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Amintas Vidal*

O Honda HR-V já foi o SUV compacto mais vendido do Brasil. Lançado em 2005, mesma época do Jeep Renegade, eles batalham por este título até hoje.

Em outubro do ano passado, o DC Auto recebeu o Honda HR-V EXL para avaliação. Agora, avaliamos a versão acima da EXL, a Touring, equipada com motor 1.5 turbo.
Pontuaremos suas características comuns, destacaremos os equipamentos que deveriam justificar os R$ 26,5 mil de diferença no preço entre as duas versões e mostraremos os motivos que estão deixando um dos melhores utilitários do mercado para trás nas vendas.

As versões do HR-V são vendidas em configuração única, com todos os equipamentos de série, e sem opcionais.

Os principais itens que a Touring traz, a mais que a ELX, são: teto solar panorâmico, revestimento em material sintético que imita o couro em padrão claro e com perfurações nas partes centrais do banco, conjunto ótico frontal 100% em LED, chave presencial para abertura, fechamento das portas e partida do motor por botão, câmera posicionada no retrovisor externo direito para eliminar pontos cegos e antena tipo “barbatana de tubarão”.

Esteticamente, apenas a saída dupla do sistema de escapamento, o visual diferenciado dos faróis em LED e toda iluminação dos compartimentos da cabine, que também são brancas.

A exceção é a luz do porta-malas, amarela, como nas outras versões.
Entre os equipamentos existentes, em ambas as versões, os destaques são: ar-condicionado digital, direção com assistência elétrica, volante com comandos do áudio e do piloto automático, travas e vidros elétricos com função um toque e multimídia com tela de 7 polegadas e espalhamento por Android Auto e Apple CarPlay.

Quanto à segurança, estão presentes: seis airbags, controles de tração e estabilidade, ABS com EBD, assistente de partidas em rampas, sensor crepuscular, sensor de chuva, luz de rodagem diurna (DRL), fixação Isofix para cadeirinha infantil e alerta de frenagem emergencial.

Freio de estacionamento eletrônico com bloqueio em paradas, alarme, computador de bordo, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros com câmera de marcha a ré multivisão e rebatimento elétrico dos retrovisores com função de regulagem automática para execução de baliza completam os equipamentos comuns às duas versões.

Motor e câmbio – O motor 1.5 Turbo 16V DOHC é realmente o grande diferencial da versão Touring. Construído em alumínio, atinge potência máxima de 173 cv às 5500 rpm e seu torque de 22.4 kgfm está disponível em uma ampla faixa de rotação, entre 1.700 e 5.500 rpm.

O câmbio é automático do tipo CVT com simulação de sete velocidades. Ele apresenta acoplamento por conversor de torque e permite comutação das marchas por meio das aletas posicionadas atrás do volante. O uso manual das marchas se faz posicionando a alavanca em “S”, de Sport.

O para-choque dianteiro, a grade atualizada com o DNA da marca e os faróis foram as principais alterações no design. Novas rodas e lanternas escurecidas, iluminadas por LEDs, completam as poucas mudanças externas.

Por dentro, as novidades do HR-V também foram comedidas. Nova iluminação do painel de instrumentos, modificações na estrutura dos bancos dianteiros e alguns detalhes nos materiais de acabamento.

O maior diferencial estético da versão Touring é o revestimento interno claro. Conjugado às outras partes escuras, em um interessante contraste, este material imita o couro, apresenta costuras reais e reveste os bancos e algumas áreas das portas, painel e console central.

O teto solar panorâmico também é exclusivo da versão. De acionamento elétrico, e com função antiesmagamento, ele cobre uma grande área da cabine e tem abertura parcial.

Quando aberto, eleva ainda mais a sensação de espaço interno, já ampliado pelo uso dos revestimentos claros.

Detalhes cromados e em preto brilhante conferem requinte ao carro. Mesmo os plásticos rígidos têm um toque que lembra emborrachado, aparentando qualidade superior. Vale destacar que estes acabamentos são aplicados em todo o interior do modelo e, não somente, na parte da frente, como muitas montadoras têm feito.

Espaço – Referência no segmento, seu espaço interno é ótimo para cabeça, ombros e, principalmente, pernas de quatro adultos. A ambientação assemelha-se mais a um carro que a um utilitário, pois os bancos não ficam tão altos, o console central é muito elevado e as janelas são estreitas.

Um recurso, exclusivo da Honda, amplia o aproveitamento interno por meio do rebatimento do banco traseiro. Ele pode ter parte do encosto, ou sua totalidade, deitado para frente, formando uma plataforma em toda a porção traseira do modelo.

Já os assentos, podem ser dobrados para cima, também integralmente ou parcialmente, abrindo um vão de porta a porta, do piso ao teto, ideal para cargas altas.

O modelo tem 4,33 metros de comprimento, 2, 61 metros de distância entre-eixos, 1,77 metro de largura e 1,60 metro de altura. Seu tanque de combustível comporta 50 litros e, o porta-malas, 393 litros.

SUVs é um dos melhores do mercado, mas preço deixa a desejar

Tanto espelhando celulares, como por meio da conexão bluetooth, o sistema de entretenimento funcionou de forma estável em todos os seus recursos. Ele não apresenta botões físicos rotativos para os comandos principais e carece evoluir em definição de imagem para aproveitar melhor o sistema de eliminação de ponto cego.

Este equipamento, também exclusivo nesta versão Touring, é composto por uma câmera localizada na extremidade do retrovisor externo e fornece imagem ampla do tráfego à direita, eliminando os pontos cegos deste lado do carro.

A imagem aparece na tela do multimídia sempre que se ativa a luz de direção direita. O recurso também pode ser ligado por botão localizado na extremidade da haste satélite esquerda. Faixas em amarelo e vermelho indicam uma menor ou maior proximidade dos veículos que aparecem na tela, sinalizando se é seguro, ou não, fazer uma conversão.

O ar-condicionado digital funciona com eficiência, mesmo não tendo múltiplas zonas. Ele tem todos os comandos por toque em um painel bem organizado visualmente e muito tecnológico.

A direção elétrica é leve, mas poderia ter maior assistência em manobras de estacionamento. Em estradas, ela se torna firme e segura, na medida certa. A câmera de marcha a ré permite três ângulos de visão que ajudam em situações específicas, mas suas guias não esterçam com o movimento do volante, algo mais importante na precisão das manobras.

Entre as mudanças ocorridas ano passado, um novo acerto nas suspensões corrigiu críticas pontuadas pelos clientes do modelo. Além de elevar o conforto de marcha, o isolamento acústico e o desempenho dinâmico do HR-V foram alterados.

As suspensões, dianteira e traseira, foram recalibradas para filtrar melhor as imperfeições dos pisos. O uso do stop hidráulico também tornou este sistema mais silencioso, característica aprimorada pela aplicação de materiais isolantes em diversas partes internas da carroceria do modelo.

Outra grande mudança foi promovida no câmbio CVT. Sua programação foi alterada para o sistema funcionar de forma mais progressiva. Quando selecionado em Drive (D), as trocas das marchas pré-programadas são imperceptíveis, pois a elevação da rotação do motor ocorre suavemente.

Este motor sobra para os 1.380 kg do HR-V Touring. Travando o câmbio na posição “S”, o utilitário se torna bem mais esportivo. Sobe o giro até às 6.000 rpm e acelera como poucos, um dos melhores desempenhos na categoria de utilitários compactos. Ele vai de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos, segundo a Honda.

Consumo – Essas mudanças no câmbio, um motor projetado para apenas um combustível (gasolina) e seu generoso torque em um largo espectro de rotação favoreceram muito o consumo rodoviário da versão.

Em nosso teste padrão, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Somente o motorista, vidros fechados, ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e faróis acesos completam a padronização. Na volta mais lenta atingimos 18,7 km/l e, na mais rápida, 16,5 km/l.

O nosso novo teste de consumo urbano é realizado em um circuito de 6,3 km no qual completamos 4 voltas, totalizando 25,2 km. Circulamos por 5,2 km em vias secundárias, na velocidade máxima de 40 km/h, e por 20 km em vias primárias, na velocidade máxima de 60 km/h.

No total, realizamos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Entre o ponto mais baixo do circuito (671metros) e o mais alto (823 metros) existe uma variação de 152 metros em relação ao nível do mar, algo que simula bem a topografia acidentada de uma cidade como Belo Horizonte.

O HR-V Touring atingiu uma média urbana de 9,8 km/l. Se fosse equipado com o sistema stop/start, ele conseguiria resultado ainda melhor, pois o tempo parado em nossas simulações corresponde a 10% do total do teste, algo relevante em matéria de consumo.

O Honda HR-V sempre foi um sucesso em nosso mercado, mas, atualmente, faltam equipamentos em suas versões se compararmos aos concorrentes nas mesmas faixas de preço.

Ele fica devendo painel digital, multimídia mais moderna e sistemas de auxilio à condução como frenagem de emergência, piloto automático adaptativo, aviso de manutenção em faixas rodoviárias e assistente de estacionamento em vagas, por exemplo.

A versão Touring do HR-V o coloca entre os três melhores SUVs compactos nacionais, mas o seu preço já atinge os modelos médios. Para quem quer desempenho, muita economia de combustível e não precisa de um SUV maior, ele pode ser uma ótima opção. Se o desempenho não é primordial, a versão EXL ganha em custo-benefício. (AV)

*Colaborador