Economia

TCU aprova parecer de concessão da BR-381

Desestatização deve tirar do papel o projeto esperado por décadas pelos mineiros: a duplicação da estrada que ficou conhecida como Rodovia da Morte
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TCU aprova parecer de concessão da BR-381
ANTT prevê R$ 5,5 bilhões em investimentos em concessão | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo Diário do Comércio

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, por unanimidade, o parecer favorável ao projeto de concessão da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. A desestatização deve tirar do papel o projeto esperado por décadas pelos mineiros: a duplicação da estrada que ficou conhecida como Rodovia da Morte pelo alto índice de acidentes fatais.

O relator do processo na Corte, ministro Antonio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais, classificou o projeto como “histórico e revolucionário” e pediu ajustes, que chamou de pertinentes, à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Anastasia ainda estabeleceu o prazo de 60 dias para o retorno acerca das determinações e recomendações.

“Senhores ministros, conhecedor da importância dessa rodovia para o Estado de Minas Gerais e a região Leste do País, fico na expectativa do sucesso, não apenas na realização do leilão, mas também ao longo de toda a vigência do contrato, no sentido de que sejam atingidos benefícios tão esperados pela população mineira e que se dê fim a tão famigerada Rodovia da Morte”, declarou Anastasia ao ler seu relatório no plenário do TCU.

BR-381 teve duas tentativas de privatização fracassadas

A agência encaminhou as propostas de intervenção na BR-381 ao tribunal em setembro do ano passado. Depois de duas tentativas fracassadas, em julho passado, a ANTT lançou um novo projeto para a concessão. E agora prevê R$ 5,5 bilhões em investimentos. Deste total, a empresa deverá aportar R$ 4 bilhões nos primeiros oito anos de execução do contrato.

A versão original incluía um trecho da BR-262 até o Espírito Santo. Ou seja, a opção então foi desmembrar as concessões e reservar recursos do Acordo de Mariana para a BR-262. Na época, a ANTT informou que as mudanças se justificam pela necessidade de tornar o projeto mais atrativo e atual. Assim, o Ministério da Infraestrutura cortou pela metade a extensão a conceder. Saiu de 686 quilômetros para 304 km.

Já o prazo de concessão foi mantido em 30 anos. A empresa ou consórcio vencedor deverá fazer a recuperação, operação, manutenção e implantação de melhorias, entre elas, obras de duplicação.

Edital está previsto para julho e leilão para novembro

No início da semana, o ministro dos Transportes, Renan Filho, foi às redes sociais comemorar a apreciação do projeto pelo plenário do TCU. “Com uma decisão favorável, vamos publicar o edital em julho e fazer o leilão já em novembro”, adiantou.

O senador mineiro Carlos Viana (Podemos), por sua vez, comemorou o resultado. E ressaltou que participou ativamente do projeto, desde o primeiro ano como senador.

“Buscamos o modelo certo, dar prioridade às decisões e conseguimos, por parte do governo passado, que Minas ficasse à frente dessa decisão. A BR-381 era nossa principal luta na questão da infraestrutura e agora temos essa excelente notícia de que o projeto de privatização que trabalhamos foi bem-sucedido. Um futuro novo vai se espelhar para uma das rodovias mais perigosas de Minas Gerais. Com trabalho, com dedicação, a política consegue dar as respostas, ainda que demoradas, à sociedade”, afirmou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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