Especial

FCA em Betim atinge 100% de autonomia

Crédito: Leo Lara/Studio Cerri
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00

A fábrica da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), atingiu recentemente 100% de autonomia no processo de desenvolvimento de novos veículos.

A entrega de todas as etapas anteriores à industrialização, incluindo conceito e certificação, consumiu aportes superiores a R$ 1 bilhão nos últimos anos, e permitiu que a unidade passasse de uma simples montadora de veículos a um polo de desenvolvimento automotivo instalado em Minas Gerais.

Atualmente, a FCA leva de três a quatro anos para desenvolver um veículo do zero, partindo do briefing conceitual. Este documento reúne insights e oportunidades captadas por meio de pesquisas de mercado, perfis de consumidores e análise de tendências, orientando os times de Engenharia, Design, entre outras áreas, na criação do lançamento da marca.

Quem explica é o diretor de Portfólio, Pesquisa e Inteligência Competitiva da FCA para a América Latina, Breno Kamei. Segundo ele, desde agosto deste ano, o briefing conceitual é feito no hub da FCA, um espaço colaborativo para encontro de pessoas, gerações e culturas, que visa novas formas de processos de criação. O local é inspirado em uma estrutura de rede, integrando funcionários das mais diversas áreas e parceiros em um ambiente colaborativo.

Externamente, o espaço busca conectar a FCA a um ecossistema de empreendedorismo e startups, para ampliar a consciência e construir estratégias consistentes de inovação, com o propósito de alcançar novos territórios, novos mercados e novos modelos de negócio.

“Precisamos ter o máximo de controle de todas as etapas, principalmente porque hoje o consumidor não quer apenas comprar um veículo; ele valoriza a experiência completa: da aquisição ao consumo. Convergente a isso, ainda temos que contemplar os pilares de desenvolvimento da indústria automotiva, sob o ponto de vista tecnológico, que são a autonomia veicular, a conectividade, as soluções de mobilidade e a eletrificação”, diz.

E, na busca pelo novo, uma das áreas de atuação do hub é a conectividade, com o desafio de atender aos anseios dos consumidores no quesito inovação e tecnologia digital. Segundo o diretor, mais do que mobilidade, o carro conectado será o ponto de partida para novas soluções que irão viabilizar relevantes transformações na jornada do consumidor, simplificando tarefas cotidianas.

“Estamos vivendo uma nova era em termos de experiência do consumidor. O ato de dirigir está mudando e, como globalmente todos estão focados no desenvolvimento de novas tecnologias, nossa preocupação é trazer isso para a realidade do brasileiro: um cliente altamente conectado e que entrega diferentes demandas”, comenta.

Ainda conforme Kamei, o processo de concepção de um novo produto vai desde as pesquisas sobre o público-alvo, suas necessidades e demandas e o que existe disponível no mercado enquanto solução, passando pela criação de uma proposta de valor competitiva, análise de viabilidade técnico-financeira, até a aprovação inicial. Depois disso, inicia-se o processo de design, valorização e entendimento do produto, envolvendo outras áreas até a aprovação final do modelo e o início da industrialização.

“Esse processo completo, de criação do briefing conceitual, dura cerca de seis meses. Neste período, buscamos cercar o máximo possível quaisquer lacunas, antes que chegue na Engenharia e Design. Já o investimento médio em um novo produto é de algo em torno de R$ 1 milhão, fora todos os aportes em novas frentes e tecnologias, como indústria 4.0 e automação”, revela.

LEIA MAIS:

FCA evoluiu para polo de desenvolvimento em 17 anos

Safety Center demandou aporte de R$ 40 milhões

CP&D da FCA conta com dois mil técnicos e engenheiros

Até 2024, planta receberá R$ 8,5 bilhões

Por falar em novas frentes, o polo vem recebendo contínuos investimentos para incorporar os mais modernos processos e tecnologias, visando à transformação digital do processo produtivo, sem deixar de lado o pioneirismo e os diferenciais de mercado. Até 2024, os recursos direcionados à unidade chegarão a R$ 8,5 bilhões – valor que representa o maior investimento da FCA em Betim desde a inauguração da fábrica, em 1976.

Em visita ao Brasil no primeiro semestre deste ano, o CEO mundial da FCA, Mike Manley, anunciou que os aportes contemplarão a instalação de nova fábrica de motores GSE Turbo no Polo Automotivo Fiat. Essa será a primeira fábrica de motores turbos da FCA no Brasil e o investimento foi disputado entre o mercado mineiro e o chinês, mas Minas Gerais acabou conquistando a fábrica, que vai gerar 300 empregos diretos e outros 900 indiretos.

A nova família de motores são GSE Turbo de três e quatro cilindros, batizados de T3 e T4, além do E4. A capacidade de produção da nova fábrica será de 400 mil motores e transmissões por ano. Com isso, Betim será o maior polo produtor de motores e transmissões da América Latina, com capacidade de produção de 1,3 milhão de unidades por ano a partir de 2020, já que a unidade já fabrica três outras famílias de motores.

Ainda dentro do orçamento de R$ 8,5 bilhões, a montadora planeja 15 ações de produto até 2024, entre novos modelos, renovações e séries especiais. Em Betim, está previsto o início de produção de três novos modelos nas linhas de montagem a partir de 2020. Dois deles marcam a entrada da empresa no segmento de SUVs. Somando as marcas Jeep e RAM, as ações de produto chegarão a 25 até 2024.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas