando não apenas os negócios, mas os imóveis ocupados e desocupados da região e as possibilidades de dinamização cultural e artística. Neste quesito, ele cita que o Centro conta hoje com cerca de 7 mil domicílios e possui rendimento médio superior ao restante da Capital. Já em termos de empresas ativas são 22.079. As principais atividades exercidas são comércio varejista, alimentação e serviços de escritório, mas a região engloba 78 atividades diferentes.

Segundo ele, não bastassem as dificuldades enfrentadas pelos negócios instalados na região em função dessa desvalorização ao longo do tempo, as limitações impostas pela pandemia de Covid-19 aumentaram ainda mais os desafios dos negócios instalados no hipercentro. De toda maneira, mesmo com um grande volume de baixa nas empresas, o número não superou os mais de 8 mil negócios fechados entre 2017 e 2018 – após período turbulento enfrentado pela economia nacional. No ano passado foram encerradas 1.526 empresas na região e neste exercício o número até setembro chega a 1.407.

“A pandemia afetou diversos setores, e entendemos que temos que lidar com todos eles. Por isso, iniciamos alguns estudos sobre onde poderíamos atuar e a estratégia vai seguir algo que já vínhamos traçando, que é a retomada do protagonismo pelo hipercentro através do incentivo à economia criativa”, revela.

Em 2019 o Executivo lançou o Horizonte Criativo, um programa intersetorial para pensar e incentivar o desenvolvimento e a prosperidade das atividades criativas na Capital. Todas as iniciativas do Horizonte Criativo se relacionam diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e envolvem segurança pública, inclusão socioprodutiva, melhoria do ambiente de negócios, dinamização cultural e turística, requalificação e intervenções urbanas.

“A partir disso, a ideia é que tenhamos ações de revitalização de ordem pública por áreas da região central. Este trabalho foi iniciado pela Secretaria de Planejamento Urbano e pela Guarda Municipal no quarteirão da rua rio de Janeiro. Mas não para por aí. Ainda vamos ter investimentos em iluminação, a instalação de uma delegacia, ações de videomonitoramento em parceria com a iniciativa privada, além de projetos de inclusão socioprodutiva, pois a formação e a qualificação profissional também são determinantes neste processo, inclusive junto a pessoas em situação de rua e transeuntes”, conclui.

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