Editorial

O outro lado do espelho

Pré-candidata do PSOL propõe agenda distante do discurso pró-mercado na série do Diário do Comércio sobre as eleições ao governo de Minas
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O outro lado do espelho
Foto: Diário do Comércio / Guilherme Ferreira Rocha

Minas Gerais tem 11 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não concluíram a educação básica. Tem trabalho escravo na cadeia produtiva do café. Tem rios destruídos pela mineração predatória. Tem uma dívida com a União que engessa o Estado há décadas. Esses não são dados de campanha da esquerda. São fatos. E é sobre eles que Maria da Consolação (PSOL) constrói sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.

A série Diário do Comércio Eleições Minas 2026 se propõe a ouvir o espectro mais amplo possível de candidatos, justamente porque o debate qualificado exige que visões distintas sejam confrontadas com as mesmas perguntas. Maria da Consolação respondeu às mesmas questões sobre ambiente de negócios, dívida pública, infraestrutura e mineração que foram feitas aos demais pré-candidatos. E suas respostas deixam claro onde está o contraponto.

Enquanto o debate econômico convencional discute como privatizar a Copasa com salvaguardas, ela defende reverter a privatização. Enquanto outros candidatos falam em desburocratizar para atrair investimento privado, ela propõe orçamento participativo e planejamento de Estado. Enquanto o agronegócio é celebrado como locomotiva de Minas, ela cobra reforma agrária e denuncia trabalho escravo no campo. Não são posições para o centro. São posições para um eleitorado que o noticiário econômico raramente pauta, mas que existe e vota.

O mérito do debate não está na concordância. Está na clareza. E Maria da Consolação é clara: defende um Estado forte, intervencionista, redistributivo. Classifica os oito anos de Zema como “terra arrasada” e vê nas privatizações não uma solução fiscal, mas um projeto político de enriquecimento de grupos específicos às custas do patrimônio público. Sua aposta para equacionar a dívida passa pela renegociação com o governo federal e pela reeleição do presidente Lula, condição que ela enuncia sem rodeios. Para ela, o dinheiro dessa renegociação tem destino certo: saúde, educação, moradia, transporte e lazer, porque é garantindo esses direitos que o Estado se restabelece e volta a arrecadar.

Uma democracia que só ouve candidatos alinhados ao mercado não é um debate. É um monólogo. O futuro de Minas se decide nas urnas, e as urnas são de todos. A cobertura que o Diário do Comércio propõe para 2026 parte dessa premissa: perguntas iguais, espaço igual, julgamento do leitor.

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