Casa própria: veja mitos e verdades sobre financiamento imobiliário
Apesar de estar entre os maiores desejos dos brasileiros, a compra da casa própria ainda é cercada de mitos, sobretudo no que diz respeito ao crédito imobiliário. Com a taxa de juros elevada nos últimos anos, persistem dúvidas sobre o valor real investido na aquisição de um imóvel.
Especialista em financiamento imobiliário, Ione Vicente da Silva explica o que é realidade e o que é mito no mercado de crédito imobiliário.
Quem financia paga o imóvel três vezes?
Mesmo com juros e correções elevando o montante pago, o valor final não chega ao equivalente a três imóveis. Além disso, é preciso considerar a valorização do bem ao longo dos anos.
O contrato imobiliário pode se tornar impagável?
Essa foi uma situação comum entre as décadas de 1980 e 1990, quando o Brasil vivia um cenário de inflação elevada. Atualmente, os contratos imobiliários podem ser feitos pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), no qual as parcelas diminuem ao longo do tempo. Além disso, há maior controle inflacionário no País.
Amortizar o contrato imobiliário não vale a pena?
Essa é uma premissa infundada, já que pagar parcelas de trás para frente elimina a aplicação de juros sobre juros, reduzindo drasticamente o tempo e o valor total pagos pelo imóvel.
Aprovar um financiamento é muito demorado e burocrático?
“Se o cliente estiver preparado, com os documentos necessários organizados, conseguimos avançar com mais agilidade na análise do banco”, afirma Ione Silva. Com a tecnologia, o tempo para aprovação de um contrato pode ser de cerca de duas horas, com emissão da documentação em até dez dias.
Mesmo com financiamento, o valor da entrada é muito alto?
Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre é necessário ter pelo menos 20% do valor do imóvel como entrada. Em programas governamentais, como o Minha Casa, Minha Vida, é possível pagar 10% ou menos, dependendo da faixa. Nos demais casos, quando os imóveis são adquiridos ainda na planta, as incorporadoras costumam parcelar o valor da entrada até a entrega do imóvel, o que pode representar um prazo de até três anos para quitar o montante.
Também é possível utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para essa finalidade.
O FGTS só pode ser usado para pagar a entrada do primeiro imóvel?
O trabalhador pode utilizar o FGTS para amortizar o saldo devedor a cada dois anos ou reduzir em até 80% o valor das prestações mensais de contratos de até R$ 2,25 milhões. Para isso, é necessário que o mutuário não tenha outro imóvel na mesma cidade ou em município vizinho, não possua outro financiamento ativo e tenha, no mínimo, três anos de contribuição ao fundo.
É possível ter mais de um financiamento imobiliário?
Desde que a renda comporte um novo financiamento ou empréstimo, é possível ter mais de um imóvel financiado. Para isso, os bancos utilizam duas principais fontes de recursos: os depósitos do FGTS e os depósitos da poupança. Apenas nos financiamentos com recursos do FGTS, voltados a quem está adquirindo o primeiro imóvel, não é permitido manter dois contratos ativos ao mesmo tempo.
Colaborador
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