Economia

Usiminas abafa altos-fornos e paralisa produção

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Usiminas abafa altos-fornos e paralisa produção
A Usiminas reduziu as projeções de investimentos de R$ 1 bilhão para R$ 600 milhões neste ano | Crédito: Divulgação

A retração da atividade econômica brasileira ocasionada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) levou a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) a tomar medidas drásticas quanto à produção. A companhia anunciou o abafamento dos dois altos-fornos e a suspensão das atividades da aciaria 1 da Usina de Ipatinga, no Vale do Aço, e a paralisação temporária da Usina de Cubatão, em São Paulo.

Conforme anunciado pela siderúrgica, por meio de fato relevante, os trabalhos serão suspensos a partir de amanhã (4) no alto-forno 2 de Ipatinga e as demais medidas serão aplicadas a partir do dia 22. A Usiminas alterou também as projeções de investimentos para o ano. Inicialmente estimados em R$ 1 bilhão, agora os aportes deverão somar R$ 600 milhões.

As medidas foram aprovadas pelo conselho de administração da empresa e têm caráter temporário, com o objetivo adequar a produção à demanda de mercado, que se encontra em queda em função da retração da atividade econômica ocasionada pela disseminação da doença no País.

“A companhia esclarece que, após a implementação das medidas, a usina de Ipatinga continuará a operar suas demais linhas produtivas, como o alto-forno 3, a aciaria 2, e as laminações e galvanizações”, disse no documento enviado ao mercado financeiro.

Também no documento, a Usiminas reiterou que segue avaliando constantemente os impactos da crise causada pela pandemia sobre suas operações e manterá o mercado devidamente informado sobre novos desdobramentos.

Conforme a empresa, em Cubatão será concedida antecipação de férias por 30 dias para os funcionários. Já as equipes lotadas nos escritórios, tiveram o regime de home office estendido e as férias de parte dos efetivos da Usiminas Mecânica e da Soluções Usiminas já estão em curso.

“Para a segurança dos colaboradores que seguirão atuando nas plantas, a companhia segue aplicando todos os protocolos recomendados de medidas preventivas na condução de atividades operacionais. Entre outras ações, foi intensificada a higienização de áreas, aferição de temperatura na entrada da Usina e/ou ônibus, readequação de refeitórios, controle de lotação dos ônibus, cancelamento de viagens e visitas, suspensão de reuniões presenciais, entre outros”, garantiu em nota enviada à imprensa.

Investimentos – Conforme já publicado, o investimento de R$ 1 bilhão previsto, até então, para 2020, representaria aumento de cerca de 45% sobre o montante aplicado em 2019. No ano passado, a empresa realizou aportes de R$ 690 milhões, embora, em meados do ano, tenha estimado algo em torno de R$ 800 milhões. Agora, o aporte previsto ficará 13% abaixo do realizado no exercício passado.

Alguns projetos da companhia já tinham sido adiados e poderão ter novas datas estabelecidas. Havia expectativa, por exemplo, de obter, ainda em dezembro de 2018, a licença de instalação do projeto de filtragem e empilhamento na área de mineração. Com o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a concessão não ocorreu.

Em termos de desempenho, o setor siderúrgico nacional já estima encerrar o ano com queda de 20% no consumo ao longo do ano de 2020. A projeção inicial do Instituto Aço Brasil dava conta de um avanço de 5% sobre 2019, mas possivelmente será impactada pela paralisação das indústrias de máquinas e equipamentos, automotiva e construção civil que, juntas, respondem por 80% do que produzido pelas usinas nacionais.

O Aço Brasil estima ainda que a demanda do parque siderúrgico caia pela metade neste mês sobre março e que o resultado do segundo trimestre seja pelo menos 40% inferior ao dos primeiros três meses deste exercício.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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