Venda de veículos novos cresce 31,49% em Minas e supera média nacional

Crescimento em Minas foi de 31,49% entre janeiro e agosto, ante 15,3% no País; renda e concorrência entre montadoras ajudam a explicar o desempenho
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Venda de veículos novos cresce 31,49% em Minas e supera média nacional
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O número de emplacamentos de veículos em Minas Gerais cresceu 31,49% de janeiro a agosto deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. No período, foram emplacadas 371.591 unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e outros veículos, 143.552 mil a mais que no ano passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (2) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Mais uma vez, o crescimento em Minas Gerais foi mais expressivo que o registrado no País. No Brasil, foram emplacados 3,7 milhões de veículos de janeiro a agosto, alta de 15,3% ante os 3,2 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Na avaliação do coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Ibmec-BH, Ari Francisco de Araujo Jr., Minas Gerais reúne fatores que favorecem esse desempenho. “É o segundo maior mercado consumidor do País, possui economia bastante diversificada (mineração, agronegócio, indústria, comércio e serviços) e uma forte rede de cidades médias, o que amplia a demanda por mobilidade e renovação de frota”, diz.

Além disso, Araujo Jr. destaca que o desempenho recente do mercado de trabalho e da renda tem sustentado o consumo de bens duráveis, incluindo veículos.

Considerando apenas agosto, os emplacamentos em Minas Gerais cresceram 7,15% em relação a julho e 26,43% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No período, foram emplacados 81,4 mil veículos.

Tanto no acumulado do ano quanto em agosto, o crescimento foi impulsionado pelos emplacamentos de automóveis. Ao todo, foram 62,8 mil unidades emplacadas no oitavo mês do ano em Minas Gerais, ante 48,6 mil em agosto do ano passado. No acumulado do ano, o volume passou de 329 mil para 460 mil unidades.

O coordenador do Ibmec-BH avalia que a combinação entre o aumento da renda, a concorrência entre as montadoras e a valorização dos veículos usados nas negociações tem estimulado a demanda.

O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, tem avaliação semelhante e acrescenta entre os fatores que impulsionam o mercado programas do governo federal, como o Carro Sustentável e o Move. “Além disso, os automóveis e comerciais leves também têm sido impulsionados pela alta concorrência entre marcas, que vêm realizando promoções interessantes ao consumidor”, comenta.

Ele ressalta que os resultados continuam positivos mesmo em um ambiente de crédito caro. “A redução gradual da Selic e a manutenção de um mercado de trabalho aquecido são sinais favoráveis, embora ainda seja necessário acompanhar a evolução da economia nos próximos meses”, afirma.

Motocicletas ganham espaço como ferramenta de trabalho

As motocicletas também registraram crescimento. Foram 111,9 mil unidades emplacadas no Estado de janeiro a agosto, ante 100,6 mil no mesmo período do ano passado, avanço de 11,19%. Na comparação mensal, a alta foi de 5,4%, enquanto, em relação a agosto de 2025, o crescimento chegou a 15,34%.

Segundo o coordenador do Ibmec-BH, a motocicleta deixou de ser apenas um meio de transporte e se consolidou também como ferramenta de trabalho. “O avanço dos aplicativos de entrega, o menor custo de aquisição e manutenção em relação ao automóvel e a busca por alternativas de mobilidade têm ampliado a demanda. Em períodos de orçamento mais apertado, a motocicleta costuma ganhar competitividade”, afirma.

Já no segmento de caminhões e ônibus, os emplacamentos recuaram 10,23% no Estado no acumulado do ano, enquanto, no Brasil, a queda entre os veículos pesados foi de 4,64%. Na comparação com julho, o volume emplacado em Minas também caiu 17,74%. Em relação a agosto do ano passado, no entanto, houve crescimento de 24,98%.

Nesse caso, Araujo Jr. afirma que o cenário financeiro é um dos principais fatores que explicam a retração. “Caminhões e ônibus dependem fortemente de crédito de longo prazo, e juros elevados aumentam o custo do investimento, levando empresas a postergar a renovação de frota”, diz.

Na avaliação do especialista, há também maior cautela dos empresários diante das incertezas econômicas associadas ao período eleitoral.

Setor cresce 15,3% no Brasil

No Brasil, os emplacamentos de veículos cresceram 15,3% de janeiro a agosto. Na comparação com agosto do ano passado, a alta foi de 16,9%. De acordo com a Fenabrave, o resultado representa o terceiro melhor desempenho para um mês de agosto na série do setor.

Em relação a julho, o setor registrou queda de 0,14%. A Fenabrave já projetava uma redução do ritmo de expansão ao longo do ano em função da taxa de juros elevada.

Raio-X dos emplacamentos

  • Crescimento em Minas (jan-ago): 31,49%
  • Crescimento no Brasil (jan-ago): 15,3%
  • Veículos emplacados em Minas (jan-ago): 599,3 mil
  • Emplacamentos adicionais no Estado: 143,5 mil
  • Veículos emplacados em agosto em MG: 81.491
  • Alta de agosto sobre julho: 7,15%
  • Alta de agosto sobre agosto de 2025: 26,43%
  • Crescimento das motocicletas no ano: 11,19%
  • Queda de caminhões e ônibus no ano: 10,23%
  • Projeção da Fenabrave para o setor em 2026: 8,6%
  • Projeção para automóveis e comerciais leves: 8,8%
Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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