Venda de parte da CBL Refinaria para indiana Altmin pode ser cancelada
A venda de 33% da CBL Refinaria, braço de refino da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), por US$ 40 milhões para a indiana Altmin está próxima de ser cancelada. O recuo ocorre em razão, principalmente, de divergências envolvendo o preço do carbonato de lítio no contrato de offtake fechado de forma concomitante ao acordo de sociedade.
Diante disso, fica suspenso o projeto de expansão da planta química, localizada em Divisa Alegre, no Norte de Minas Gerais, até que avancem as tratativas do grupo com outros players internacionais interessados em selar uma parceria em modelo semelhante. As discussões, no entanto, não têm data para conclusão por serem complexas e longas.
As informações foram apuradas pelo Diário do Comércio e confirmadas pelo CEO da CBL, Vinicius Alvarenga. A possibilidade de o negócio com a Altmin ser desfeito foi divulgada inicialmente pelo portal O Fator.
Conforme noticiado anteriormente, a parceria entre a CBL Refinaria e a empresa indiana, anunciada em fevereiro deste ano, viabilizaria a ampliação da unidade de compostos químicos. O plano – que estava em estudo desde 2024, mas entrou em compasso de espera devido a um momento de baixa nos preços do lítio – prevê aumentar a capacidade de produção anual de carbonato e hidróxido de lítio de 2.000 para 6.000 toneladas (t).
O aporte financeiro da sociedade seria integralmente direcionado à expansão, cujo custo total previsto não foi revelado, embora supere o valor do acordo. Apesar de estratégico, o recurso do equity não era considerado o maior atrativo da negociação, e sim o offtake, com prazo de 15 anos, em volumes e bases relevantes para a CBL.
Pelo contrato, a Altmin, cliente do grupo desde 2019, receberia carbonato de lítio, a princípio, em patamares menores, e quando a planta química estivesse expandida, 5.000 t por ano. O restante da futura produção da unidade seria dividido em diferentes tipos de carbonato e hidróxido para atender ao mercado brasileiro.
Entrada de sócio na mineração e obras de expansão da unidade
Em paralelo à desaceleração dos planos para a refinaria, a CBL já deu início ao projeto de ampliação da unidade de mineração, localizada entre Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. E avançou com as negociações com interessados em comprar uma fatia minoritária no braço mineral, possibilidade revelada pelo Diário do Comércio.
“Em breve a CBL deve anunciar quem será o novo investidor estratégico minoritário na mineração e iniciar as obras da expansão”, afirma Alvarenga à reportagem. Segundo o CEO, o início dos trabalhos não depende da entrada de novos sócios na empresa, mas as duas frentes estão progredindo concomitantemente.
Vale lembrar que o plano de ampliação da unidade de mineração prevê aumento da capacidade de produção anual de 50 mil para 115 mil t, mediante investimento da ordem de US$ 90 milhões. A CBL também dispõe de recursos auditados para expandir, mais adiante, para 200 mil t por ano, projeto que poderia ser viabilizado com um acordo de sociedade.
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