Álbum da Copa: venda de figurinhas fura a bolha das bancas e se espalha pelo comércio de Minas Gerais
A febre dos álbuns e figurinhas oficiais da Copa do Mundo 2026 está furando a bolha de público e de pontos de venda. Com um um perfil cada vez mais amplo de consumidores, os adesivos tradicionalmente encontrados em bancas agora também são comercializados em estabelecimentos como livrarias, supermercados e até drogarias. O movimento, que aquece o comércio, é resultado da criação de uma grande comunidade de colecionadores formada por fãs de futebol, familiares e o público consumidor de itens colecionáveis, de diferentes idades.
A versão do álbum brochura já é o livro físico mais vendido no Brasil em 2026, segundo levantamento realizado pela PublishNews, em parceria com a NielsenIQ. Ele lidera a Lista Nielsen-PublishNews de Livros Mais Vendidos deste ano, com 125.708 exemplares. Já as figurinhas aparecem como os produtos mais vendidos pelos comerciantes mineiros.
Esses itens já respondem por aproximadamente 90% das vendas nas lojas da Panini em Belo Horizonte. O vendedor da unidade localizada na Savassi, região Centro-Sul da Capital, Augusto Varela, relata que a movimentação de clientes foi muito elevada no período de lançamento do produto, superando três vezes o registrado no Natal, por exemplo.
Segundo ele, o perfil do consumidor é bastante variado quanto à faixa etária, sexo e classe social; com destaque para os adolescentes e as crianças. “As mães compram e ficam animadas com o álbum junto com os filhos”, completa.
A empreendedora Ana Lúcia Fagundes é uma dessas mães que foram incentivadas pelos filhos e acabaram participando dessa atividade de comprar e colecionar figurinhas. Ela lembra que quando era mais nova não tinha esse costume devido aos preços desses itens, mas agora Ana Lúcia pretende investir no novo hobby, pelo menos, até completar as páginas da seleção brasileira.
“Eu não tenho uma estimativa de quanto eu vou gastar, mas eu diria que, só neste mês, eu já devo ter gastado por volta de R$ 400”, relata.
Varela lembra que os álbuns e figurinhas devem permanecer disponíveis no período de um ano, porém, ele projeta uma estabilidade nas vendas ao longo dos próximos dias. “Vai depender dos resultados dos jogos: com o Brasil ganhando vai aumentar muito as vendas”, avalia.
O atendente e vendedor da loja da Panini no Shopping Cidade, Caio Lima Justino, também tem notado um movimento intenso de pessoas à procura desses itens. Ele acredita que essa movimentação deve aumentar ainda mais devido à previsão de chegada da versão do álbum com capa dourada e prata na próxima segunda-feira (25), além do início da competição em junho.
“A tendência é de que o movimento cresça ainda mais e esperamos vender bastante. Desde que os álbuns foram lançados em nossa loja, tem vendido bastante, sendo um dos produtos mais procurados nesses últimos meses”, relata.
Varejistas mineiras apostam nas vendas de figurinhas da Copa do Mundo

Além da editora italiana, algumas varejistas mineiras também estão aproveitando essa febre das figurinhas para aumentar as vendas de suas operações. O head de marketing da Livraria Leitura, Rafael Martinez, afirma que as vendas de álbuns e figurinhas da Copa do Mundo nas lojas da rede em Minas Gerais seguem fortes e dentro de uma expectativa positiva.
“Mesmo em um cenário mais competitivo, com os produtos sendo vendidos também em supermercados, farmácias e outros canais, a rede continua consolidada como um dos principais pontos de compra para os colecionadores”, diz.
A empresa projeta comercializar cerca de 20 milhões de pacotes de figurinhas ao longo do ciclo da Copa nas 136 unidades distribuídas pelo Brasil. Martinez relata que os álbuns e figurinhas já estão entre os produtos de maior destaque da varejista no período. Segundo ele, a campanha representa um incremento acima de 10% no faturamento da Leitura, tornando-se uma operação estratégica para o negócio.
“Além das vendas diretas, o produto aumenta o fluxo de consumidores nas lojas e impulsiona outras categorias, como papelaria, mangás, jogos e itens colecionáveis”, destaca.
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Já a gerente comercial de conveniência e infantil da Drogaria Araujo, Isabella Araujo Parreiras Gontijo, relata que as vendas seguem em ritmo acelerado nas lojas e nos canais digitais da varejista, com uma média de 20 mil pacotes de figurinhas e 300 álbuns por dia. Ela esclarece que essa diferença está relacionada ao fato de o cliente adquirir o álbum uma única vez e retornar posteriormente para completar a coleção com novas figurinhas.
Esses produtos já estão entre os mais vendidos pela empresa em Minas. “As figurinhas já ocupam posição de destaque entre os itens mais vendidos da empresa em valor, figurando atualmente como o quarto produto com maior volume de vendas”, afirma.
A gerente de marketing e trade da rede Farid Supermercados, Luísa Mendanha, destaca que as figurinhas, por exemplo, já aparecem entre os 20 produtos mais vendidos em volume pela varejista. Ela avalia que a venda desses itens tem impactado positivamente na movimentação de clientes nas lojas.
Luísa Mendanha relata que a empresa chegou a registrar recorde de vendas na primeira semana, a ponto de ter que reforçar o estoque devido a grande procura. “Nós também estamos realizando eventos de troca de figurinhas nas lojas, que começaram neste final de semana”, completa.
O dono de banca, José Raimundo Matos, relata que a demanda por esses produtos está grande, com destaque para as figurinhas e para a forte presença de idosos comprando para seus netos. Ele ressalta que no início das vendas foi possível observar forte procura por álbuns de capa dura, porém, esse movimento tem diminuído nos últimos dias.
O estabelecimento está funcionando a cerca de um ano no Centro da capital mineira, portanto, esta é a primeira edição em que Matos comercializa itens oficiais da Copa do Mundo. O empresário destaca que os bons resultados também estão sendo percebidos por outros donos de bancas, sendo um dos produtos mais vendidos.
“A febre agora está sendo da figurinha e do álbum. Está havendo uma procura maior desses materiais, mas também vendemos muitos doces, meias, isqueiros e refrigerantes”, diz.
Perfil dos consumidores

A demanda atual, segundo o head de marketing da Leitura, apresenta algumas semelhanças com o fenômeno observado com os “Bobbie Goods” no ano passado, principalmente no aspecto emocional e no engajamento do público. “Assim como ocorreu com os livros para colorir, o álbum da Copa cria comunidade, recorrência e experiência”, explica.
Esse tipo de consumidor não vai até a loja apenas comprar um produto. Martinez relata que ele tende a retornar várias vezes à unidade para trocar figurinhas e interagir com outros colecionadores, transformando a experiência em um ritual social. A diferença, segundo ele, é que a Copa tem um alcance ainda mais amplo e multigeracional, mobilizando crianças, jovens e adultos.
O público desses produtos é bastante diversificado, porém, o especialista ressalta a predominância de famílias inteiras, crianças, adolescentes e colecionadores adultos, grande parte movido pela nostalgia e pela tradição da Copa do Mundo. Há ainda aqueles que já acompanham categorias ligadas ao universo geek e colecionável, como cards, mangás e jogos.
“Além disso, a experiência de troca de figurinhas transforma as lojas em pontos de encontro, atraindo pessoas interessadas tanto na coleção quanto na convivência social em torno do álbum”, acrescenta.
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A vendedora e atendente de banca, Ênia Pereira, relata que a maioria das pessoas que têm ido até o estabelecimento em busca desses produtos são jovens e mães, fazendo com que as vendas atinjam cerca de 200 figurinhas em alguns dias. “O perfil é bem variado, mas tem muitos estudantes que passam por aqui”, descreve.
Ela pontua que desde o dia que esses itens chegaram na banca, a movimentação e as vendas têm sido intensas. A expectativa da vendedora é de que esse ritmo possa apresentar uma desaceleração. “De tudo que nós vendemos, a maior procura está sendo de figurinhas e álbuns”, diz.
Expectativas para os próximos dias
A Drogaria Araujo projeta demanda aquecida, pelo menos, até o fim de junho. “Impulsionada pelo engajamento do público com a coleção, pelas trocas de figurinhas e pela tradição que o álbum da Copa mantém entre crianças, jovens e adultos”, completa Isabella Araujo Parreiras Gontijo.
Já a Livraria Leitura estima um crescimento ainda maior no movimento das lojas ao longo das próximas semanas, à medida que a Copa do Mundo se aproxima e os consumidores avançam nas coleções. Martinez lembra que esse é um período historicamente marcado pela forte recorrência, já que o cliente volta diversas vezes para comprar novos pacotes e completar o álbum.
“A tendência é de aumento contínuo no fluxo até o início do mundial, impulsionando tanto as vendas de figurinhas quanto de outros produtos associados ao universo colecionável”, conclui.
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