Binance quer unir criptomoedas com o real e atrair investidor mais ‘conservador’

Gigante das criptomoedas quer transformar o Real em ativo digital mundial e atrair investidores conservadores para o universo cripto, com planos de expansão
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Binance quer unir criptomoedas com o real e atrair investidor mais ‘conservador’
Foto: Reuters/Dado Ruvic

Com mais de 300 milhões de usuários no mundo, a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, tem olhado com atenção para o mercado brasileiro, o quinto maior do mundo, por oferecer novas oportunidades de negócios.

A empresa quer usar a tecnologia blockchain, responsável pela segurança das transações de criptomoedas, para abrir duas frentes de atuação que podem render novos clientes e negócios. Uma delas é fazer do real, moeda brasileira, um ativo cripto que possa ser negociado e utilizado em qualquer parte do mundo para pagamentos e outras transações financeiras.

A outra frente de atuação é buscar o cliente que ainda não conhece o potencial de utilizar o sistema de criptomoedas em investimentos comuns, como a renda fixa.

Real mundial

Para o real se tornar uma moeda global, o caminho seria ter um projeto de stablecoin (moeda estável) do governo brasileiro, com a chancela do Banco Central. Esse é o cenário ideal, segundo o diretor-geral da Binance no Brasil, Thiago Sarandy.

“Como o Brasil vai manter o real hegemônico? Essa é outra coisa importante: aprovar o quanto antes um projeto de stablecoin do real que permita a emissão de stablecoins do real com facilidade. O projeto vai permitir que empresas privadas emitam real digital, lastreando esse real no Tesouro Direto. São dois benefícios claros: o primeiro é a utilização do real como moeda global. Podemos ter o real no exterior para transacionar, entregar reais em uma blockchain para uma pessoa, sem precisar usar o dólar nem o euro. E a segunda coisa é a facilidade para que qualquer investidor do mundo invista na dívida brasileira”, explica o executivo.

“Aí você pode perguntar: já tem alguém fazendo isso? Sim. Os EUA estão fazendo, e muito bem. Lançaram o Genius Act, que facilita a emissão de stablecoins do dólar. E ele é atrelado ao Tesouro dos Estados Unidos. Há sempre circulação de dólares pelo mundo, e ele volta para o Tesouro”, completa Sarandy.

Renda fixa com cripto

O perfil geral do investidor de criptomoedas é mais ousado e disposto a correr mais riscos. Os números indicam que ainda há espaço para crescer nesse segmento de clientes. Segundo o Instituto Paradigma, especializado em criptoativos, em parceria com o Datafolha, 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos dizem ter ou já ter tido dinheiro em criptomoedas, ante 15,1% em CDBs e títulos públicos e 7,4% em ações.

A Binance, porém, enxergou que o investidor mais “conservador”, que aplica em renda fixa, também pode entrar no mundo cripto e buscar rendimentos com um ativo rentável e com potencial de valorização ao longo do tempo. São 60 milhões de pessoas que investem em produtos bancários, como CDB, poupança e renda fixa.

“Temos a nossa linha de especialidade, a que nós dominamos, e somos os maiores do mundo nesse setor de ativos digitais. Agora estamos explorando e ampliando o negócio por outras linhas: a de pagamentos, a de ativos tradicionais oferecidos na plataforma e a de renda fixa digital”, comenta Sarandy.

“Nosso produto de renda fixa, que estamos em vias de lançar, chama-se ‘Binance Rende Mais’. E no que consiste? É um produto de renda fixa que rende todo dia: se aplicou na sexta e ficou até o domingo, terá o rendimento equivalente. No mercado tradicional, os rendimentos de renda fixa são calculados com base em 252 dias úteis, o que quer dizer que você não ganha dinheiro no fim de semana. No nosso produto, investe-se e resgata-se todos os dias da semana, sete dias por semana, 24 horas por dia, graças à tecnologia blockchain“, completa.

Minas no radar

A Binance adquiriu recentemente uma corretora de criptomoedas brasileira e vai iniciar, em breve, um movimento de expansão pelo País, com foco em colocar em prática sua estratégia de captação de novos clientes.

Minas Gerais está na rota para receber uma operação, pois é considerado um mercado-chave no País nesse processo de consolidação e expansão territorial. “Minas Gerais está no nosso top três de mercados. E é absolutamente injusto não dedicarmos tantos eventos a Minas quanto dedicamos a São Paulo. Isso vai mudar”, afirma Sarandy.

Potência global

Em 2025, as criptomoedas, por meio de stablecoins, processaram US$ 33 trilhões (cerca de R$ 171 trilhões) em volume de transações on-chain, valor que superou os US$ 25,5 trilhões combinados de duas das maiores empresas de pagamentos do mundo, Visa e Mastercard.

Somente no Brasil, foram processados 4,4 milhões de pagamentos e transações no ano passado, o que indica maturidade do mercado cripto, com espaço para crescer e alcançar novos públicos.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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